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sexta-feira, 8 de abril de 2016

Papa e a exortação pós-sinodal

Papa clama por mais compreensão em relação a divorciados e homossexuais


Alberto Pizzoli-27-mar.16/AFP 
Papa Francisco cumprimenta pessoas na Basílica de São Pedro
Papa Francisco cumprimenta pessoas na Basílica de São Pedro


O papa Francisco reforçou nesta sexta-feira (8), por meio da divulgação da exortação apostólica "Amoris laetitia" ("A alegria do amor"), seu discurso de que os sacerdotes devem ter uma abordagem mais compreensiva em relação a fiéis divorciados e homossexuais, porém sem romper com as posições doutrinárias da Igreja Católica.
Leia a íntegra, em português, do documento papal
No documento de nove capítulos e 264 páginas (na versão em português), apresentado após quase dois anos de trabalho e da realização de dois Sínodos de Bispos para discutir temas ligados ao amor e à família, Francisco afirma que "em cada país ou região, é possível buscar soluções mais inculturadas, atentas às tradições e aos desafios locais". Com isso, o papa mantém sua busca por conciliar a existência de setores conservadores da igreja com demandas mais "progressistas" de fiéis.
DIVÓRCIO
Sobre divorciados que se casam pela segunda vez —grupo que, pelas regras da igreja, não têm direito a comungar—, o pontífice escreve que eles "podem encontrar-se em situações muito diferentes, que não devem ser catalogadas ou encerradas em afirmações demasiado rígidas, sem deixar espaço para um adequado discernimento pessoal e pastoral".
No entanto, o papa diz que "o divórcio é um mal, e é muito preocupante o aumento do número de divórcios". "Por isso, sem dúvida, a nossa tarefa pastoral mais importante relativamente às famílias é reforçar o amor e ajudar a curar as feridas, para podermos impedir o avanço deste drama do nosso tempo."
GAYS
Em uma mensagem que deve agradar aos defensores dos direitos dos gays, Francisco afirma que "cada pessoa, independentemente da própria orientação sexual, deve ser respeitada na sua dignidade e acolhida com respeito".
Durante os sínodos em que o documento foi discutido, o papa diz ter conversado com os padres sobre a experiência de famílias que possuem "pessoas com tendência homossexual", "experiência não fácil nem para os pais nem para os filhos". Para essa famílias, afirma, é preciso que a igreja dê "respeitoso acompanhamento", fazendo com que os gays "possam dispor dos auxílios necessários para compreender e realizar plenamente a vontade de Deus na sua vida".
Francisco, no entanto, não dá margem para interpretações sobre a oposição da igreja à união gay. "Devemos reconhecer a grande variedade de situações familiares que podem fornecer uma certa regra de vida, mas as uniões de facto ou entre pessoas do mesmo sexo, por exemplo, não podem ser simplistamente equiparadas ao matrimônio."
Em outro trecho da exortação, o pontífice aborda a "dimensão erótica do amor", que para ele não pode ser vista como um "mal permitido ou como um peso tolerável para o bem da família". Em vez disso, afirma, tem de ser visto como um "dom de Deus que embeleza o encontro dos esposos".
ABORTO
Francisco reitera a posição contra o aborto, sem dar espaço a circunstâncias em que poderia ser aceito. "É tão grande o valor duma vida humana e inalienável o direito à vida do bebê inocente que cresce no ventre de sua mãe, que de modo nenhum se pode afirmar como um direito sobre o próprio corpo a possibilidade de tomar decisões sobre esta vida, que é fim em si mesma e nunca poderá ser objeto de domínio doutro ser humano."
O papa não expõe uma proibição expressa a métodos contraceptivos, mas deixa isso implícito no capítulo em que fala da educação sexual para crianças, especialmente sobre o uso do termo "sexo seguro": "Estas expressões transmitem uma atitude negativa a respeito da finalidade procriadora natural da sexualidade, como se um possível filho fosse um inimigo de que é preciso proteger-se". "Deste modo", diz o texto, "promove-se a agressividade narcisista, em vez do acolhimento".
Nesse trecho, ele também dá a entender que tratamentos para fertilidade não são o caminho para casais em que um ou ambos os cônjuges não possam ter filhos, uma vez que a adoção é incentivada. "A opção da adoção e do acolhimento exprime uma fecundidade particular da experiência conjugal, mesmo para além dos casos de esposos com problemas de fertilidade."
O pontífice aponta que, muitas vezes, os problemas entres casais se dão pela falta de maturidade de algum dos cônjuges. "Se todos fossem pessoas que amadureceram normalmente, as crises seriam menos frequentes e menos dolorosas. A verdade, porém, é que às vezes as pessoas precisam de realizar aos 40 anos um amadurecimento atrasado que deveria ter sido alcançado no fim da adolescência."
CRÍTICA ÀS TECNOLOGIAS
Embora seja um líder que sabe usar as redes sociais para ampliar sua popularidade, Francisco diz ter conversado com os sacerdotes nos sínodos preparatórios sobre o risco da "cultura do provisório". " Refiro-me, por exemplo, à rapidez com que as pessoas passam duma relação afetiva para outra. Creem que o amor, como acontece nas redes sociais, se possa conectar ou desconectar ao gosto do consumidor e inclusive bloquear rapidamente."
Para Francisco, "a presença paterna e, consequentemente, a sua autoridade são afetadas também pelo tempo cada vez maior que se dedica aos meios de comunicação e à tecnologia da distração".
SANDERS NO VATICANO
O candidato democrata à presidência dos EUA Bernie Sanders anunciou nesta sexta que aceitou o convite da Igreja para visitar o Vaticano. Após a divulgação da exortação apostólica "Amoris laetitia", Sanders disse que ele e o papa tinham visões semelhantes quanto à luta por igualdade de renda.
"Eu sou um grande fã do papa", disse ele em entrevista ao canal de televisão norte-americano MSNBC. "Ele está tentando introduzir um senso de moralidade sobre como nós gerenciamos a economia, e precisamos disso desesperadamente".
A equipe da campanha de Sanders declarou que ele irá a uma conferência sobre questões sociais, econômicas e ambientais na visita do dia 15 de abril ao Vaticano. O candidato, que tornou a luta contra a pobreza um assunto central em sua campanha, disse que discutirá como criar uma economia moral durante o encontro. Não foi informado se o candidato e o papa se encontrarão.
A visita ocorrerá quatro dias antes das primárias no Estado de Nova York. No dia 16, o papa viajará para a ilha grega de Lesbos em apoio à situação dos refugiados e migrantes.
Sanders disse admirar o papa por tocar em assuntos como "a devoção pelo dinheiro e a ganância que está presente no mundo".
"Há pessoas que pensam que Bernie Sanders é radical. Leiam o que o papa está escrevendo", disse o democrata à MSNBC.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

O Sínodo, o pecado, e o ser ou não ser católico

Impressões sobre o Sínodo (II): Ser ou não ser, eis a questão.

Existe pecado, e pecado mortal? Ser ou não ser católico de verdade – eis toda a questão!
Por Pe. Romano | FratresInUnum.com
O debate suscitado na Igreja e na mídia, a respeito da Comunhão aos casais em segunda união, depois de um casamento contraído validamente por um ou pelos dois “cônjuges”, deixa de lado uma questão fundamental: existe pecado, e pecado mortal? E, mais ainda: quem se encontra objetivamente numa situação de pecado, pode salvar-se?
Nuvens sobre o Vaticano.
Uma das terríveis lacunas deixadas pelo Relatório final do recém concluído Sínodo sobre a Família, em particular nos polêmicos e ambíguos nn. 84-86, é a total ausência de referência ao pecado no qual vivem as pessoas que se encontram em uma união adúltera.
Sim, adúltera.
Por mais que se possa apelar ao sofrimento em que se encontram tais pessoas, e por mais graves que tenham sido as razões que levaram à separação de um casamento anterior válido, o fato é que essas pessoas estão vivendo numa situação de pecado e em perigo de se perderem eternamente!
A primeira atitude da Igreja, ao acolher essas pessoas – uma atitude de verdadeira misericórdia! – é de ajudá-las a se confrontarem com a verdade divinamente revelada, sobre a unidade e indissolubilidade do matrimônio, e a buscarem o único caminho possível: o da conversão e da mudança de vida. Caminho este que poderá ser árduo e longo, mas que não pode ficar pela metade. Seria um gravíssimo erro, tanto para essas pessoas como para todos os demais fiéis, propor soluções pastorais de “integração” que, inevitavelmente, levariam à acomodação artificial a uma situação objetivamente grave, que teria consequências fatais, isto é, em breves palavras, a condenação eterna ao inferno.
Mas, que consciência têm nossos pastores dessas verdades fundamentais? A perda da consciência do pecado é, certamente, o maior drama da nossa época. E se aqueles que são chamados a pregar o Evangelho a todas as gentes, e a anunciar que, sem conversão, não há salvação, omitem-se em anunciar tais verdades, estamos diante de uma situação catastrófica! De fato, o discurso atual, dentro da Igreja, e que se refletiu sobre o Sínodo, é o de quase absoluto silêncio sobre as verdades últimas da nossa existência – os novíssimos -: morte, juízo, inferno e paraíso, e sobre o pecado, que condiciona a nossa salvação. Verdades basilares da nossa Santa Religião, e que devem determinar a nossa vida sobre esta terra, porque, como diz Nosso Senhor, “que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, se vem a perder a sua alma?” (Cf. Mc 8, 36)
Estamos, portanto, no coração da crise da Igreja, que é uma crise de fé. Fé na Redenção, cuja visão parece – ao menos no discurso e na prática pastoral – distanciar-se sempre mais da sua intrínseca conexão com o pecado, que é a causa de todos os males, temporais e eternos, do homem. Cristo se torna o amigo, o companheiro de caminhada dos homens, o defensor das causas mais nobres da humanidade, e não o Salvador, o Redentor que vem para tirar o pecado do mundo, para reconciliar o ser humano com Deus, livrando-o do pecado. Não é, pois, de se admirar que a abordagem do Relatório seja toda ela de cunho sociológico e antropológico. Palavras como integração, acolhida, avaliação da situação concreta, quando dissociadas, ainda que indiretamente, da verdade integral da Revelação, reduzem a mensagem evangélica a uma mera filantropia e a uma misericórdia que quer quase que justificar o pecado a todo custo.
Certamente, não há nada de novo no que acabo de dizer: afinal, este é o discurso que, há muito, ecoa a partir dos púlpitos e cátedras, e de inúmeros simpósios e congressos. Contudo, parece que entramos numa nova fase, na qual aqueles que receberam autoridade máxima para ensinar a verdade e dissipar as trevas do erro, também se dobram a essa linguagem humanística e relativista. Pastores que foram constituídos como tais para conduzir as ovelhas a Cristo emanam um perfume sedutor de ovelhas, mas, na verdade – conscientemente ou não -, tornam-se lobos vorazes, que abrem as portas do abismo para um rebanho que não consegue mais distinguir o bem e o mal, se não houver quem o ajude.
Atualíssimas, portanto, são as palavras de Paulo VI a Jean Guiton, seu amigo e confidente, pouco tempo antes de morrer: “Há uma grande perturbação neste momento da Igreja, e o que se questiona é a fé. O que me perturba, quando considero o mundo católico, é que dentro do catolicismo parece, às vezes, que pode predominar um pensamento não católico, e pode suceder que este pensamento não católico dentro do catolicismo se converta, amanhã, como o pensamento mais forte. Porém, nunca representará o pensamento da Igreja. É necessário que subsista uma pequena grei, por muito pequena que seja”. Dizeres de um Papa que, certamente, não pode ser rotulado de tradicionalista e que, em outro momento de grande lucidez, afirmou que “por alguma brecha a fumaça de Satanás entrou no Templo de Deus” (29 de junho de 1972).
A Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo é, certamente, indefectível e santa. Porém, o dano que causa às almas um ensino vago e ambíguo não pode deixar-nos tranquilos. Por amor à verdade, por amor à salvação eterna das almas, a começar pela nossa própria, não podemos calar a verdade. Nas últimas décadas, tem-se falado tanto de profetismo na Igreja, geralmente associado à denúncia  das injustiças sociais. Pois bem: é preciso nadar contra a corrente – como os profetas!
Faz-se mister denunciar, como S. João Batista, a maldade do pecado, da impureza, do adultério, e lembrar que nenhuma integração forçada pode garantir a salvação eterna, se não estiver profundamente enraizada na verdade. É necessário lembrar, também aos Pastores da Igreja, que existe um inferno eterno, para onde todos – incluindo eles – podem ir, se não se converterem. É fundamental que a pregação da Igreja volte a ser “sim ou não, pois tudo o mais vem do Maligno”(cf. Mt 5, 37).
O problema do Sínodo é, pois, uma questão de fé, da verdadeira fé, da fé católica, sem a qual não podemos nos salvar. O dilema é este: a perda da fé católica. Ser ou não ser católico: eis a questão, a grande e decisiva questão!

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Alerta Vermelho para a Igreja Católica

Por que Bergoglio anuncia agora a reforma/demolição do papado. Arcebispo Tomasz Peta no Sínodo: “Aqui entrou a ‘fumaça de Satanás’ profetizada por Paulo VI”.

Por Antonio Socci, 18 de outubro de 2015 | Tradução: FratresInUnum.com – Ontem (sábado, 17), Papa Bergoglio prospectou – nada mais, nada menos – que uma reforma do papado: “não é oportuno que o Papa substitua os Episcopados locais no discernimento de todas as problemáticas que se apresentam em seus territórios. Neste sentido, advirto a necessidade de proceder uma salutar ‘descentralização’”.
Ainda que esteja citando uma frase de João Paulo II, Bergoglio pretende, na verdade, fazer uma operação que repisa aquela velha ideia anti-romana dos católicos-progressistas, que é o oposto daquilo que queria o Papa Wojtyla.
Não por acaso, de fato – depois de a ter projetado na “Evangelii Gaudium” –, o papa argentino lança novamente esta ideia hoje, no ponto máximo do incandescente Sínodo da Família. O motivo é claro.
SÍNODO LUDIBRIADO
Há alguns meses – vendo que a “Revolução Kasper” não fora aprovada pelo Sínodo de 2014 –, o presidente da Conferência Episcopal alemã, Reinhard Marx, afirmara levianamente que o episcopado alemão não era “uma filial de Roma”. Reivindicando, portanto, a pretensão de poder fazer a própria estrada (pareceu quase uma ameaça de um cisma “alla esquerda”).
A ideia formulada ontem é útil para que Bergoglio possa driblar o Sínodo (onde a maioria continua católica), como já fez com o Motu Proprio que introduz o divórcio na Igreja.
Na prática, se delegariam aos episcopados – como o alemão – as questões controvertidas (divorciados recasados, uniões de fato e homossexualidade). Mas tal escolha, ao invés de resolver a questão, a tornaria ainda mais explosiva e grave. Porque demoliria a própria Igreja.
FIM DO CATOLICISMO
De fato, no último mês de março, o Card. Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, tinha respondido a Marx que delegar decisões doutrinais ou disciplinares em matéria de família ou matrimônio às conferências episcopais nacionais “é uma ideia absolutamente anticatólica, que não respeita a catolicidade da Igreja”.
A verdade não muda com o clima. Se a verdade não é a mesma em qualquer lugar não é mais a verdade. Seria o triunfo da “ditadura do relativismo”, também na Igreja, e, portanto, o seu fim.
O Card. Burke repetiu a mesma ideia: “é explicitamente contrário à fé e à vida católica. A Igreja segue o ensinamento de Nosso Senhor Jesus Cristo (e) é una em todo o mundo. Não há nenhuma mudança nesta verdade, de um lugar a outro, ou de um tempo a outro. O ensino desta verdade certamente leva em conta as particularidades de cada área. Mas isto não muda o ensino que, ao contrário, deve ser ainda mais forte nos lugares em que está mais prejudicado”.
Passa-se a ideia de que, por causa das “diferenças regionais” – analisadas também no Sínodo – “a Igreja não é mais católica [universal]. Isto significa – acrescenta Burke – que não é mais ‘una’ no seu ensino em todo o mundo. Temos ‘uma’ só fé. Temos ‘um’ conjunto de sacramentos. Temos ‘um’ governo em todo o mundo. Isto significa ‘católica’”.
Uma reforma do papado que transformasse a Igreja em uma federação de igrejas locais que decidem – cada uma por si mesma – em relação aos divorciados recasados e homossexualidade, portanto, a mandamentos e sacramentos – lesaria “a divina constituição” da Igreja (isto é, a Igreja como foi fundada por Cristo) e uma tal reforma não depende do poder de nenhum papa. Porque o papa não é superior a Jesus Cristo.
Como se vê, quanto mais se entra profundamente no Sínodo, mais se descobre que, no fundo, o verdadeiro combate se dá sobre os fundamentos da fé católica e sobre a própria sobrevivência da Igreja, tal como foi instituída por Cristo há dois mil anos.
IGREJA E ANTI-IGREJA
Poucos entendem a importância do embate que está acontecendo porque o Sínodo foi querido (por Bergoglio) de portas fechadas, amordaçado e filtrado pelo establishment bergogliano. E a grande parte da mídia canta sempre em coro e solfejando apenas como querem os maestros do canto. Porém, escavando-se, descobre-se que já temos um cisma de fato, não declarado, mas evidente.
Muitos padres sinodais, conscientes da enormidade do que se está colocando em jogo, manifestam sua forte preocupação. Fizeram-no – em nome de tantos outros – os treze cardeais da famosaCarta, com lealdade e respeito, mas na sala do sínodo obtiveram de Bergoglio uma resposta duríssima (um “não” sobre tudo) e, depois, foram postos no index como “exconjurados”, graças a alguém que – fazendo que a Carta vazasse à imprensa – o fez de tal modo que os signatários fossem desacreditados, e também os que não foram signatários (constrangidos a se dissociarem).
E também para desacreditar Sandro Magister – jornalista incômodo ao atual establishment –, liquidado como alguém que alimenta complôs, quando apenas se limitou a realizar o seu trabalho (se há uma conspiração, não é contra Bergoglio, mas – como bem disse o Card. Dolan – contra a família, que, no Sínodo, ao invés de ser defendida, corre o risco de ser definitivamente liquidada).
Este é o clima. A associação americana “Voice of the Family” assegura que, no Sínodo, há um confronto entre a Igreja e a anti-Igreja, mas o arcebispo bergogliano Cupich – a quem esta afirmação foi submetida – encolheu os ombros: “Discordo. Escutar-nos mutuamente é um grande benefício”.
Infelizmente, não é verdade, porque Bergoglio não escuta as razões alheias e age como um tanque de guerra rumo ao seu objetivo.
Não escuta a voz dos católicos, que, ao contrário, é desprezada e esnobada, chegando ao ponto de ser deslegitimada, como se viu efetivamente na Carta dos cardeais.
Aconteceu o mesmo com todo o episcopado polonês, que defendeu a doutrina católica, porque, no país de João Paulo II, assiste-se com tristeza o repentino capotamento do seu magistério, levado a cabo em Roma.
A revista “Polônia cristã”, representativa do mundo católico polonês, realizou um vídeo “Krisis. Onde nos levará o Sínodo”, no qual falam bispos e cardeais, e se escutam afirmações dramáticas, segundo as quais, na Igreja, a heresia chegou no topo.
“FUMAÇA DE SATANÁS”
Tomasz Peta, arcebispo de Astana, no Cazaquistão, assemelhou-se aos antigos confessores da fé: a sua Igreja é composta por muitos ex-deportados dos campos de concentração comunistas (padres e fieis).
Fez uma formidável e dramática intervenção no Sínodo:
O Beato Paulo VI disse em 1972: ‘a fumaça de satanás entrou por qualquer brecha no tempo de Deus’. Estou convencido de que estas palavras do santo pontífice, autor daHumanæ vitæ, foram proféticas. Durante o Sínodo do ano passado, ‘a fumaça de Satanás’ tentou entrar na Aula Paulo VI”.
Neste ponto, o arcebispo elenca as três questões que estão abalando a Igreja e nas quais se sente a “fumaça”. O prelado Cazaquistão as apresenta assim:
1) A proposta de admitir à Sagrada Comunhão quem é divorciado e vive em uma nova união civil; 2) A afirmação de que o amasiamento é uma união que pode ter em si mesma algum valor; 3) A defesa da homossexualidade como qualquer coisa presumivelmente normal”.
Recorda mesmo que justo nestes três pontos foram rejeitados no Sínodo de 2014, mas foram reinseridos por império do próprio Bergolio no “Instrumentum laboris” deste Sínodo.
De fato, o arcebispo Peta acrescenta que, também neste Sínodo, começou-se de novo “a levar avante ideias que contradizem a Tradição bimilenar da Igreja, radicada no Verbo eterno de Deus” e “infelizmente, pode-se ainda perceber o cheiro daquela ‘fumaça infernal’ em alguns trechos do Instrumentum labores e também nas intervenções de alguns padres no Sínodo deste ano”.
O arcebispo cazaquistão concluiu: “Não é permitido destruir o fundamento e a rocha”.
Uma intervenção excessivamente alarmista? Não, realista.
Basta considerar aquilo que aconteceu nos dias passados, quando o establishment berbogliano do Sínodo chegou a tornar conhecido e tornar “comovente” e exemplar o fato desagradabilíssimo que – objetivamente – foi uma profanação da Eucaristia.
A gravidade do fato prova que há um alerta vermelho para a Igreja.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

O Sínodo e a noção de pecado

5 outubro, 2015

Existe ainda a noção de pecado entre os Padres sinodais?

Por Roberto de Mattei – Corrispondenza Romana | Tradução: FratresInUnum.com – Os trabalhos do Sínodo estão confirmando a existência, dentro da Igreja Católica, de um forte choque entre duas minorias. De um lado, um punhado de padres sinodais decididos a defender a Moral tradicional; de outro, um grupo de “inovadores” que parecem ter perdido a fé católica. Entre as duas minorias há, como sempre, um centro mole e indeciso, composto por aqueles que não ousam defender nem atacar a verdade e que são movidos por considerações ligadas mais aos próprios interesses pessoais do que ao debate doutrinário.
Os bispos inovadores, na discussão sinodal sobre a primeira parte do Instrumentum laboris, expressaram sua voz especialmente em dois dos 14 círculos menores: o Anglicus C e o Germanicus. Detenhamo-nos por um momento em uma passagem central do relatório do Circulus gemanicus, que teve como relator o novo arcebispo de Berlim, Dom Heiner Koch, e como moderador o arcebispo de Viena, cardeal Christoph Schönborn.
Os bispos alemães desejam que no documento final não prevaleça uma linguagem negativa, que distancia e condena, de estilo “forense” (“eine negativ abgrenzende und normativ verurteilende Sprache(forensischer Stil)”), mas uma linguagem positiva e evolutiva da posição cristã, que exprima implicitamente algumas posições que são incompatíveis com a posição cristã (“eine positive, die christliche Position entfaltende Sprache, die damit implizit zur Sprache bringt, welche Positionen christilich inkompatibel sind”). Uma linguagem “que comporte também a disponibilidade (cfr. Gaudium et Spes) de acolher os desenvolvimentos positivos da sociedade” (“Dazu gehört auch die Bereitschaft (cf. Gaudium et Spes), von der Gesellschaft positive Entwicklungen aufzugreifen”).
Para se entender o que está por trás dessa linguagem ambígua, é necessário reler as passagens centrais da entrevista concedida em 26 de setembro pelo cardeal Christoph Schönborn ao Padre Antonio Spadaro para a “Civiltà Cattolica”. O arcebispo de Viena nela afirma que é preciso “tomar consciência da dimensão social e histórica do casamento e da família”. Segundo ele, “muitas vezes nós, teólogos e bispos, pastores e guardiões da doutrina, esquecemos que a vida humana tem lugar nas condições impostas por uma sociedade: psicológicas, sociais, econômicas, políticas, em um contexto histórico. Isto tem faltado no Sínodo. (…). Devemos olhar para as inúmeras situações de convivência não só do ponto de vista do que está faltando, mas também do ponto de vista do que já é promessa, que já está presente. (…) Aqueles que têm a graça e na alegria de viver o matrimônio sacramental na fé, na humildade e no perdão mútuo, na confiança em Deus que age em nossa vida diária, sabem como olhar e discernir em um casal, em uma união de fato, nos que coabitam, elementos de verdadeiro heroísmo, de verdadeira caridade, de verdadeira doação recíproca. Embora devamos dizer: ‘Não é ainda uma realização plena do sacramento’. Mas quem somos nós para julgar e dizer que não existem neles elementos de verdade e santificação? (…) Não escondo, a este propósito, de ter ficado chocado de como uma forma de argumentar puramente formalista maneja o machado do intrinsece malum [intrinsecamente mau] (…).A obsessão com o intrinsece malum empobreceu de tal maneira o debate, que estamos privados de uma vasta gama de argumentos em favor da unicidade, da indissolubilidade, da abertura à vida, do fundamento humano da doutrina da Igreja. Perdemos o gosto de uma reflexão sobre essas realidades humanas. Um dos elementos-chave do Sínodo é a realidade da família cristã, não de um ponto de vista excludente, mas inclusivo. (…) Há também situações em que o sacerdote, o guia, que conhece as pessoas no seu foro interno, pode chegar a dizer: ‘A situação de vocês é tal que, em consciência, na de vocês e na minha consciência de Pastor, eu vejo que vocês têm um lugar na vida sacramental da Igreja’. (…) Eu sei que escandalizo alguns com o que vou dizer… mas sempre se pode aprender alguma coisa com as pessoas que vivem em situações objetivamente irregulares. O Papa Francisco quer nos educar para isso” (Matrimoni e conversione pastorale. Intervista al cardinale Christoph Schönborn, a cura di Antonio Spadaro S.I., in “Civiltà Cattolica”, Caderno n° 3966 de 26/09/2015, pp. 449-552).
Esta entrevista deve ser lida paralelamente com a de outro Padre sinodal, de formação cultural germânica, o arcebispo de Chieti-Vasto, Bruno Forte, secretário especial da Assembleia Geral do Sínodo. Em suas declarações ao “Avvenire” de 19 de Setembro de 2015, Dom Forte disse que o Instrumentum laboris expressa “simpatia para com tudo que é positivo, mesmo quando, como no caso da coabitação, estamos diante de uma positividade incompleta. Os critérios de simpatia para com os concubinos são ditados pela presença na sua união do desejo de lealdade, estabilidade, abertura à vida. E quando se percebe que este desejo pode vir a ser coroado pelo sacramento do matrimônio. É lógico então acompanhar esse processo de maturação.Quando, pelo contrário, a coabitação é episódica, tudo parece mais difícil e torna-se então importante encontrar uma maneira de incentivar novos passos para uma maturação mais significativa. (…) Quando há uma coabitação irreversível, sobretudo com a presença de filhos nascidos da nova união, voltar atrás equivaleria faltar com os compromissos assumidos. E esses compromissos envolvem deveres morais que são cumpridos em espírito de obediência à vontade de Deus, que pede fidelidade a essa nova união. Quando existem esses pressupostos, então se pode considerar uma integração cada vez mais profunda na vida da comunidade cristã. Em que medida? Já o dissemos. Incumbirá ao Sínodo propor e ao Papa decidir.”
Como fica evidente a partir das entrevistas citadas, a abordagem dos problemas da família é puramente sociológica, sem qualquer referência a princípios que trascendem a história. O  casamento e a família, para o cardeal Schönborn e o arcebispo Forte, não são instituições naturais, que acompanham a vida do homem desde os primórdios da civilização: instituições que certamente nascem e vivem na história, mas que estando enraizadas na própria natureza do homem são destinadas a sobreviver, em qualquer época e em qualquer lugar, como a célula básica da sociedade humana. Eles pretendem que a família está submetida à evolução dialética da história, assumindo novas formas em função dos períodos históricos e dos “desenvolvimentos positivos da sociedade”.
A “linguagem positiva” da qual fala o Circulus germanicus significa que a Igreja não deve exprimir nenhuma condenação, porque é preciso colher os aspectos positivos do mal e do pecado. Propriamente falando, para eles o pecado não existe, porque toda forma de mal é um bem imperfeito e incompleto. Essas aberrações se baseiam numa confusão deliberada entre o conceito metafísico e o conceito moral de bem e de mal. Do ponto de vista metafísico, é claro que Deus, que é o Sumo Bem, não criou no universo nada de ruim ou de imperfeito. Mas entre as coisas criadas há a liberdade humana, que torna possível o distanciamento moral da criatura racional em relação a Deus. Esta aversio Deo da criatura racional é um mal chamado corretamente de pecado. Mas a noção de pecado está ausente das perspectivas do cardeal Schönborn e do secretário especial do Sínodo, arcebispo Forte.
Negando a existência do intrinsece malum, o cardeal Schönborn nega verdades morais, como aquela segundo a qual existem “atos que por si próprios e em si mesmos, independentemente das circunstâncias, são sempre gravemente ilícitos, por motivo do seu objeto” (João Paulo II, Exortação Apostólica Reconciliatio et paenitentia, n. 17) e rejeita em sua totalidade a encíclica Veritatis Splendor, promulgada precisamente para reiterar, contra a ressurgente “ética de situação”, a existência de absolutos morais. Nessa perspectiva schönborniana se dissolve não somente a noção da lei divina e natural como raiz e fundamento da ordem moral, mas também a noção de liberdade humana. A liberdade é de fato a primeira raiz subjetiva da moralidade, assim como a lei natural e divina constitui a sua forma objetiva. Sem lei divina e natural, não existem bem e mal, porque é a lei natural que permite à inteligência conhecer a verdade e a vontade de amar o bem. Liberdade e direito são dois aspectos inseparáveis ​​na ordem moral.
Porque existem absolutos morais é que existe o pecado. O pecado é um mal absoluto porque se opõe ao Bem absoluto, e é o único mal, porque se opõe a Deus que é o único Bem. As origens de cada situação de miséria e infelicidade do homem não são de natureza política, econômica e social, mas residem no pecado, original e atual, cometido pelos homens. O homem “peca mortalmente (…) quando, consciente e livremente, escolhe um objeto gravemente desordenado, qualquer que seja o motivo de sua escolha” (Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração Persona humana, de 7 de novembro de 1975, n. 10, parágrafo 6). Entre os pecados existem aqueles que, segundo as Escrituras, clamam vingança ao Céu, como o pecado dos sodomitas (Gênesis, 18, 20; 19,13), mas existem também outras violações do sexto mandamento, que proíbe qualquer união sexual fora do casamento. É inadmissível qualquer “linguagem positiva” para abençoar tais uniões. Pio XII dizia que “talvez hoje o maior pecado do mundo é que os homens começaram a perder a noção de pecado” (Discurso de 26 de outubro de 1946). Mas o que acontece quando são os homens de Igreja os que perdem o sentido de pecado, e com ele, a própria fé?

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Sobre a Carta dos Cardeais no Sínodo, em defesa da família e da Igreja

16 outubro, 2015

Os bastidores da carta explosiva dos Cardeais.

E o que acontecerá agora com o Sínodo da Igreja. 
Por Antonio Socci, Libero, 14 de outubro de 2015 | Tradução: Gercione Lima – FratresInUnum.com – A carta dos cardeais ao papa contra o amordaçamento do Sínodo e contra as teses dos modernistas bergoglianos é um fato explosivo, mesmo por causa da autoridade das assinaturas. Mas o que aconteceu em seguida, para tentar desacreditar e jogar na sombra o seu conteúdo explosivo, deve ser recontado.
Antes de tudo, tentaram fazer com que a carta fosse vista como o sintoma de um clima de conspiração por parte dos chamados “conservadores” ou católicos.
Marco Tosatti, correspondente do Vaticano sério e independente, justamente observou que uma carta privada ao papa, assinada com os nomes completos, é a coisa mais transparente, leal e corajosa que se pode ver nesses últimos tempos no Vaticano (considerando que o próprio Bergoglio – em suas palavras — pede franqueza).
Ou seja, é o exato oposto de uma conspiração. Mas — como diz Tosatti — “ele forneceu uma oportunidade de ouro para os seus muitos bajuladores gritarem “afronta e complô”.
Enquanto vamos tomando conhecimento – através do jornal alemão Tagespost — que, se tem alguma coisa que diz respeito a coisas escondidas, trata-se do próprio fato do Papa Bergoglio realizar em Santa Marta um “Sínodo paralelo” e reservado para manipular o Sínodo oficial.
O elemento que desencadeou a confusão foi o desmentido por parte de quatro dos treze cardeais signatários. Mas o que aconteceu?
O MISTÉRIO DOS NOMES
O Cardeal Pell, um dos signatários, segunda-feira à noite, através de um porta-voz, confirmou que a carta foi assinada por ele e outros cardeais, e ainda acrescentou que era uma carta privada que não foi divulgada por parte de nenhum deles. Além disso também explicou que no texto da carta tornada pública por Magister há “erros tanto de conteúdo como na lista de signatários.”
Segunda-feira à noite, ficamos sabendo então, que a revista dos jesuítas dos Estados Unidos, “América”, de orientação progressista, confirmou que a carta foi realmente assinada por treze cardeais, todos eles padres sinodais, e ainda fornece uma lista com quatro novos nomes, justamente os nomes corretos, ao invés dos quatro nomes errados os quais haviam negado a participação. Assim, a revista dos jesuítas confirma o texto publicado por Magister e o mesmo faz o jornal “La Nación” de Buenos Aires com um artigo de Elizabeth Piqué, que é a biógrafa pessoal e amiga do Papa Bergoglio e que tem acesso a fontes muito confiáveis.
Ontem à noite, portanto, Magister assinou um novo artigo onde — citando essas confirmações de peso — reitera que são treze os cardeais signatários (reconstrói a lista correta, mas parece que um foi removido) e o texto é aquele mesmo publicado por ele, ainda que na carta entregue ao papa possa haver alguma variação mínima. “De forma, mas não de substância”.
A NOTÍCIA
Com o alarido que se levantou na mídia, acabamos por perder de vista o essencial: o caráter excepcional de um documento assinado por cardeais influentes, representando muitos Padres sinodais, com o qual se destrói o Instrumentum laboris (aquele mesmo onde Bergoglio havia inserido pontos que não tinham sido aprovados pelo Sínodo de 2014 e que eram os mais controversos).
Na Carta dos Cardeais, em seguida, são criticados os novos procedimentos que amordaçam (e tentam manipular) o Sínodo em curso e se expressa preocupação porque a Comissão que deverá escrever a “Relatio” final não foi eleita pelos padres, mas nomeada inteiramente por Bergoglio (todos pessoas de seu gosto pessoal).
Além disso, a carta expressa sua preocupação com um sínodo que tinha sido convocado por Bento XVI para a defesa da família e que depois acabou se embaralhando com comunhão para divorciados recasados e que, se fosse aceita, iria pôr em colapso toda a doutrina do matrimônio e dos demais sacramentos.
No final da carta há um lembrete dramático que – embora com linguagem respeitosa – soa o alarme, dizendo que, no final da estrada tomada por Bergoglio, à imitação das igrejas protestantes da Europa, há o “colapso” ou seja, o fim a Igreja.
MAIORIA CATÓLICA
O Cardeal Pell, na declaração de anteontem, deu outras duas notícias importantes sobre o que está acontecendo. A primeira corresponde exatamente ao que, no último domingo, escrevíamos nesta coluna, ou seja, que a linha adotada pela dobradinha Kasper/Bergoglio é a minoria.
De fato, Pell diz: “Há um consenso generalizado sobre a maioria dos pontos, mas, obviamente, há alguma discordância porque uma minoria de elementos quer mudar o ensinamento da Igreja sobre as disposições necessárias para a recepção da Comunhão. Naturalmente, não existe uma possibilidade de mudança da doutrina”.
A outra notícia dada por Pell, ainda que em linguagem sutil, é esta: “persistem as preocupações dos Padres Sinodais relativas à composição do conselho de redação do relatório final e sobre o processo através do qual será apresentado aos Padres sinodais e votado.”
A polêmica agora gira em torno de tudo isso. A razão é simples, ainda que nunca dita. A intenção que agora se torna clara, é que Bergoglio está empurrando o Sínodo para as conclusões que ele quer, visando obter legitimidade para introduzir na Igreja as idéias de Kasper, ainda que de forma camuflada, como o divórcio introduzido com o Motu Proprio.
Para isto, Bergoglio, nos últimos dias – ao  descobrir que o Sínodo permanece com maioria católica — incrivelmente colocou em dúvida [a elaboração d]o “Relatório Final”, que também foi previsto em todos os programas oficiais, como resultado do Sínodo.
Dada a confusão que causou a mudança das regras do Sínodo em curso, anteontem, através do Padre Lombardi, declarou que o “Relatório Final” vai sair, mas será o próprio Bergoglio que vai decidir o que fazer e se será publicado.
Mais tarde ficamos sabendo que não será uma “Relatio” semelhante ao dos outros sínodos onde se votam proposições individuais, mas um texto vago para ser votado em bloco, no estilo pegar ou largar.
Ou seja, um modo de colocar a parte católica contra o muro, fazendo uma referência genérica à “misericórdia”, que, em seguida, poderia ser interpretada como um sinal verde para a “revolução”.
O PAPA NÃO É DEUS
Na realidade, seria necessário recordar que — a menos que se queira cair em heresia e assim decadência — nenhum papa tem o poder de derrubar a Lei de Deus e a Doutrina Católica.
Antes, como já foi explicado por um cardeal de peso para o Sínodo de 2014, essas questões sobre as quais hoje estão discutindo – já foram solenemente definidas pela Igreja, com base na Sagrada Escritura – e não poderiam e nem deveriam sequer ser colocadas em discussão.
Porque – ao contrário do que muitos acreditam – o Papa não pode fazer o que ele quer. Como disse Bento XVI na homilia da missa inaugural como Bispo de Roma na Basílica de São João de Latrão:
“O Papa não é um soberano absoluto, cujo pensar e querer são leis. Ao contrário: o ministério do Papa é garantia da obediência a Cristo e à Sua Palavra. Ele não deve proclamar as próprias ideias, mas vincular-se constantemente a si e à Igreja à obediência à Palavra de Deus, tanto perante todas as tentativas de adaptação e de adulteração, como diante de qualquer oportunismo. (…) O Papa tem a consciência de que está, nas suas grandes decisões, ligado à grande comunidade da fé de todos os tempos, às interpretações vinculantes que cresceram ao longo do caminho peregrinante da Igreja. Assim, o seu poder não é superior, mas está a serviço da Palavra de Deus, e sobre ele recai a responsabilidade de fazer com que esta Palavra continue a estar presente na sua grandeza e a ressoar na sua pureza, de modo que não seja fragmentada pelas contínuas mudanças das modas”.
Esta é a interpretação correta do “poder de ligar e desligar” que Cristo deu a Pedro, versículo do Evangelho que nos últimos dias tem sido indevidamente invocado pelo partido bergogliano, quase como para dizer que ao papa argentino é permitido fazer o que ele quiser.
O Venerável Pio Brunone Lanteri, que era um grande defensor do papado, explicou claramente em seu livro: “Mas me dirá que o Santo Padre pode tudo, ‘solveris quodcumque, quodcumque ligaveris etc.” É verdade, mas não pode nada contra a constituição divina da Igreja. Ele é o vigário de Deus, mas não é Deus, nem pode destruir a obra de Deus”.
Publicado no Líbero, 14 de outubro de 2015

Cardeal Sarah e o Sínodo - em defesa da Verdade

A voz da África clama no deserto: O discurso do Cardeal Sarah no Sínodo


15.10.2015 -  Nota de www.rainhamaria.com.br
Algumas palavras do Cardeal Robert Sarah, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.
n/d
Fonte: http://fratresinunum.com
Sua Santidade, Eminências, Excelências, participantes do Sínodo.
Mais transparência e respeito entre nós
Sinto uma forte necessidade de invocar o Espírito da Verdade e do Amor, a fonte de parresia ao falar e humildade ao ouvir, o Único capaz de criar a verdadeira harmonia na pluralidade.
Digo francamente que no Sínodo anterior, sentia-se, em diversos temas, a tentação de ceder à mentalidade do mundo secularizado e do Ocidente individualista. Reconhecer as supostas “realidades da vida” como um locus theologicus [lugar teológico] significa desistir da esperança no poder transformador da fé e do Evangelho.
O Evangelho que outrora transformava culturas agora está em perigo de ser transformado por elas. Além disso, alguns dos procedimentos utilizados não pareciam visar o enriquecimento da discussão e comunhão tanto quanto o fizeram para promover uma maneira de ver típica de certos grupos marginais das igrejas abastadas. Essa mentalidade é contrária a uma Igreja pobre e a um sinal alegremente evangélico e profético de contradição ao espírito do mundo. Não se pode compreender que algumas declarações que não encontram o consenso da maioria qualificada do último Sínodo ainda tenham entrado na Relatio e, em seguida, na Lineamenta e no Instrumentum laboris, enquanto outras questões candentes e muito atuais (como, por exemplo, a ideologia de gênero) foram ignoradas.
Portanto, a primeira esperança é que, em nosso trabalho, haja mais liberdade, transparência e objetividade. Por isso, seria proveitoso publicar os resumos das intervenções, para facilitar a discussão e evitar qualquer preconceito ou discriminação na aceitação dos pronunciamentos dos Padres Sinodais.
Discernimento da história e dos espíritos
Uma segunda esperança: Que o Sínodo honre a sua missão histórica e não se limite a falar somente sobre determinadas questões pastorais (como, por exemplo, a eventual comunhão aos divorciados e recasados), mas auxilie o Santo Padre a enunciar claramente determinadas verdades e dar orientação útil em nível global. Isso porque há novos desafios em relação ao sínodo celebrado em 1980. Um discernimento teológico nos permite ver em nosso tempo duas ameaças inesperadas (quase como duas “bestas do apocalipse”) localizadas em lados opostos: por um lado, a idolatria da liberdade ocidental; do outro, o fundamentalismo islâmico: secularismo ateísta versus fanatismo religioso. Para usar um slogan, encontramo-nos entre “a ideologia de gênero e o ISIS”. Massacres islâmicos e exigências libertárias normalmente disputam a primeira página dos jornais. (Lembremo-nos do que aconteceu no último dia 26 de junho!). Desses dois radicalismos surgem duas ameaças maiores para a família: sua desintegração subjetivista no Ocidente secularizado através do divórcio rápido e fácil, o aborto, as uniões homossexuais, a eutanásia, etc. (cf. Teoria de gênero, o ‘Femen’, o lobby LGBT, a IPPF…). Por outro lado, a pseudo-família do Islã ideologizado, que legitima a poligamia, a subserviência feminina, a escravidão sexual, o casamento infantil etc. (cf. Al Qaeda, Isis, Boko Haram ...)
Várias pistas nos possibilitam intuir a mesma origem demoníaca desses dois movimentos. Diversamente do Espírito da Verdade, que promove a comunhão na diversidade (perichoresis), esses movimentos estimulam a confusão (homo-gamy) ou subordinação (poly-gamy). Além disso, eles exigem uma regra universal e totalitária, são violentamente intolerantes, destruidores de famílias, da sociedade e da Igreja e são abertamente cristofóbicos.
n/d
“Não estamos lutando contra a carne e o sangue…” Precisamos ser inclusivos e acolhedores a tudo o que é humano; mas o que vem do Inimigo não pode e não deve ser assimilado. Não se pode unir Cristo e Belial! As ideologias homossexuais e abortistas ocidentais e o fanatismo islâmico são hoje em dia o que o Nazi-fascismo e o Comunismo foram no século XX.
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Nota de www.rainhamaria.com.br
Declarou São Vicente de Lerins sobre a Tradição no Catolicismo: "Na Igreja Católica deve-se ter SUMO EMPENHO em que MANTENHAMOS  aquilo que foi criado em toda a parte, sempre e por todos, pois isto é que é VERDADEIRO E PROPRIAMENTE católico. (...) Portanto, pregar algo aos católicos fora daquilo que eles receberam NUNCA FOI LÍCITO, em parte alguma é lícito, e NUNCA SERÁ LÍCITO; e condenar abertamente aqueles que anunciam algo fora do que foi uma vez aceito, foi sempre necessário, em toda a parte é necessário, E SEMPRE SERÁ NECESSÁRIO." (Communitorium, Ench. Patr. 2168).
Lembrando novamente...
Declarou Dom Marcel Lefebvre, que foi Arcebispo Emérito de Tulle, na França.
Quando eu era criança, a Igreja tinha por toda parte, a mesma fé, os mesmos sacramentos, o mesmo sacrifício da missa. Se me houvessem dito então que isto mudaria, eu não teria podido acreditar. Em toda a extensão da cristiandade se rezava a Deus da mesma maneira. A nova religião liberal e modernista semeou a divisão.
Duas religiões (católicas) se afrontam (os conservadores X modernistas); nós nos encontramos numa situação dramática, não é possível deixar de fazer uma escolha, mas esta escolha não é entre a obediência e a desobediência. O que se nos propõe, aquilo a que se nos convida expressamente, porquê nos perseguem, é escolher um simulacro de obediência. O Santo Padre, com efeito, não nos pode pedir que abandonemos nossa fé.
Nós escolhemos então conservá-la e não podemos enganar-nos atendo-nos àquilo que a Igreja ensinou durante dois mil anos. A crise é profunda, sabiamente organizada e dirigida, por sinal que se pode verdadeiramente crer que o chefe do empreendimento não é um homem, mas o próprio Satã. Ora é um golpe magistral de Satã ter chegado a fazer os católicos desobedecerem a toda a tradição em nome da obediência.
A autoridade, mesmo legítima, não pode ordenar um ato repreensível, mau. Ninguém pode obrigar qualquer pessoa a transformar seus votos monásticos em simples promessas. Igualmente ninguém pode fazer que nos tornemos protestantes ou modernistas.
Pois bem, eu não sou desta religião. Não aceito esta nova religião. É uma religião liberal, modernista, que tem seu culto, seus sacerdotes, sua fé, seus catecismos, sua Bíblia ecumênica traduzida em comum por católicos, protestantes, anglicanos (enfim seitas) jogando com pau de dois bicos, dando satisfação a todo o mundo, sacrificando muito freqüentemente a interpretação do magistério. Nós não aceitamos esta Bíblia ecumênica. Há a Bíblia de Deus, é Sua Palavra a qual não temos o direito de misturar com a palavra dos homens. (com as modas e novidades do mundo, para agradar aos homens e não a DEUS)
Logo é uma inversão total da Tradição e do ensino da Igreja que está se operando, depois do Concílio e pelo Concílio. Como poderíamos nós, por obediência servil e cega, fazer o jogo desses cismáticos que nos pedem colaboração para seus empreendimentos de destruição da Igreja? Eis porque estamos prontos e submissos para aceitar tudo o que for conforme à nossa fé católica, tal como foi ensinada durante dois mil anos mas recusamos tudo o que lhe é contrário".
Lembrando...
Em 1846 Nossa Senhora apareceu, em La Salette, a duas crianças: Maximino e Melânia.
     Posteriormente essa aparição teve aprovação da Igreja.
     É bem famoso aquela parte destas revelações chamada de "O Segredo de La Salette".
No contexto de La Salette há uma mensagem que deixou perplexos os católicos, na qual Nossa Senhora disse:
"Roma perderá a fé, e converter-se-á na sede do anticristo".

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Escândalo no Vaticano e o padre gay

Padre do Vaticano, membro da Congregação para a Doutrina da Fé, anuncia publicamente sua homossexualidade, dizendo inclusive que tem um parceiro


03.10.2015 -
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Um padre polonês, Krysztof Olaf Charamsa, membro da Congregação para a Doutrina da Fé, revelou sua homossexualidade neste sábado, 03-10-2015,  nos jornais, um dia antes do Sínodo sobre a família, para sacudir a uma Igreja ‘paranoica’ sobre este tema.
O padre nasceu em Gdymia, Polônia, e tem 43 anos. Ele reconhece que tem um parceiro. “Sei que terei que renunciar ao meu ministério, ainda que é toda minha vida”, afirma em entrevista concedida ao jornal Corriere della Sera.
Sei que a Igreja me verá como alguém que não soube cumprir com o seu dever (de castidade), que se extraviou e, como se não fosse pouco, não como uma mulher, mas com um homem”, exclama.
n/d
Mas “não faço isto para viver com meu parceiro. Faço-o por mim, por minha comunidade, para a Igreja. É uma decisão muito mais profunda que nasce da minha reflexão sobre o que prega a Igreja”.
Sobre o tema da homossexualidade, “a Igreja está atrasada em relação aos conhecimentos que alcançou a humanidade”, opina, e assegura que “não se pode esperar por outros 50 anos”.
“Está na hora da Igreja abrir os olhos frente aos homossexuais crentes e entenda que a solução que propõe, ou seja, a abstinência total e uma vida sem amor, não é humana”, declara.
n/d
“O clero é amplamente homossexual e também, infelizmente, homófobo até a paranoia, porque está paralisado pela falta de aceitação para sua própria orientação sexual”, acrescenta na edição polaca da revista Newsweek.
“Desperta, Igreja, deixa de perseguir os inocentes. Não quero destruir a Igreja, quero ajuda-la e, sobretudo, quero ajudar a quem ela persegue. Minha saída do armário deve ser um chamado ao sínodo para que a Igreja cesse suas ações paranoicas contra as minorias sexuais”, afirma.
n/d
“Gostaria de dizer ao sínodo que o amor homossexual é um amor familiar, que necessita da família. Todos, incluídos os gays, as lésbicas e os transexuais, levam no coração um desejo de amor e de família”, disse ao jornal italiano, numa mensagem dirigida aos 360 participantes do sínodo que se reunirá a partir do domingo, 04-10-2015, no Vaticano.
O padre polaco confessa que sempre se sentiu homossexual mas que, no princípio, não o aceitava e repetia o que a Igreja impunha, “o princípio segundo o qual ‘a homossexualidade não existe’”.
Depois de conhecer o seu parceiro, teve “o sentimento de se converter num padre melhor, de fazer homilias melhores, de ajudar melhor os outros e de ser cada vez mais feliz”, narra para a revista Newsweek.
Ao tomar conhecimento das suas declarações, o porta-voz do Vaticano, segundo nota divulgada pela Sala de Imprensa do Vaticano, afirmou na manhã de hoje:
“Acerca das declarações e entrevistas concedidas por Mons. Krzystof Charamsa cabe assinalar que  - apesar do respeito que merecem os fatos e as circunstâncias pessoais e as reflexões sobre elas – a decisão de declarar algo tão clamoroso na véspera da abertura do Sínodo resulta muito grave e não responsável, já que aponta na direção de submeter a Assembleia sinodal a uma pressão midiática injustificada. Certamente Mons. Charamsa não poderá mais desempenhar as tarefas precedentes na Congregação para a Doutrina da Fé e nas universidades pontifícias, enquanto que outros aspectos da sua situação competem ao seu Ordinário diocesano”.
Charamsa trabalha na Congregação para a Doutrina da Fé desde 2003,  é secretário adjunto da Comissão Teológica Internacional do Vaticano e leciona teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana e no Pontifício Ateneu Regina Apostolorum, em Roma.
Nunca até hoje, segundo o jornal Corriere della Sera, um religioso com uma função tão ativa no Vaticano tinha feito uma declaração do gênero.
Hoje Charamsa participa em Roma da primeira assembleia internacional dos católicos LGBT organizada por Global Network of Rainbow Catholics, na véspera do Sínodo sobre a família, na busca de aprofundar o diálogo com os gays católicos.
Fonte: http://www.ihu.unisinos.br e Agencias Internacionais de noticias
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Nota de www.rainhamaria.com.br
Dez meses antes de morrer, o Papa Paulo VI denunciou: “O fumo de Satanás entrou na Igreja Católica e se expande cada vez mais até o vértice” (13/10/77).
Diz na Sagrada Escritura:
"É a ruína que está chegando. Procurar-se-á salvação, sem que se possa encontrá-la. Sobrevirão desastres sobre desastres, má nova sobre má nova. Pedir-se-ão oráculos ao profeta, faltará a lei para o sacerdote, e o conselho para os anciãos.". (Ezequiel 7, 25)
"Porque o desejo da carne é hostil a Deus, pois a carne não se submete à lei de Deus, e nem o pode. Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito, se realmente o espírito de Deus habita em vós. Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é dele". (Romanos 8, 7-9)
"Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus? Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos", (I Coríntios 6, 9)
"Assim serão confundidos pelo procedimento abominável, mas a vergonha lhes é desconhecida, e já não sabem o que seja enrubescer; cairão, portanto, com os que tombarem, e perecerão no dia em que os castigar - oráculo do Senhor." (Jeremias 6, 15)
No Catecismo da Igreja Católica, página 194, no capítulo que trata da provação derradeira da Igreja.
Diz no parágrafo 675:
“Antes do advento de Cristo, a Igreja deve passar por uma provação final que abalará a fé de muitos crentes. A perseguição que acompanha a peregrinação dela na terra desvendará o “mistério da iniqüidade” sob a forma de uma impostura religiosa que há de trazer aos homens uma solução aparente aos seus problemas, à custa da apostasia da verdade".
Nossa Senhora já havia profetizado...
Nas aparições da Virgem em Akita, no Japäo,  foi das poucas reconhecidas no século XX pela Igreja, mas seu conteúdo e aviso são similares à de Fátima e a tantas outras ainda não reconhecidas nos dias de hoje.
Nossa Senhora disse: "O demônio especialmente dirigirá sua ira contra almas consagradas a Deus. O pensamento da perda de tantas almas é a causa de minha tristeza. Se os homens aumentarem ainda mais seus pecados em número e gravidade, já não haverá nenhum perdão para eles ".
Em La Salette - França, 1846, Aparição reconhecida pela Santa Sé, disse Nossa Senhora
“Os sacerdotes, ministros de Meu Filho, por sua má vida, por suas irreverências e por sua impiedade em celebrar os santos Mistérios, por seu amor ao dinheiro, às honras e aos prazeres, se converteram em cloacas de impurezas. - (isso em 1846, imaginem agora). Que com suas infidelidades e sua má vida crucificam de novo ao Meu Filho!"
Jacinta , uma das videntes de Nossa Senhora em Fátima , em suas últimas palavras, comunicadas à sua madrinha, madre Maria da Purificação Godinho, disse: "Minha madrinha, peça muito pelos pecadores! Peça muito pelos padres! Peça muito pelos religiosos! Os padres só deviam ocupar-se das coisas da Igreja . Eles devem ser puros".
O Santo Padre Pio resume numa frase estes maus servidores: "O Sacerdote, ou é um Santo, ou é um demônio. Ou santifica, ou arruína"
Disse certa vez o Santo Dom Bosco: "O padre não vai sozinho para o céu. Nem para o inferno. Se agir bem, irá para o céu com as pessoas que ajudou com seu bom exemplo. Se for infiel, se se envolver em escândalos, se perderá com as pessoas condenadas por seu escândalo".
Disse São João Crisóstomo:
“Nunca Deus é tão ofendido como e quando os que O ultrajam estão revestidos da dignidade sacerdotal!” 
Diz ainda na Sagrada Escritura:
"O injusto, que continue com a sua injustiça; o impuro, que continue com suas impurezas; o justo, continue a praticar a justiça; o santo, continue a santificar-se!
Eis que virei em breve, e comigo trarei o salário para retribuir a cada um conforme o seu trabalho". (Apocalipse 22, 11 -12)
"Quem é sábio atenda a estas coisas! Que o homem inteligente reflita nelas, porque os caminhos do Senhor são retos. Os justos andam por eles, mas os pecadores neles tropeçam". (Oséias 14, 9)
 

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Papa Francisco controlador?

Nos periódicos italianos já há uma unanimidade entre os vaticanistas contra Bergóglio: Francisco é, de longe, o pontífice mais absolutista da história


01.10.2015 -
n/d
Francisco é, de longe, o pontífice mais absolutista da história. Há neste pontificado de Francisco muitas características interessantes, ainda que tristes, que nos remetem ao jogo político bolivariano apresentado pelas lideranças seculares na América Latina.
Este pontificado se apresentou como a grande reinvenção da misericórdia, como se a Igreja não fosse misericordiosa nos dois mil anos precedentes, do amor aos pobres e da simplicidade absoluta. Toda essa imagem foi construída de forma propagandística, também através da pena de jornalistas de esquerda e do martelo ideológico de alguns padrecos e bispos saudosistas da Teologia da Libertação, mas sobretudo através do engenho pessoal de Bergoglio. Como não pensar na imagem de Chavez, Mujica ou Lula, é claro, igualmente manipuladas pela mídia que fez de cada mandatário um novo “pai dos pobres”, um messias político que promete o paraíso na Terra.
Mas da mesma forma como sabemos que Mujica, Kirschner, Morales, Maduro, Lula ou Dilma não estão ou mesmo nunca estiveram preocupados com o bem estar da sociedade ou dos mais pobres, mas apenas desejam transformar a sociedade para instalar por essas plagas um projeto hegemônico de poder, unipartidário e inquestionável, Francisco está francamente comprometido com a transformação da Igreja.
A mídia de nariz sujo da América Latina ainda incensa o pontífice, pintando o Papa argentino como um construtor de pontes (daí vem a palavra “pontífice”) não mais entre o céu e a Terra, mas entre os desejos sociais e a estrutura da Igreja; o Corpo Místico de Cristo se foi restando apenas a “estrutura” e esta pode e deve ser modificada. Mas há outra mídia, mais comprometida com a verdade dos fatos e que se localiza habitualmente nos países desenvolvidos, que vem torcendo o nariz para Bergoglio. Nos periódicos italianos já há uma unanimidade entre os vaticanistas contra Bergoglio. Não se trata de uma oposição pela oposição, como diria Marina Silva, mas de uma resistência aos métodos nada santos empregados pelo Papa para mudar aquilo que não pode ser mudado – a doutrina da Igreja.
Blogs que antes tentavam construir um caminho de unidade entre Bergoglio e os papas anteriores desistiram da empreitada. O mais famoso deles, o blog do Pe. Z., até cunhou uma frase de impacto: “lendo Francisco através de Bento (XVI)”. Já faz algum tempo que o Pe. Z. removeu o banner com a frase.
Nos acostumamos com o conceito de “hermenêutica da continuidade” apresentado por Bento XVI e esperávamos que Bergoglio, por mais diferente que pudesse ser de Ratzinger, seguisse por essa via. Não seguiu. Pelo contrário, Francisco se torna cada dia mais um exemplo vivo daquela descontinuidade, da desconstrução das certezas dogmáticas e da “bagunça”, uma verdadeira ruptura agressiva.
O Papa-Sol
n/d
Francisco é, de longe, o pontífice mais absolutista da história. Seus discursos iniciais estavam marcados por um forte apelo à colegialidade, ao modo sinodal de governar a Igreja. Eram discursos verdadeiramente revolucionários, mas que tinham uma base elementar no Vaticano II. Contudo, Francisco tem uma ideia muito peculiar sobre como conciliar o modelo sinodal com a potestade pontifícia: os padres sinodais só têm voz se esta for um eco da própria voz de Bergoglio.
Francisco procurou, através do último Sínodo dos Bispos em Roma, ter a sua agenda de revolução doutrinal endossada pelos padres sinodais. Para isso, de forma muito articulada, colocou o cardeal Kasper para introduzir o tom da discussão – a comunhão aos divorciados em segunda união. Kasper atuou como um verdadeiro boi de piranha, atraindo para si as críticas e mostrando para Francisco quem eram os críticos.
Vários cardeais se levantaram contra o “teorema Kasper”. Artigos em jornais e revistas foram publicados, livros escritos. Cardeais conservadores expressavam seu desprazer com a ideia, amplamente divulgada, que a Igreja modificaria sua doutrina.
Francisco então tentou organizar o Sínodo de forma a neutralizar opositores, dispondo peões como num elaborado jogo de xadrez. Entra em cena o segundo “boi de piranha” do Papa, o cardeal Baldisseri. Como secretário do Sínodo, junto com o arcebispo progressista Bruno Forte, Baldisseri cria um ambiente de completa censura aos dissidentes, ocultando pronunciamentos, manipulando a tribuna e entregando um “relatio” completamente inédito. A revolta dos padres sinodais, sobretudo os da África e Ásia, foi evidente e permitiu que a crise se tornasse pública. Vários jornais falaram numa derrota de Francisco e deram espaço ao questionamento das até então incríveis capacidades gerenciais do papa jesuíta.
No discurso de encerramento do Sínodo, Francisco, o “Papa-Sol”, lembrou a todos os presentes que, neste pontificado, “A Igreja sou eu”. Citou de forma clara o cânone 749 no qual se afirma que o Papa é “Pastor e Doutor supremo de todos os fiéis” e goza “da potestade ordinária, que é suprema, plena, imediata e universal na Igreja” (cf. cânn. 331-334). Para bom entendedor, meia palavra basta, e o recado foi dado!
A Defenestração de Burke
Um líder da oposição dentro do Sínodo, embora rejeite categoricamente este rótulo, o cardeal americano Raymond Burke, então prefeito da Signatura Apostólica, foi a primeira vítima dos ajustes do pós-sínodo.
O tema do sínodo era (é) a família e questões de ordem canônica foram (serão) discutidas. Mas o prefeito da mais alta côrte da Igreja, o chefe do Direito Canônico, só participou do Sínodo “ex-oficio”, ou seja, uma participação automática. O cardeal Burke não foi convidado pessoalmente pelo Papa, nem mesmo ocupou alguma posição de liderança oficial na estrutura do Sínodo, como era de se esperar.
Burke foi nomeado, depois de muita especulação, como Soberano da Ordem Militar de Malta, cargo honorífico e reservado aos cardeais aposentados. Burke, com 66 anos, está bem longe da aposentadoria.
Mas Francisco foi muito inteligente ao fazer o Sínodo para a Família em duas etapas. Burke, a grande figura conservadora, está fora da segunda assembleia do sínodo que se reunirá em outubro de 2015. Com absoluta certeza outros cardeais opositores estarão igualmente fora do embate final. Francisco não esquece, Francisco não perdoa!
Humilhação aos EUA
Com a saída de Burke a Cúria Romana perde o único prelado norte-americano num cargo de chefia. A Igreja dos EUA é poderosa e influente, sempre contando com algum bispo ou cardeal num alto posto da administração eclesial. Com Francisco isso parece não ser o caso.
Basta lembrar que no último consistório para a criação de novos cardeais, Francisco ignorou os EUA completamente. Pela primeira vez em mais de cem anos os EUA estavam fora do consistório.
Francisco também nomeou para Chicago, sede do arcebispo mais influente dos EUA e um nome profundamente ligado a João Paulo II e Bento XVI, Francis George, um prelado de segunda linha, sem expressão nacional, mas afinado com a “misericórdia” de Francisco e um “yes man”.
A elevação de padres e bispos do segundo ou mesmo do terceiro escalão à posições proeminentes parece ser a marca deste pontificado. Começou na Cúria, com a nomeação relâmpago de Stella como substituto de Piacenza e agora se espalha para as dioceses do mundo. Talvez – e aqui é uma teoria pessoal – a elevação prelados medíocres em detrimento de outros mais bem preparados é uma estratégia de longo prazo para que as reformas bergoglianas passem com facilidade até as estruturas mais fundamentais da Igreja – as paróquias e capelas. Foi dessa forma que Bergoglio modelou a Igreja na Argentina, com bispos mal formados e pouco habituados à defesa da doutrina, e está ai o resultado...
O que sabemos, entretanto, é que João Paulo II e Bento XVI deixaram os EUA com bispos muito conservadores e, graças a Deus, jovens. As grandes lideranças dos EUA, na sua maioria, são relativamente jovens – Samuel Aquila (64), William E. Lori (63), José Gomez (62), Thomas Wenski (64), Alexander Sample (54), James Sartain (62), Salvatore J. Cordileone (58) e até mesmo o cardeal Dolan (64), embora este último esteja bem longe de ser um tradicionalista ou mesmo conservador, ele levantou duras objeções durante o Sínodo. Ou seja, será muito difícil para Francisco modificar muito rapidamente a linha conservadora dos EUA. É claro que o “Papa-sol” poderá criar uma infinidade de cargos honoríficos ou despachar uma dezena de “visitas fraternas” aos arcebispos americanos para, de forma arbitrária e humilhante, se livrar deles... afinal “A Igreja é Francisco”.
Do ponto de vista meramente político, negligenciar a Igreja norte-americana é um erro estratégico grave que pode trazer ainda mais problemas ao Papa, ou mesmo a antecipação da sua renúncia.
E o que vem por ai...
É muito difícil e arriscado prever o futuro. Podemos traçar linhas conjecturais, podemos especular somente.
n/d
Esperamos para antes do próximo Sínodo uma reformulação mais acelerada na Cúria. Nomes de influência já se foram, com a remoção de Cañizares do Culto Divino e agora de Burke da Signatura Apostólica. Os únicos prelados “com luz própria” são Müller, da Doutrina da Fé, e Pell das Finanças Vaticanas. Ambos se colocaram como opositores da trinca Kasper-Baldisseri-Francisco no sínodo.
Faço apenas algumas especulações:
Maradiaga, o vice-papa, poderia ser nomeado para algum cargo na Cúria Romana. Francisco precisa de um nome forte em Roma, porém inteiramente devotado ao projeto bergogliano, e na face desta Terra não há ninguém mais fiel ao processo revolucionário de Bergoglio que o cardeal arcebispo de Tegucigalpa Oscar Maradiaga.
Francisco precisa, ainda, lidar com a oposição na própria Itália. Para tanto, a substituição de Caffara (76), arcebispo de Bolonha e um dos autores do livro que criticava as propostas de Kasper, é importantíssima e estratégica. Recentemente Francisco fez algumas alterações na legislação da renúncia dos prelados com mais de 75 anos, obrigando-os a apresentar ao Papa sua demissão. É possível que Galantino, o bispo que não gosta que católicos rezem em clínicas de aborto, suba até o arcebispado de Bolonha.
Posso estar enganado, mas não acredito que Piero Marini será o próximo prefeito do Culto Divino. Seria um problema a mais na já conturbada agenda de Francisco e o ex-cerimoniário e ex-secretário de Annibale Bugnini já conta com 72 anos. É possível que um nome totalmente inesperado e mais jovem, alçado do segundo escalão, assuma a Congregação. Porém será um nome Bugniniano e crítico da missa antiga e do Motu Proprio. Disso não tenho dúvida!
Conclusão
O importante é que todos acordaram para este pontificado. Estão vendo um processo claro de desconstrução da Igreja através das mãos do Papa Francisco. Até mesmo jornais católicos, redes de TV católicas (nos EUA, é claro...) percebem que há algo errado com este pontificado.
O Papa Montini permitiu que seu pontificado fosse sequestrado por progressistas, sendo ele mesmo simpático a muitas, mas não todas, das suas ideias revolucionárias.  Paulo VI pecou pela falta de decisão, por ser o “papa Hamletiano” e por confiar e dar poderes demais aos seus colaboradores. Francisco é justamente o oposto – todas as decisões partem dele, e ele não confia em ninguém além de si mesmo. Francisco não tem colaboradores, tem executores.
Paulo VI foi o papa sem personalidade enquanto Francisco é o papa mais personalista que existe.
Fonte: http://maedasalvacao.blogspot.com.br - enviado por Vitor Lima

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Maçonaria eclesiástica em ação?

 Do Fratres in Unum de hoje:

 

Qual o papel desempenhado pela rede de Saint-Gall?

O antigo primaz da Bélgica e arcebispo emérito de Malinas-Bruxelas, o cardeal Godfried Danneels, estava no balcão central da magnífica fachada da Basílica de São Pedro quando, na noite de 13 de março de 2013, foi apresentado ao mundo o novo papa Francisco. Como ele tinha chegado a este lugar de honra? A questão não é nova, mas já naquele momento histórico ela se apresentava como um enigma. Agora, os historiadores Karim Schelkens e Jürgen Mettepenningen apresentaram uma biografia do cardeal Danneels, na qual eles revelam a participação do cardeal numa rede secreta de bispos e cardeais. Essa rede, chamada de “Grupo Saint-Gall”, tinha estabelecido como objetivo reduzir a influência do cardeal Joseph Ratzinger, então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e impedir sua eleição como Papa. Quando esta tentativa fracassou, tratou-se então de boicotar o pontificado de Bento XVI e, finalmente, obter a eleição do argentino Jorge Mario Bergoglio. O lançamento da obra ocorreu na última terça-feira, na Basílica de Koekelberg, perto de Bruxelas. 
Em 2013, Danneels logo foi chamado de “criador de papas”.
Além do cardeal brasileiro Dom Claudio Hummes, Danneels foi imediatamente citado como um daqueles que tinham incentivado Jorge Mario Bergoglio. O espaço ao lado do novo papa após o Habemus papam era apenas um indício. Outro era a satisfação exuberante com a qual Danneels saudou a eleição do arcebispo argentino.
Ainda mais revelador é o fato de que o antigo primaz da Bélgica, desde então, não deixa de ir e vir ao Vaticano, e que ele tem acesso direto junto ao papa Francisco. Que o antigo arcebispo de Malinas-Bruxelas se entendia mal com Bento XVI, o predecessor de Francisco, isto não era segredo para ninguém. Que o papa Francisco tenha designado precisamente o cardeal Danneels entre os dezesseis convidados pessoais do papa ao sínodo dos bispos sobre a família em 2014, isto era suspeito. A mesma coisa ocorreu em 2015. Em alguns dias, quando o sínodo começar no Vaticano, Danneels estará lá mais uma vez, a convite expresso do papa Francisco. Ele participará das decisões que serão tomadas sobre o matrimônio, a família e a homossexualidade, ainda que seu papel nos escândalos ligados à homossexualidade e à pedofilia no seio da Igreja belga esteja distante de ser claro.
As revelações de Ivereigh sobre o “team Bergoglio”
O que Karim Schelkens e Jürgen Mettepenningen estão apresentando agora já tinha sido relatado, mas sob uma forma atenuada, no fim de novembro de 2014, por Austen Ivereigh, o antigo porta-voz do cardeal Murphy-O’Connor, em sua obra sobre o papa Francisco intitulada “O grande Reformador. Ivereigh escreve que existia um “team Bergoglio” (ndt.: time/equipe Bergoglio) composto de quatro cardeais que tinham organizado uma campanha cujo propósito era a eleição de Bergoglio. Tratava-se dos cardeais alemães Walter Kasper e Karl Lehmann, de Murphy-O’Connor e do cardeal Danneels.
Ivereigh escreve em seu livro: “Eles tinham aprendido a lição em 2005. Em primeiro lugar, eles garantiram a anuência de Bergoglio”. Eles não queriam viver uma segunda vez o que tinha ocorrido em 2005: o argentino, no momento oportuno, tinha se curvado e retirado sua candidatura. “Quando perguntando se ele estava preparado, ele disse que ele acreditava que nestes tempos de crise para a Igreja, nenhum cardeal poderia recusar se o solicitassem”. Murphy-O’Connor teria alertado a Bergoglio a necessidade de ser particularmente prudente, porque “era sua vez”. Bergoglio respondeu: “Capisco”, entendo.
Com o livro de Ivereigh, levantou-se a questão de saber se o “team Bergoglio” tinha agido de modo completamente desinteressado ou se tinha havido alguns acordos eleitorais. Em outras palavras: eles exigiram do cardeal Bergoglio garantias de que ele tomaria certas decisões relativas às pessoas ou conduziria a Igreja num caminho bem definido, por exemplo, sobre a questão da doutrina católica do matrimônio e da moral, que trata o sínodo dos bispos? O cardeal Bergoglio deu as garantias correspondentes? Estas perguntas não encontraram até aqui uma resposta, e permanecem desde então como especulativas.
O informal “team Bergoglio” era, na realidade, o organizadíssimo círculo secreto de “Saint-Gall”
Karim Schelkens e Jürgen Mettepenningen são, em sua biografia de Danneels, ainda mais explícitos que Ivereigh. Eles mencionam não somente quatro cardeais, aqueles que Ivereigh batizou de “Bergoglio Team”, mas toda uma rede de bispos e cardeais que se designam a si mesmos como o “grupo de Saint-Gall”. Em outros palavras: as atividades subversivas de um grupo organizado secretamente no seio da Igreja, a fim de lhe dar uma direção precisa, tinham uma extensão que superava as revelações de Ivereigh. É preciso acrescentar que os dois autores estão longe de serem adversários do cardeal Danneels, muito menos que Ivereigh era adversário do cardeal Murphy-O’Connor. O cardeal Danneels esteve pessoalmente presente durante o lançamento da obra na basílica de Koekelberg, e de boa vontade fez dedicatórias em alguns exemplares.
Schelkens e Mettepenningen trabalham como historiadores da Igreja na Universidade católica de Lovaina (KULeuven). Mettepenningen foi, por um curto espaço de tempo, porta-voz do arcebispo Dom Léonard, ao qual ele virou publicamente as costas após uma divergência de opiniões – ele se expressou a favor da ordenação sacerdotal de mulheres e criticou a decisão do arcebispo de permitir a Fraternidade São Pedro de exercer um apostolado em sua arquidiocese.
A posição pessoal de Schelkens e Mettepenningen confere ao trabalho deles uma credibilidade particular. A iniciativa do grupo criado contra o cardeal Joseph Ratzinger, então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, foi tomada pelo antigo arcebispo de Milão, o jesuíta Carlo Maria Martini, que se designou a si mesmo como “anti-papa”. Martini convocou alguns encontros secretos de bispos e cardeais em Saint-Gall, na Suíça, com o objetivo de  modernizar a Igreja e reconciliá-la com o espírito do tempo, a fim de superar o “atraso” gerado, segundo Martini, por sua recusa da Revolução francesa.
Kalr Lehmann e Walter Kasper presentes desde o início
O primeiro encontro teria ocorrido em 1996. Na época, o bispo de Saint-Gall era Ivo Fürer. Esses encontros eram, no máximo, vagamente conhecidos por um pequeno número de especialistas. Havia rumores, mas ninguém podia relatar nada de concreto; isto porque a ideia da existência de um grupo subversivo anti-romano no seio da Igreja poderia ser deixada de lado como uma “teoria conspiratória”. Em 1999, o cardeal Danneels se une ao grupo, que já contava entre seus membros com os cardeais Walter Kasper e Karl Lehmann, da Alemanha, o cardeal Basil Hume da Grã-Bretanha, o cardeal Achille Silvestrii, da Itália, e o bispo neerlandês Adriaan Van Luyn. Os membros do círculo secreto disfarçavam seus encontros como “férias espirituais”. A associação secreta lhes permitia se apoiarem mutuamente num tempo que eles sentiam como “sombrio”.
O cardeal Ruini investiga por causa de rumores sobre uma associação secreta
Os rumores sobre a existência de uma associação secreta chegaram até o Vaticano, que despachou o cardeal Camilo Ruini, presidente da Conferência episcopal italiana e cardeal vigário de Roma, um dos fiéis mais próximos do papa João Paulo II e do papa Bento XVI, para conduzir uma investigação. Mas o círculo dos iniciados soube esconder tão bem suas atividades que Ruini voltou sem resultados concretos. Ao mesmo tempo, contam Schelkens e Mettepenningen, o grupo Saint-Gall tinha começado a empreender ações para alterar a direção do Vaticano. A questão central para o grupo era a seguinte: quem será o sucessor de João Paulo II? O objetivo definido do círculo secreto era impedir a eleição como papa de Joseph Ratzinger. Com a ajuda de Martini, o cardeal Bergoglio foi lançado, em 2005, como “challenger” (ndt.: adversário) do cardeal alemão. Até o último minuto, o cardeal Martini teve esperança de que ainda que os votos para seu confrade jesuíta Bergoglio não permitissem a eleição do arcebispo argentino, eles seriam suficientes, pelo menos, para bloquear a eleição de Ratzinger.
No conclave de 2005, o cardeal Ratzinger se revelou tão forte que as tentativas do grupo Saint-Gall para impedir sua eleição fracassaram.
Boicotar e minar o pontificado de Bento XVI
Os dois autores relatam que os membros do grupo Saint-Gall buscaram expressamente dificultar o pontificado de Bento XVI e obscurecer sua mensagem endereçada à Igreja e ao mundo. Schelkens e Mettepenningen não dizem nada sobre a natureza ou a existência de uma eventual relação entre as atividades do grupo Saint-Gall e a renúncia inesperada do papa alemão que, subitamente, os aproximou do objetivo: acabar com a era dos pontificados polonês e alemão.
O jesuíta Silvano Fausti, falecido recentemente, declarava em sua última entrevista que, em 2 de junho de 2012, o cardeal Martini tinha exigido categoricamente de Bento XVI que ele se retirasse. Oito meses mais tarde, o papa alemão apresentava sua renúncia, para surpresa geral.
Em todo caso, os historiadores escrevem outra coisa: “A eleição de Bergoglio foi, sem dúvida alguma, preparada em Saint-Gall. E as grandes linhas se seu programa são aquelas que Danneels e seus colegas têm discutido faz mais de 10 anos”.
As nuvens negras acima do pontificado do papa Francisco, do afastamento completamente inaudito de Bento XVI e da eleição do cardeal argentino não se dissipam; elas parecem crescer à medida que esse pontificado avança.

terça-feira, 28 de julho de 2015

A Igreja e o casamento gay

Do Fratres In Unum de hoje:

Cardeal John Onaiyekan da Nigéria: posição da Igreja Católica sobre “casamento gay” é irreversível.

Por Premium Times | Tradução: FratresInUnum.com – Dom John Onaiyekan, arcebispo de Abuja [elevado ao cardinalato em 2012 por Bento XVI], afirmou neste domingo que a posição da Igreja na Nigéria contra o casamento gay é irrevogável.
Cardeal John Onaiyekan.
Cardeal John Onaiyekan.
O Cardeal Onaiyekan reiterou a posição da Igreja em uma conversa que a Agência de Notícias da Nigéria em Makurdi, em uma visita oficial àquela diocese.
Segundo ele, a Igreja Católica continuará a defender sua posição contra o casamento gay.
Ele lamentou que muitas pessoas por todo o mundo estejam aceitando o homossexualismo como norma, porém, insistiu que ele nunca poderá se tornar regra somente pelo fato de ser aceito por alguns.
“Lamentavelmente, estamos vivendo em um mundo onde essas coisas agora se tornaram totalmente aceitáveis, mas pelo fato de serem aceitas não significam que sejam certas”.
“A Igreja Católica se considera portadora da bandeira da verdade em um mundo que se permitiu ser tão gravemente enganado”, disse.
Ele declarou que a Igreja Católica era um dos poucos grupos religiosos por todo o mundo que mantiveram sua consistência contra a orientação sexual.
O clérigo descreveu a homossexualidade como contrária à vontade de Deus.
“Mesmo que as pessoas não gostem de nós por isso, nossa Igreja sempre afirmou que a homossexualidade é contrária à natureza e que o casamento existe entre um homem e uma mulher.
“Não há esse tipo de coisa como o casamento entre dois homens ou duas mulheres, o que quer que eles façam entre si não deveria ser chamado de casamento.
“Não há a mínima possibilidade da Igreja Católica mudar sua posição a este respeito”, afirmou.