Powered By Blogger
Mostrando postagens com marcador Salvação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Salvação. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

O Papa e Lutero

O simbólico gesto do Papa Francisco comemorando o heresiarca Lutero


12.02.2016 -
n/d
Lutero queima a bula de sua excomunhão.
Como pode um católico participar ativamente das comemorações da revolta de Lutero contra a Igreja e o papado, sem dar a impressão aos demais católicos e não-católicos de que ele admira os atos e as doutrinas do pérfido heresiarca?
Muitas vezes os atos e gestos simbólicos têm maior força de persuasão do que as palavras e os raciocínios, embora ambos se completem. Foi assim que o Divino Salvador continuamente alternava sua pregação com gestos simbólicos e o uso de metáforas e parábolas.
Também por essa razão a Igreja sempre se cercou de símbolos para tornar mais perceptíveis a beleza de sua doutrina, a sacralidade de sua liturgia, a dignidade e a autoridade dos seus hierarcas. O papa era coroado solenemente para simbolizar o poder conferido a ele por Nosso Senhor, como sucessor de São Pedro, no governo da Igreja e orientação da Cristandade.
Magistério por atos simbólicos
O atual Sumo Pontífice usa muito de gestos simbólicos e tem um magistério mais feito de atos e atitudes do que propriamente de palavras, embora ele as use e, infelizmente com frequência, de modo confuso e mesmo escandaloso como o famoso “quem sou eu para julgar?”
Na linha de seu magistério por atos e gestos, é de suma gravidade sua anunciada participação nas comemorações da revolta do monge apóstata e heresiarca Martinho Lutero.
Como informou o Vatican Informative Service de 25 de Janeiro último, Francisco irá este ano à cidade de Lund, na Suécia, onde, juntamente com dirigentes luteranos “presidirá a uma comemoração conjunta da Reforma em 31 de Outubro.”[1] Como se recorda, foi nessa data que, em 1517, Lutero teria afixado na porta da igreja do castelo de Wittenberg as suas 95 teses.[2]
A comemoração de um fato histórico não é uma simples lembrança do mesmo, como poderia ocorrer numa aula de história. É uma rememoração festiva e com louvor de algo que se julga digno de admiração, imitação ou mesmo de devoção. É assim que em 2017 o orbe católico comemorará o centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima.
Como pode o Papa Francisco participar ativamente das comemorações da revolta de Lutero contra a Igreja e o papado, sem dar a impressão a católicos e não-católicos de que ele admira os atos e as doutrinas do heresiarca?
n/dn/d
Condenação solene dos erros de Lutero.
Convém lembrar que o Papa Leão X, com a Bula Exsurge Domine de junho de 1520, condenou solenemente 41 dos erros defendidos por Lutero em 1517:
“Pela autoridade do Deus Todo-Poderoso, dos santos apóstolos Pedro e Paulo, e de nossa própria autoridade, nós condenamos, reprovamos, e rejeitamos completamente cada uma dessas teses ou erros como heréticos, escandalosos, falsos, ofensivos aos ouvidos piedosos ou sedutores das mentes simples, e contra a verdade católica. Listando-os, nós decretamos e declaramos que todos os fiéis de ambos os sexos devem considerá-los como condenados, reprovados e rejeitados… Nós os proibimos a todos em nome da santa obediência e sob as penas de uma automática excomunhão…”
Do mesmo modo, o papa condenava os outros escritos de Lutero:
“Ainda mais, por causa dos precedentes erros e de muitos outros contidos nos livros ou escritos e sermões de Martinho Lutero, nós do mesmo modo condenamos, reprovamos e rejeitamos completamente os livros e todos os escritos e sermões do citado Martinho, seja em Latim seja em qualquer outra língua , que contenham os referidos erros ou qualquer um deles; e desejamos que sejam considerados totalmente condenados, reprovados e rejeitados. Proibimos a todos e a qualquer um dos fiéis de ambos os sexos, em nome da santa obediência e sob as penas acima em que incorrerão automaticamente, de ler, sustentar, pregar, louvar, imprimir, publicar ou defendê-los.”[3]
Furor contra o Papado
A resposta do heresiarca, em seu estilo arrogante e vulgar, foi o panfleto de 4 de Novembro desse mesmo ano, Contra a Execrável Bula do Anticristo, no qual proclamava:
“Tu, então, Leão X, e vós cardeais e o resto de vós em Roma, eu lhes digo em vossa face ….  a renunciar à vossa blasfêmia diabólica e impiedade audaciosa, e, se não mudardes, teremos vosso lugar como possuído e oprimido por Satanás e como o maldito assento do Anticristo.“
O furor de Lutero contra o papado levou-o a incorrer sempre mais na vulgaridade,  chegando a usar termos e a encomendar e promover gravuras inimagináveis.
Com um pedido de desculpas ao leitor, transcrevemos aqui uma amostra. Trata-se da apreciação feita por um historiador protestante do libelo de Lutero Contra o Papado em Roma, fundada pelo diabo, publicado na revista Concordia Theological Quarterly da Igreja Luterana do Sínodo de Missouri:
“Lutero superou até mesmo a violência e vulgaridade da Contra Hanswurst [na qual atacava o duque católico Henrique de Brunswick] em seu libelo de 1545 intitulado Contra o Papado em Roma, fundado pelo diabo. Na esteira desses tratados, publicou uma série de xilogravuras escatológicas e violentas que, de um modo gráfico, sugeria como os bons cristãos deviam tratar o papado. Nesses e em outros tratados, Lutero bestializava seus oponentes, com maior frequência comparando-os com suínos ou burros, ou chamando-os de mentirosos, assassinos, e hipócritas. Eles eram todos os asseclas do demônio. … [chamou o Papa Paulo III, 1534-1549] ‘Sua Sodomita Infernal’ Papa Paula III, e utilizou palavras como excremento por toda parte com toda naturalidade. Nas xilogravuras por Lucas Cranach que Lutero encomendou no final de sua vida, eram apresentadas a Igreja papista como saindo do ânus de uma enorme diaba e sugeria, mais uma vez que o Papa, os cardeais e bispos deviam ser pendurados na forca com suas línguas de fora.” [4]
O mesmo artigo informa:
“Quando perguntado por que havia publicado as caricaturas, Lutero respondeu que percebeu que não tinha muito tempo de vida e que ele ainda tinha muito que deveria ser revelado sobre o papado e seu reino. Por esta razão, ele havia publicado as fotos, cada uma valendo por um livro, do que deveria ser escrito sobre o papado. Era, ele afirmou, seu testamento.”[5]
Em 1529 proclamava Lutero:
“Sob o papismo nós estávamos possuidos por cem mil diabos.”[6]
Uma das mais suaves críticas de Lutero ao Papa é este seu comentário nas Conversas à mesa:
“Anticristo é o papa e o Turco [o Grão-Turco] em conjunto; uma besta cheia de vida deve ter um corpo e alma; o espírito ou alma do anticristo é o papa, sua carne ou o corpo, o Turco. O segundo assalta e persegue a igreja de Deus corporalmente; o primeiro espiritual e corporalmente também, com suspensão, fogueiras, assassinatos, etc.”[7]
Doutrina da falsa misericórdia
A essência da doutrina de Lutero é a justificação somente pela fé. Mas a consequência dessa doutrina é um falso conceito da misericórdia de Deus. O Frei Serafino Lanzetta, analisando o livro do Cardeal Walter Kasper, Misericórdia: A Essência do Evangelho e a chave da vida cristã, escreve:
“Historicamente, segundo julga Kasper, apoiado por O. H. Pesch, ‘a idéia de um Deus vingativo e castigador lançou muitos na angústia em relação à sua salvação eterna. O caso mais conhecido, e um prenúncio de graves conseqüências para a História, é o do jovem Martin Lutero, que foi durante muito tempo atormentado pela pergunta: ‘Como posso encontrar um Deus bondoso?’, até que ele reconheceu um dia que, no sentido da Bíblia, a justiça de Deus não é a sua justiça punitiva, mas a sua justiça justificadora e, portanto, sua Misericórdia. ‘”[8]
Essa doutrina está bem sintetizada na famosa carta de 1521 de Lutero a Melanchthon:
“Se você é um pregador da misericórdia, não pregue uma misericórdia imaginária mas a verdadeira. Se a misericórdia é verdadeira, você deve levar em conta um verdadeiro pecado, não um pecado imaginário. Deus não salva aqueles que são apenas pecadores imaginário. Seja um pecador, e peca fortemente, mas que sua confiança em Cristo seja mais forte, e se alegre em Cristo, que é o vencedor do pecado, da morte e do mundo. … Basta que através da glória de Deus reconheçamos o Cordeiro que tira o pecado do mundo. Nenhum pecado pode nos separar d’Ele, mesmo que matemos e cometamos adultério milhares de vezes por dia. Você acha que tal Cordeiro exaltado pagou apenas um pequeno preço com um magro sacrifício pelos nossos pecados? Reze forte porque você é um grande pecador.
No dia da Festa de São Pedro Apóstolo, 1521” [9]
Em outro lugar escreveu Lutero:
“É conveniente que nós nos tornemos injustos e pecadores, a fim que Deus seja reconhecido justo em suas palavras.”[10]
Alguns escritores, mesmo católicos, procuram apresentar essas palavras de Lutero como meras hiperbóles, uma vez que ele também fala contra o pecado. No entanto, essa doutrina do pecca fortiter,  é a consequência da “iluminação” que ele recebeu na cloaca do convento, ou seja, de que é somente a fé, sem as obras, a “sola fide” que salva.[11]
Já em 1516, portanto antes de sua revolta pública, Lutero escrevia ao seu confrade agostiniano George Spenlein:
“Sede um real pecador porque Cristo habita apenas nos pecadores.”[12]
Lutero deixa claro, no seu panfleto A Igreja no Cativeiro da Babilônia, que o único pecado pelo qual uma pessoa pode se perder é o da incredulidade. Crendo, uma pessoa, por maior pecador que seja, estará salva:
“Veja o quão rico é, portanto, um cristão, aquele que é batizado! Mesmo que ele queira, ele não poderá se perder, por mais que peque, a menos que ele deixe de crer. Porque nenhum pecado pode condená-lo fora a incredulidade. Todos os outros pecados, enquanto a fé na promessa de Deus feita no batismo retorne ou permaneça, todos os outros pecados, digo eu, são imediatamente apagados por essa mesma fé, ou melhor, através da verdade de Deus, porque Ele não pode negar a si mesmo.”[13]
Em um sermão de 1532 Lutero pregava:
“Tirando a incredulidade, não há mais pecados: todo o resto são bagatelas. Quando meu pequeno Joãozinho vai defecar em um canto, a gente ri e acabou-se. Fides facit ut stercus non feteat [A fé faz com que as fezes não cheirem]. Resumo dos resumos: a incredulidade é o único pecado em relação ao Filho [de Deus].”[14]
Lutero: a Missa católica, pior que um prostíbulo.
n/d
Pregava Lutero em 1524:
“Sim, eu o digo, todos os prostíbulos, que no entanto Deus condenou severamente, todos os homicidios, mortes, roubos e adultérios, são menos prejudiciais do que a abominação da Missa papista.”[15]
No já citado panfleto O Cativeiro da Igreja na Babilônia, Lutero dizia que o padre “oferecendo a missa como um sacrifício …. é o auge da perversidade!”[16]
O Espirito de Verdade não induz ao erro.
As citações poderiam continuar, mas os textos apresentados são suficientes para deixar claro que as doutrinas, bem como a personalidade do heresiarca, cuja revolta arrastou nações inteiras para fora do único redil de Cristo, nada têm de comum com a Igreja Católica.
Não se entende então porque o atual Papa, ele mesmo um Jesuíta, Ordem religiosa suscitada por Deus para combater o Protestantismo, empreenda uma viagem para comemorar o centenário de uma revolta contra a Igreja.
n/d
A missão dada a São Pedro foi a de alimentar as ovelhas de Cristo;[17] o encargo de confirmar os irmãos na fé[18]; ele recebeu as chaves do reino dos Céus[19] para conduzir as almas para à bem-aventurança eterna.
O Concílio Vaticano I deixou claro que “o Espírito Santo foi prometido aos sucessores de Pedro não para que eles possam, por sua revelação, dar a conhecer algumas novas doutrinas, mas que, pela sua assistência, eles possam guardar religiosamente e expor fielmente a revelação ou depósito da fé transmitida pelos apóstolos.” [20]
(Sacerdotisa Luterana celebrando a ceia protestante de Lutero)
n/d
Com efeito, o Espírito Santo é um “Espírito de Verdade”[21] e não pode inspirar o erro, seja por meio de palavras, atos, gestos ou atitudes.
“Um sinistro supermercado de religiões”
Em situação semelhante, na comemoração do quinto centenário do nascimento do monge apóstata, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, que dedicou sua vida à defesa da Igreja e do Papado, escreveu estas palavras de advertência:
“Não compreendo como homens da Igreja, contemporâneos, inclusive dos mais cultos, doutos ou ilustres, mitifiquem a figura de Lutero, o heresiarca, no empenho de favorecer uma aproximação ecumênica, de imediato com o protestantismo, e indiretamente com todas as religiões, escolas filosóficas, etc.
n/d
E concluiu:
“Não discernem eles o perigo que a todos nos espreita, no fim deste caminho, ou seja, a formação, em escala mundial, de um sinistro supermercado de religiões, filosofias e sistemas de todas as ordens, em que a verdade e o erro se apresentarão fracionados, misturados e postos em balbúrdia? Ausente do mundo só estaria – se até lá se pudesse chegar – a verdade total; isto é, a fé católica apostólica romana, sem nódoa nem jaça.”[22]
A Igreja vencerá mais esta crise.
No seu luminoso ensaio Revolução e Contra-Revolução, o mesmo pensador católico escrevia estas palavras cheias de esperança sobre a Igreja:
“Alios ego vidi ventos; alias prospexi animo procellas, poderia ela dizer ufana e tranqüila em meio às tormentas por que passa hoje. A Igreja já lutou em outras terras, com adversários oriundos de outras gentes, e por certo enfrentará ainda, até o fim dos tempos, problemas e inimigos bem diversos dos de hoje.”[23]
Aproximando-se o centenário das aparições de Nossa Senhora em Fátima, peçamos a Ela que apresse o cumprimento da promessa feita nessa ocasião:
“Por fim o meu Imaculado Coração triunfará.”
Notas:
[1] http://www.news.va/en/news/joint-ecumenical-commemoration-of-the-reformation (Salvo indicação em contrário, todas as ênfases nos textos aqui citados são do autor deste artigo).
[2] O historiador Pe. Ricardo Garcia-Villoslada, S.J., em seu livro sobre Lutero, apresenta argumentos e documentação muito convincentes de que este ato não se deu. Nem Lutero o menciona em seus escritos, nem tal fato é registrado por cronistas contemporâneos. Foi somente depois de sua morte que Melanchthon, que não estava em Wittenberg nessa época, mencionou o suposto ato. Caso ele se tivesse dado, posto que se tratava da véspera de Todos os Santos, uma festa muito concorrida na igreja do Castelo de Wittenberg, ele teria chamado muito a atenção e seria referido nas crônicas. (Ricardo Garcia-Villoslada, Lutero El Frayle Hambriento de Dios, BAC, Madrid, 1973, v. 1, pp.334-338).  Mas o que importa é que, real ou não, esse fato ficou como símbolo da revolta luterana.
[3] Leão X, EXSURGE DOMINE, 15.06.1520, Tradução: José Fernandes Vidal, at http://agnusdei.50webs.com/exsdom1.htm, acessado em 2/2/16.
[4] Mark U. Edwards, Jr., Luther’s Last Battles, CONCORDIA THEOLOGICAL
QUARTERLY, Volume 48, Numbers 2 & 3 APRIL-JULY 1984, pp. 126-127 (emphasis original), http://www.ctsfw.net/media/pdfs/edwardslutherslastbattles.pdf, acessado em 29/1/16.
[5] Idem, p. 133.
[6] Werke, t. XXVIII, p. 452, 11, apud J. Paquier, Luther, Dictionnaire de Théologie Catholique, v. IX, premire partie, col.1170.
[7] THE TABLE-TALK OF MARTIN LUTHER ,TRANSLATED BY WILLIAM HAZLITT, Esq.
Philadelphia: The Lutheran Publication Society. 1997, at http://reformed.org/master/index.html?mainframe=/documents/Table_talk/table_talk.html, (acessado 27/1/16).
[8] Fr Serafino M. Lanzetta, Kasper’s Perplexing Notion of “Mercy” Is Not What Church Has Always Taught – an extensive book review, and its implications for Marriage, at  http://rorate-caeli.blogspot.com/2014/09/kaspers-perplexing-notion-of-mercy-is.html, acessado 1/2/126.
[9] Let Your Sins Be Strong: A Letter From Luther to Melanchthon, Letter no. 99, 1 August 1521, From the Wartburg  (Segment) Translated by Erika Bullmann Flores from: _Dr. Martin Luther’s Saemmtliche  Schriften Dr, Johannes Georg Walch, Ed. (St. Louis: Concordia Publishing House, N.D.),  Vol. 15,cols. 2585-2590. http://www.iclnet.org/pub/resources/text/wittenberg/luther/letsinsbe.txt (acessado 27/1//16).
[10] Werke, t. IV, p. 343, 22, apud J. Paquier, Luther, Dictionnaire de Théologie Catholique, v. IX, premire partie, col. 1212.
[11] Em 1532 Lutero fazia a seus convivas a seguinte confidência, recolhida nas Conversas à mesa: “O Espírito Santo me deu essa intuição nesta cloaca” (T.R., t. II, n. 1681, t. III, n. 3232ª, in Paquier, col. 1207).
[12] Enders, Luthers Briefwechsel, I, p. 29, in Hartmann Grisar, S.J., Martim Luther his Life and Work, The Newman Press, Wstminster, Maryland, 1960, p. 68.
[13] Martin Luther, The Babylonian Captivity of the Church – A prelude 1520, 3.8, at http://www.lutherdansk.dk/Web-babylonian%20Captivitate/Martin%20Luther.htm (acessado 281//16).
[14] Werke, t. XXXVI, p. 183, 7, in Paquier, col. 1249.
[15] Werke, t. XV, p. 774, 18, apud J. Paquier, col. 1170.
[16] The Babylonian Captivity of the Church, n.7.11, http://www.lutherdansk.dk/Web-babylonian%20Captivitate/Martin%20Luther.htm.
[17] João 21:15-17.
[18] Lucas 22:32.
[19] Mateus 16:19.
[20] Denzinger 1836.
[21] João 14:21.
[22] Lutero pensa que é divino!, 10 de janeiro de 1984 , Folha de S. Paulo, at http://www.pliniocorreadeoliveira.info/FSP_84-01-10_Lutero_pensa.htm#.VrE9ilkwCZM, acessado 2/2//16.
[23] Revolução e Contra-Revolução, II, 12, at http://www.pliniocorreadeoliveira.info/RCR.pdf. acessado 3/2/16.
Fonte: http://ipco.org.br
============================
Nota de www.rainhamaria.com.br
Lembrando as sábias palavras do Arcebispo Marcel Lefebvre:
"Para que o Papa represente a Igreja e seja dela a imagem, é preciso que esteja unido a ela tanto no espaço como no tempo já que a Igreja é uma Tradição viva na sua essência. Na medida em que o Papa se afastar dessa Tradição estará se tornando cismático, terá rompido com a Igreja. Teólogos como São Belarmino, Caetano, o cardeal Journet e muitos outros estudaram essa eventualidade. Não se trata, pois, de uma coisa inconcebível. A Igreja aceitaria doravante não ser mais a única religião verdadeira, a única via para a salvação eterna. Ela reconheceria como religiões-irmãs as outras religiões. Reconheceria como um direito concedido pela natureza da pessoa humana que esta pessoa é livre de escolher sua religião e que, portanto, a existência de um Estado católico seria inadmissível. Se admitirmos este novo princípio, temos que mudar toda a doutrina da Igreja, seu culto, seu sacerdócio, suas instituições. Pois tudo, até então, na Igreja, manifestava que Ela era a única a possuir a Verdade, o Caminho e a Vida em Nosso Senhor Jesus Cristo que ela, a Igreja, é a única a deter em pessoa, na Santa Eucaristia, onde, Ele está presente, graças à continuação de seu Sacrifício. Logo é uma inversão total da Tradição e do ensino da Igreja que está se operando, depois do Concílio e pelo Concílio. Como poderíamos nós, por obediência servil e cega, fazer o jogo desses cismáticos que nos pedem colaboração para seus empreendimentos de destruição da Igreja? Eis porque estamos prontos e submissos para aceitar tudo o que for conforme à nossa fé católica, tal como foi ensinada durante dois mil anos mas recusamos tudo o que lhe é contrário. Eu acredito sinceramente que estamos tratando com uma falsificação da Igreja, e não com a Igreja católica. Por quê? Porque eles não ensinam mais a fé católica. Eles não defendem mais a fé católica. E não somente eles não ensinam mais a fé católica e não defendem mais a fé católica, mas eles ensinam outra coisa, eles arrastam a Igreja para algo diferente da Igreja católica. Esta não é mais a Igreja católica. Se acontecesse do papa não fosse mais o servo da verdade, ele não seria mais papa. Não poderíamos seguir alguém que nos arrastasse ao erro. Isto é evidente. Não sou eu quem julga o Santo Padre, é a Tradição.
Declarou o Papa São Félix III: "Não se opor a um erro é aprová-lo. Não defender a verdade é suprimi-la".
Declarou São Tomás: “Surgindo perigo iminente pára a Fé, os Prelados devem ser questionados, mesmo publicamente, pelos seus súditos. Assim, São Paulo, que estava sujeito a São Pedro, questionou-o publicamente pelo iminente perigo de escândalo em matéria de Fé. E, tal como Santo Agostinho o interpreta na sua Glosa (Ad Galatas 2, 14), ‘São Pedro deu o exemplo a todos os que governam para que, ao desviarem-se do caminho reto, não rejeitem a correção como inútil, ainda que venha de súditos’” (Summa Theologiae,Turin/Rome: Marietti, 1948, II-II, q.33, a.4).

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Cuidado se você não sofre tentações !!

| Categoria: Espiritualidade

Cuidado se você não sofre tentações!

São melhores as amarguras e as provações da batalha, que preparam o Céu, à paz e à tranquilidade deste mundo, que pavimentam a estrada para o inferno.

Uma famosa oração, atribuída a Santo Agostinho, e rezada por quem se prepara para a Santa Escravidão a Nossa Senhora, possui uma frase digna de profunda meditação: “Ó Jesus, anátema seja quem não Vos ama. Aquele que não Vos ama seja repleto de amarguras.”
Mas, desde quando os santos rezam a Deus pedindo que as pessoas fiquem amarguradas?
Qual é, afinal, o sentido dessas palavras de Agostinho, aparentemente tão severas?
O desejo desse doutor da Igreja é bem simples: que os homens amem a Deus!
E ninguém pense que se trata de uma petição qualquer. As palavras de Agostinho – que não fazem mais que ecoar as do próprio Cristo no Pai Nosso – são a coisa mais importante e valiosa que se pode pronunciar em favor daqueles que se ama. Pois, que bem maior podemos dar aos que amamos, senão Deus mesmo, o único que pode trazer felicidade ao nosso coração? Nenhum bem deste mundo pode saciar a nossa alma e, ainda que pudesse, a morte o levaria embora e o tiraria de nossas mãos... Deus, ao contrário, não só alegra os Seus nesta vida, como lhes reserva uma eternidade ao Seu lado.
A condição para gozar dessa bem-aventurança eterna é uma só: amar a Deus. Por isso, diz São Paulo: "Para aqueles que O amam, Deus preparou coisas que nenhum olho viu, nem ouvido ouviu e nem coração jamais pressentiu" (1 Cor 2, 9).
São muitas, todavia, as coisas que nos afastam dessa divina recompensa, e uma delas são as falsas alegrias do mundo, que substituem o lugar de Deus e nos fazem esquecer d'Ele.
É por isso que, no decorrer de nossa vida, somos assaltados por tantas dificuldades, tristezas, perdas e acidentes – aquilo que as pessoas comumente chamam de "desgraças", embora a única verdadeira desgraça nesta e na outra vida seja estar afastado de Deus. Todas essas coisas, se vivemos na graça da amizade com Cristo, não devem nos preocupar, já que "tudo concorre para o bem dos que O amam" (Rm 8, 28). Mas, se, ao contrário, vivemos na desgraça do pecado, sem desejo de nos emendarmos e mudarmos de vida, tudo o que nos acontece serve-nos como castigo.
Não nos impressionemos! Embora isso não se ouça mais dos púlpitos de nossas igrejas e certos pregadores cheguem a dizer o contrário, é verdade que Deus castiga. Às vezes, Ele permite que os males desta vida nos visitem, não por ódio ou maldade, mas justamente porque Ele nos ama e quer a nossa salvação! Afinal, qual é o pai que, vendo o seu filho afastar-se e correr velozmente em direção ao abismo, não prefere que ele se acidente, a vê-lo precipitar-se no fosso? Qual é o pai que, vendo o seu filho destruir-se no mundo das drogas, não procura intervir de alguma forma, mesmo que o remédio às vezes lhe doa?
É por isso que Santo Agostinho reza pedindo: "Aquele que não Vos ama seja repleto de amarguras."
Sim, Senhor, que sejamos repletos de amarguras, enquanto não Vos amarmos por inteiro! Que sejamos repletos de angústias e tristezas, só para que procuremos a única e verdadeira alegria de nossa alma, que sois Vós! Que percamos o que for preciso, só para ganhar a única e verdadeira riqueza, que sois Vós! Que morramos para este mundo e percamos a própria saúde, só para ganhar a única e verdadeira vida, que sois Vós!
E assim, em coro, unamo-nos a Santo Agostinho e a todos os santos de Deus, em ação de graças pelas cruzes e sofrimentos que nos visitam e nos convidam à conversão. Alegremo-nos verdadeiramente com as santas amarguras que o Senhor nos manda, porque também elas são um sinal do Seu grande amor por nós.
Ao contrário, comecemos a preocupar-nos quando, mesmo em nossa infidelidade e impenitência, tudo estiver aparentemente tranquilo e estivermos levando uma vida pacífica e confortável, sem as provações de Deus – nem as tentações do demônio [*]. É o terrível sinal de que já fomos comprados pelo mal e que, por isso, nem mesmo o diabo precisa nos tentar mais.
"Cuidado se você não sofre tentações!", advertia o Santo Cura de Ars. "Talvez você ache que as pessoas que são mais tentadas, são indubitavelmente, os beberrões, os provocadores de escândalos, as pessoas imodestas e sem vergonha que deitam e rolam na sujeira e na miséria do pecado mortal, que se enveredam por toda espécie de maus caminhos. Não, meu caro irmão! Não são essas pessoas!"
"As pessoas mais tentadas – continua São João Maria Vianney – são aquelas que estão prontas, com a graça de Deus, a sacrificar tudo pela salvação de suas pobres almas, que renunciam a todas as coisas que a maioria das pessoas buscam ansiosamente. E não é um demônio só que as tenta, mas milhões de demônios procuram armar-lhes ciladas."
Prefiramos, pois, as amarguras e tentações da batalha, que preparam o Céu, à paz e à tranquilidade deste mundo, pois são elas que pavimentam a estrada para o inferno.
Por Equipe Christo Nihil Praeponere

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

O Sínodo, o pecado, e o ser ou não ser católico

Impressões sobre o Sínodo (II): Ser ou não ser, eis a questão.

Existe pecado, e pecado mortal? Ser ou não ser católico de verdade – eis toda a questão!
Por Pe. Romano | FratresInUnum.com
O debate suscitado na Igreja e na mídia, a respeito da Comunhão aos casais em segunda união, depois de um casamento contraído validamente por um ou pelos dois “cônjuges”, deixa de lado uma questão fundamental: existe pecado, e pecado mortal? E, mais ainda: quem se encontra objetivamente numa situação de pecado, pode salvar-se?
Nuvens sobre o Vaticano.
Uma das terríveis lacunas deixadas pelo Relatório final do recém concluído Sínodo sobre a Família, em particular nos polêmicos e ambíguos nn. 84-86, é a total ausência de referência ao pecado no qual vivem as pessoas que se encontram em uma união adúltera.
Sim, adúltera.
Por mais que se possa apelar ao sofrimento em que se encontram tais pessoas, e por mais graves que tenham sido as razões que levaram à separação de um casamento anterior válido, o fato é que essas pessoas estão vivendo numa situação de pecado e em perigo de se perderem eternamente!
A primeira atitude da Igreja, ao acolher essas pessoas – uma atitude de verdadeira misericórdia! – é de ajudá-las a se confrontarem com a verdade divinamente revelada, sobre a unidade e indissolubilidade do matrimônio, e a buscarem o único caminho possível: o da conversão e da mudança de vida. Caminho este que poderá ser árduo e longo, mas que não pode ficar pela metade. Seria um gravíssimo erro, tanto para essas pessoas como para todos os demais fiéis, propor soluções pastorais de “integração” que, inevitavelmente, levariam à acomodação artificial a uma situação objetivamente grave, que teria consequências fatais, isto é, em breves palavras, a condenação eterna ao inferno.
Mas, que consciência têm nossos pastores dessas verdades fundamentais? A perda da consciência do pecado é, certamente, o maior drama da nossa época. E se aqueles que são chamados a pregar o Evangelho a todas as gentes, e a anunciar que, sem conversão, não há salvação, omitem-se em anunciar tais verdades, estamos diante de uma situação catastrófica! De fato, o discurso atual, dentro da Igreja, e que se refletiu sobre o Sínodo, é o de quase absoluto silêncio sobre as verdades últimas da nossa existência – os novíssimos -: morte, juízo, inferno e paraíso, e sobre o pecado, que condiciona a nossa salvação. Verdades basilares da nossa Santa Religião, e que devem determinar a nossa vida sobre esta terra, porque, como diz Nosso Senhor, “que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, se vem a perder a sua alma?” (Cf. Mc 8, 36)
Estamos, portanto, no coração da crise da Igreja, que é uma crise de fé. Fé na Redenção, cuja visão parece – ao menos no discurso e na prática pastoral – distanciar-se sempre mais da sua intrínseca conexão com o pecado, que é a causa de todos os males, temporais e eternos, do homem. Cristo se torna o amigo, o companheiro de caminhada dos homens, o defensor das causas mais nobres da humanidade, e não o Salvador, o Redentor que vem para tirar o pecado do mundo, para reconciliar o ser humano com Deus, livrando-o do pecado. Não é, pois, de se admirar que a abordagem do Relatório seja toda ela de cunho sociológico e antropológico. Palavras como integração, acolhida, avaliação da situação concreta, quando dissociadas, ainda que indiretamente, da verdade integral da Revelação, reduzem a mensagem evangélica a uma mera filantropia e a uma misericórdia que quer quase que justificar o pecado a todo custo.
Certamente, não há nada de novo no que acabo de dizer: afinal, este é o discurso que, há muito, ecoa a partir dos púlpitos e cátedras, e de inúmeros simpósios e congressos. Contudo, parece que entramos numa nova fase, na qual aqueles que receberam autoridade máxima para ensinar a verdade e dissipar as trevas do erro, também se dobram a essa linguagem humanística e relativista. Pastores que foram constituídos como tais para conduzir as ovelhas a Cristo emanam um perfume sedutor de ovelhas, mas, na verdade – conscientemente ou não -, tornam-se lobos vorazes, que abrem as portas do abismo para um rebanho que não consegue mais distinguir o bem e o mal, se não houver quem o ajude.
Atualíssimas, portanto, são as palavras de Paulo VI a Jean Guiton, seu amigo e confidente, pouco tempo antes de morrer: “Há uma grande perturbação neste momento da Igreja, e o que se questiona é a fé. O que me perturba, quando considero o mundo católico, é que dentro do catolicismo parece, às vezes, que pode predominar um pensamento não católico, e pode suceder que este pensamento não católico dentro do catolicismo se converta, amanhã, como o pensamento mais forte. Porém, nunca representará o pensamento da Igreja. É necessário que subsista uma pequena grei, por muito pequena que seja”. Dizeres de um Papa que, certamente, não pode ser rotulado de tradicionalista e que, em outro momento de grande lucidez, afirmou que “por alguma brecha a fumaça de Satanás entrou no Templo de Deus” (29 de junho de 1972).
A Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo é, certamente, indefectível e santa. Porém, o dano que causa às almas um ensino vago e ambíguo não pode deixar-nos tranquilos. Por amor à verdade, por amor à salvação eterna das almas, a começar pela nossa própria, não podemos calar a verdade. Nas últimas décadas, tem-se falado tanto de profetismo na Igreja, geralmente associado à denúncia  das injustiças sociais. Pois bem: é preciso nadar contra a corrente – como os profetas!
Faz-se mister denunciar, como S. João Batista, a maldade do pecado, da impureza, do adultério, e lembrar que nenhuma integração forçada pode garantir a salvação eterna, se não estiver profundamente enraizada na verdade. É necessário lembrar, também aos Pastores da Igreja, que existe um inferno eterno, para onde todos – incluindo eles – podem ir, se não se converterem. É fundamental que a pregação da Igreja volte a ser “sim ou não, pois tudo o mais vem do Maligno”(cf. Mt 5, 37).
O problema do Sínodo é, pois, uma questão de fé, da verdadeira fé, da fé católica, sem a qual não podemos nos salvar. O dilema é este: a perda da fé católica. Ser ou não ser católico: eis a questão, a grande e decisiva questão!

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Salvar almas ou salvar o planeta?

O Evangelho verde: Salvar almas ou salvar o planeta?


25.09.2015 -
n/d
Hoje em dia, não é raro para um católico ouvir sobre a necessidade de cuidar das flores, árvores, pássaros e outras manifestações da criação de Deus. No entanto, aqueles que promovem essa mensagem na Igreja tendem a esquecer a necessidade de converter inúmeras almas que precisam de salvação. Muitos defendem eloqüentemente  a necessidade de cuidar da irmã árvore, irmã flôr e mãe ave, mas raramente falam da necessidade das almas se arrependerem e serem salvas. Por quê? Simplesmente porque muitos já não acreditam que há algo a ser salvo.
O homem precisa salvação?
Realmente precisa se salvar o homem? Segundo as Escrituras, todo mundo nasce no pecado (Salmos 51: 5) e esta doutrina é conhecida como pecado original. Além disso, todos estão sujeitos à ira de Deus (Efésios 2: 3) por causa de seus pecados. A escritura diz ainda que o homem está sob o domínio de Satanás (Efésios 2: 2).
Tão mau como isso soa, as Escrituras não param por aí; e mais, deixa claro que o homem, depois da queda, está morto no pecado (Efésios 2: 1) e longe de Deus (Colossenses 1, 21). Se levarmos a sério a fé cristã, devemos dizer claramente que o homem tem necessidade urgente de salvação, como o Catecismo da Igreja Católica diz:
A doutrina do pecado original é, por assim dizer, “o reverso” da Boa Nova que Jesus é o Salvador de todos os homens, que todos precisam de salvação e que a salvação é oferecida a todos nós através de Cristo. (389)
n/d
Salvação de que?
Neste ponto, seria necessário pergunatar: m concreto, o que há para salvar? Simplesmente, da eterna separação eterna de Deus, isto é, salvar-se do inferno. A fé católica ensina que se a pessoa morre longe de Deus imediatamente desce ao inferno, como o Concílio Ecumênico de Florença diz:
Mas as almas daqueles que morrem em pecado mortal atual ou apenas com o original, vão imediatamente para o inferno, para serem punidas, mas com diferentes penalidades. (Florença, Sexta Sessão, 6 de julho de 1439.)
As Escrituras está cheia de advertências para não morrer longe de Deus, e diz:
E aquele que não foi achado inscrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo. (Apocalipse 20, 15)
n/d
Em Mateus 10:28, Jesus diz:
E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; ao contrário, deve-se temer  quem pode destruir a alma e o corpo no inferno.
E Hebreus 10:31 adverte: Uma coisa terrível é cair nas mãos do Deus vivo!
Conseqüentemente, há uma clara necessidade de anunciar o Evangelho de Jesus Cristo, pois é o único meio pelo qual podemos ser salvos da ira de Deus (João 14: 6).
n/d
Será que a criação  necessita de salvação?
Há necessidade de salvar o resto da criação? Tecnicamente não; a criação não precisa ser salva. Deve livrar-se da corrupção, como diz em Romanos 8:21, mas não precisam de salvação, uma vez que todas as outras criaturas não têm alma eterna. Então Jesus Cristo confiou aos apóstolos para ir por todo o mundo e pregar o Evangelho às pessoas, não aos pássaros ou as árvores (Mateus 28: 18-20).
O que é mais importante?
Tendo considerado brevemente a diferença entre a situação da criação e o homem, cabe perguntar: o que é mais importante, a salvação das almas ou o cuidado da criação? Jesus responde a nossa pergunta, como ele disse:
Olhai para as aves do céu: não semeiam nem colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, o Pai celestial as alimenta. Não têm vós muito mais valor do que elas? (Mateus 6, 26).
A prioridade do homem sobre o resto da criação é baseado em uma alma eterna, enquanto que as outras criaturas não tem (exceto os anjos). Mesmo o Catecismo da Igreja Católica reconhece a enorme diferença entre o homem e o resto da criação de Deus: É contrário à dignidade humana para causar sofrimentos inúteis aos animais  ou sacrificar-lhe desnecessariamente a sua vida. É igualmente indigno inverter os valores gastando dinheiro com eles que deveriam remediar um pouco a miséria dos homens. Pode-se amar os animais; mas não pode dirigir-lhes a afeição devida apenas aos seres humanos. (2418)
Prioridades
Tudo isso não significa que o homem não deve ser um bom administrador da criação, Deus lhe deu. É claro que ele deve ser, mas há questões mais importantes para se preocupar mais. Considerando a urgência com que o homem necessita de salvação e são poucos os que entram por essa porta (Mateus 7, 14), talvez seja a hora de lembrar “as disposições mais importantes da lei” (Mateus 23, 23) e começar a lidar com o que realmente importa, ou seja, a salvação das almas.
Fonte: The Remnant - The "Vegetable Gospel": Saving Souls vs. the Planet e Blog Roma de Sempre - imagens  www.rainhamaria.com.br

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Mensagem extraordinária de Dom Lourenço Fleichman sobre a família cristã e a oração

Dom Lourenço Fleichman: Do esgoto do mundo à Salvação de nossos filhos


01.09.2015 -
n/d
O que me leva a escrever hoje é a constatação, cada dia mais evidente, da dificuldade que as famílias católicas têm para viver neste mundo enlouquecido e transviado. O espetáculo que estamos assistindo, e que não se limita ao carnaval, mas ao ano todo, e a todos os anos, é de meter medo. Nossas famílias, nossas melhores famílias, não conseguem se isentar deste mundo. Todos pactuam  com práticas diversas de destruição do que resta de decência e de família. Digo “família” porque já não há mais nada de sociedade a ser preservado, já não temos mais o que defender! Tudo está destruído. Mas talvez ainda possamos lutar dentro de nossas famílias, ou dentro de nossos corações.
Ora, é justamente esta constatação da destruição de todas as realidades sadias da  antiga sociedade que explica a dificuldade das pessoas em não se contaminar. Explico.
Dentro de uma sociedade em vias de corrupção, as pessoas teriam de sair de casa tomando certos cuidados para não serem contaminadas: cuidados com os outdoors, com as bancas de jornal, com o convívio no trabalho, e até mesmo com  os assaltos na rua. Dentro de suas casas, haveria necessidade de lutar constantemente contra os programas de televisão, tomar cuidado com o tipo de gibi ou de video-game que compra para os filhos. Dentro de uma sociedade assim, indiferente a Deus e apóstata da Santa Religião Católica, os pais de família teriam de trazer para seus filhos um bom catecismo, uma Capela onde se celebre a Santa Missa Tridentina, onde o catecismo fosse ensinado segundo a doutrina de sempre da Igreja.
Mas não é numa sociedade em vias de decadência, que nós vivemos. E é nesse ponto que se encontra o erro de tantos pais. Ao achar que a questão é de grau de corrupção, eles procuram defender  suas famílias sem no entanto tirá-las do ambiente em que estão sendo corrompidas.
Vejam bem o que quero dizer: nossa sociedade já não tem mais nada que mereça a nossa atenção. Os valores em voga nessa sociedade formam um esgoto nojento e fedorento que emporcalha tudo e todos. Não há como escapar! Você sai na rua, você vai ao médico, você compra um jornal, você é engenheiro, ou advogado, ou motorista de ônibus, o que seja, o que se faça, na rua ou dentro de casa, o esgoto se espalha, contamina, agarra-se em nossas peles, transmite o seu cheiro insuportável. E é tal a realidade disso que estou dizendo, que, estando todos contaminados, estando todos sujos e fedorentos nas entranhas de nossos costumes e de nossos interesses, os homens não sentem mais o fedor de si mesmos! Todos agem,  pensam, falam, com os critérios da lama e da cloaca.
A tendência que nós teríamos, seria a de querer comparar todas essas realidades com os critérios da nossa antiga formação. Falaríamos do funk comparando com outros tipos de música: – Ah!, na minha época não era assim!  Falaríamos das pichações, e do homossexualismo, e do nudismo nas ruas, e do sexo desenfreado e vagabundo, do  aborto e das clonagens, sempre comparando, comparando…com o quê? Até quando?
Não, não podemos nos enganar. Não é mais possível esse tipo de sem-vergonhice. É preciso ter a coragem de dizer, de pensar, de saber: acabou! O mundo como nossos pais nos ensinaram já não existe mais. E se os homens ainda votam (meu Deus, ainda se acredita na mentira da “democracia”!!), se os políticos ainda nos governam, é por simples reflexo dos nervos da defunta sociedade liberal e apóstata.
Outro dia me contaram mais uma vez o caso de um professor de universidade, casado, bom pai de família. As mulheres da faculdade avançam sobre os homens, sem querer  saber se é casado, se não é;  umas dez para cada um, que falam com os homens já se encostando, já se entregando. E a pessoa que me contava isso, dizia: “elas já perderam tudo”. Eu procurei mostrar ao meu interlocutor que, ao contrário, essas mulheres não perderam nada, porque não há nada mais a ser perdido. Perder, para um católico, é considerar que as mulheres, dentro de uma sociedade com critérios de bem e de mal, de virtudes e de vícios, abandonaram completamente os primeiros e vivem pelos segundos. Mas não é esse o fenômeno que assistimos. O que existe, de fato, é uma sociedade onde o bem e o mal não se opõem, onde não há virtudes e vícios, onde tudo é permitido, onde tudo é “bom”. De modo que essas mulheres não agem assim por perversão delas. Não são maus elementos da boa sociedade. É a própria sociedade que é má, que é perversa. Elas nada mais fazem do que viver segundo os critérios desse mundo. Eis um exemplo que vem reforçar o que dizia acima, sobre o esgoto que está pelos ares, no ar que respiramos, nas conversas que temos, na casas como na rua.
E mais uma vez, espantados e agradecidos, é em São Paulo que vamos encontrar a explicação desse tremendo mal, desta horrível provação que é hoje pedida aos que querem se salvar:
«Porque nós não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra os espíritos malignos espalhados pelos ares».
Vejam bem, o Apóstolo desdenha quase dos pecados pessoais, da carne e do sangue, para nos advertir sobre um tempo em que o mal estaria espalhado pelos ares. Que coisa impressionante! Que revelação tremenda recebeu de Deus São Paulo.
E o que é que ele nos recomenda  para uma situação tão tenebrosa? O combate, a guerra, a espada. Mas não podemos combater simplesmente com as armas comuns que usamos contra a tentação:
«Portanto tomai a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau, e ficar de pé, depois de ter vencido tudo».
n/d
É, portanto, uma armadura, que nos cubra dos pés à cabeça, que nos leve à vitória total, sobre tudo, ou seja, sobre a própria sociedade erigida pelo demônio, pelo Anticristo, para a perda e condenação dos justos. Porque os maus, meus filhos, já estão condenados há muito tempo. O que o diabo não suporta é que haja ainda alguns loucos resistindo e querendo o Reino de Deus.
Que haja,  ainda, alguns doidos excomungados pela nova Religião de Vaticano II, conivente e “aberta para o mundo”, que preguem o verdadeiro Evangelho de Cristo. Isso ele não suporta. Seu ódio mortal distila sobre esse esgoto do mundo uma saliva fétida e corruptora, que só o torna pior; porém, cheio de astúcias, o torna também mais enganador. E é assim que, insistindo em dizer que o mundo ainda é o mesmo, que as mulheres “perderam tudo”, que em outras épocas “não se ouvia funk”, e coisas desse tipo, Satanás vai enganando os bons. E quem são os bons? São vocês. São vocês, que querem permanecer católicos, mas querem conviver com o mundo; que querem agradar a Deus, mas não rechaçam os prazeres mundanos.
n/d
Que assistem à Missa verdadeira, mas acham que os protestantes são piedosos! Que lutam contra os pecados da carne, mas deixam seus filhos nas boates e na televisão.
E essa gente enganadora, esses cúmplices do demônio, Anticristos dessa nova sociedade má, declaram para quem quer ouvir isso que estou aqui denunciando.
Estando eu, numa sala de família onde alguém assistia a uma entrevista na televisão, o entrevistado, creio que falando em francês, espécie de artista já de idade, com uns cabelos brancos compridos, virou-se para a câmara e deu seu recado final, sua saudação alegre, sorridente, para os estúpidos que o admiram. Abriu os braços como quem mostra o mundo, e num sorriso simpático repetiu três vezes, lentamente, e com um gesto cada vez mais abrangente: Merde, merde, merde!
Que me desculpem os ouvidos pudicos. Mas diante de certas realidades, só o palavrão pode exprimir a realidade. E ele deve ser dito, para evitar que  uma palavra mais amena nos engane sobre a gravidade da coisa. Foi isso que ele disse, e disse bem, pois é esse o mundo que ele prega, é essa a cultura que ele produz, é esse o fedor e a cloaca de que eu falava acima.
E é por isso que os nossos, que os bons pais de família, não conseguem vencer os atrativos do mundo. É por isso que eles abrem as portas de suas casas e deixam entrar este ar tenebroso e fedorento. É porque está já tudo coberto por esta substância, de modo que nem os bons conseguem mais distinguir os perfumes da alma santa, da Igreja santa, da família católica.
n/d
Mas eis o que Deus nos revela  como sendo  nossa atitude diante desse quadro:
«E ouvi outra voz do céu que dizia: Saí dela, povo meu, para  não serdes participantes dos seus delitos e para não serdes compreendidos nas suas pragas» (Apoc. 18, 4)
No início do ano, em conversa com as famílias da Capela Nossa Senhora da Conceição, mostrei a elas que para manter-se fiel à Fé e perseverar na busca da salvação, diante do quadro avassalador em que se encontram nossos filhos, era necessária uma cumplicidade voluntária entre os pais e o padre. É preciso hoje,  que os pais trabalhem em conjunto com o sacerdote, querendo ouvir as orientações a que a moral católica nos obriga. Querendo estudar a doutrina, querendo que seus filhos sejam orientados, que tenham contato constante com o padre e com a Capela.
n/d
Essa cumplicidade precisa ser vivida de modo prático e eficaz, na busca da oração, do Santo Terço dentro de casa, da fuga desse mundo corrompido e contagiante que está carregando de roldão o que vocês têm de mais amado, que são seus filhos. E vocês não estão conseguindo conter a avalanche, e estão se inclinando a achar que é assim mesmo, que todo mundo faz… e o mundo vai tendo cada dia maior presença em suas casas.
Cumplicidade significa renunciar a certas facilidades, a certos confortos, a muita televisão, a um comportamento indecente e imoral que se manifesta nas roupas, nas atitudes, nos gestos, no sexo precoce e pecaminoso. Cumplicidade é impedir, sim!, impedir que seus filhos ouçam esses funks e coisas semelhantes que só fazem arrebentar todas as forças espirituais da alma, movendo a carne para a sensualidade e para o pecado.
Cumplicidade significa organizar o lar de modo a que as atividades sejam orientadas; mas para isso, é preciso perder tempo, perder muito tempo, num esforço difícil mas necessário, organizando biblioteca e videoteca capazes de entreter seus filhos no bem. Vejam! O que eu entendo ser uma guerra para salvar seus filhos, é a presença da mãe junto deles, cada dia mais necessária, justamente no momento em que elas são cada dia mais empurradas para fora de casa, abandonando seus filhos, que vão ser criados numa creche ou por uma empregada. A mãe é chamada hoje, não é ao fogão e ao tanque, não senhoras! É a um trabalho estafante, na rua, indo de livraria em livraria, de sebo em sebo, recolhendo livros bons, que sejam formadores de valores morais; comprando filmes que tragam algum proveito de  vida e de moral para os próprios pais e para seus filhos. O que as mães precisam fazer é formar-se na Universidade da Família, aprendendo a contar histórias, a brincar de roda, a inventar atividades e passeios, a ensinar música para seus filhos. Se fosse para fazer isso como educadoras, como diretoras de uma firma, como vendedoras de uma loja, aí elas ficariam encantadas… mas como é dentro de casa, ou pelo menos, como é para ser aplicado dentro de casa, elas reclamam, e querem a rua, querem o mundo…. Coisa estranha! Estranha contradição. Dizem que amam seus filhos, mas não querem estar a seu lado, na educação, à serviço de suas alminhas inocentes ameaçadas de morte prematura.
Creio que este papel reservado às mães, traria outras vantagens para seus filhos. Pois é evidente que duas ou três mães poderiam perfeitamente se juntar e trabalhar em conjunto, revezando-se talvez nas tardes ou manhãs livres, para juntar seus filhos em passeios e atividades. Logo apareceria uma que sabe tocar um instrumento, e eis que começa umas aulas de música, nessa idade delicada dos cinco ou seis anos, em que começa a formação musical e artística.
Parece ilusório o que lhes proponho? Talvez pareça ilusório porque as mães já não estão habituadas a esse esforço. Afinal, como é simples apertar um botão de televisão ou computador, e eis o silêncio das ovelhinhas  instalado no lar …indo  para o  matadouro!
Não me parece ilusório porque são atividades próprias aos educadores, e os pais são educadores por obrigação e por graça de estado.
E se a objeção é o orçamento do lar, que a mãe precisa trabalhar senão não fecham as contas no fim do mês, respondo que são poucos os casos em que há verdadeira necessidade. O que se vê, em geral, é a busca cada vez maior de ter, de possuir, de gastar,  num vício desenfreado que vai contra a virtude da pobreza. Diminuam as necessidades, e que os maridos sejam mais eficazes nos seus trabalhos, pois cabe a eles a cumplicidade de fazer o possível para que a mãe possa criar seus filhos.
Lembrem-se que os filhos não são bonecos bonitinhos que só servem para satisfazer o orgulho e o amor-próprio dos pais, bonecos que se encostam numa creche ou numa televisão para que não atrapalhem o resto do dia. Ter filhos é obrigação de todo casal, e educar é carregar a Cruz de Nosso Senhor, abandonando a vontade própria para transmitir a Fé verdadeira, a verdade natural e sobrenatural, a moral de Deus e o amor ao próximo.
n/d
E para completar este combate onde as mães devem ser leoas rugindo contra o mundo devorador, onde os pais devem ser leões fortes e trabalhadores no sustento do lar, onde a família se encontra em todas as atividades, do ritual das refeições em comum, passando pela oração em comum para chegar à Santa Missa, venho exortá-los, agora, a que recebam a bênção do Sagrado Coração sobre as famílias, a Entronização no Lar do Sagrado Coração, como sendo a retaguarda espiritual dessa guerra tremenda e constante,  onde as forças espirituais devem ser preservadas, para que a vida natural não se perca seguindo os passos do demônio e do Anticristo. Façam a Entronização, façam a Renovação anual, e venham para a Capela, venham na 1ª Sexta, no 1º Sábado, receber de Nosso Senhor o Alimento Sacramental que nos dá a força sempre viva da Fé, da Esperança Teologal no sucesso e na Vitória, e a Caridade que é o próprio Deus vindo dentro de nós num dom de Si mesmo, como Amor Substancial.
Que a Virgem Maria, Nossa Senhora da Conceição lhes dê forças para combater. É preciso desejar a vida eterna apaixonadamente, sem descanso. Não esmoreçam, pois o Senhor bate, já está às portas; Ele colhe, e queimará a erva daninha que não servir para o seu Celeiro.
Fonte: http://permanencia.org.br
=============================
Nota de www.rainhamaria.com.br
n/d

terça-feira, 18 de agosto de 2015

O Evangelho como revelado por Jesus a Maria Valtorta

Do site Rainha Maria, que tem publicado uma série de trechos da obra da mística Maria Valtorta:

Maria Valtorta, mística italiana, que teve revelações de Jesus: O Mestre mostra o Caminho


18.08.2015 - Nota de www.rainhamaria.com.br
A Igreja Católica define de forma muito clara (CIC 65, 66) que a revelação pública, oficial, está concluída e é a que vemos nos livros canônicos da Bíblia. Corresponde à fé cristã compreender gradualmente seu conteúdo.
Isso não impede que haja revelações privadas (CIC 67), que não melhoram nem completam a Revelação definitiva de Cristo, mas sim podem ajudar a vivê-la mais plenamente em uma determinada época histórica. Ou seja, pode haver livros inspirados, mas não canônicos.
O especialista François Michel Debroise nos dá uma informação muito completa sobre o tema.
Maria Valtorta, mística italiana falecida em 1961, foi um exemplo de alma extraordinária com vida extraordinária. Foi uma das 18 grandes místicas marianas. Aos 23 anos, um anarquista a espancou com uma barra de ferro, deixando-a com limitações físicas. Ficou 9 anos de cama. E uniu todas as suas dores à paixão de Jesus.
n/d
Seu confessor, ao ver a grandeza dessa alma, pediu-lhe que escrevesse sua biografia. Tudo isso aconteceu em plena guerra mundial. Depois de escrever sua biografia, de 1943 a 1950, ela começou a receber uma série de visões, que transcreveu em 17 volumes, entre eles sua obra mais conhecida e polêmica: “O Evangelho como me foi revelado”. Em 4800 páginas, ela relata a vida de Cristo, dia a dia.
O Papa Paulo VI apoiou a leitura da obra de Maria Valtorta, assim como o Padre Pio. A Madre Teresa de Calcutá era uma leitora assídua dos seus escritos. A celebração dos 50 anos da morte de Maria Valtorta foi acompanhado por altas personalidades da Igreja.
Do ponto de vista histórico, os biblistas se surpreendem com como uma pessoa que não teve estudos possa ter um conhecimento tão detalhado.
O leitor desta narração fica preso, porque a obra o introduz nas cenas da vida de Jesus como um espectador presente. É uma narração extraordinária do ponto de vista teológico, histórico e científico. (Fonte: Aleteia)
 
 O MESTRE MOSTRA O CAMINHO
n/d
A paz esteja com todos vós, e a sabedoria sobre vós.
Escutai, Foi-me perguntado um dia, faz muito tempo, até que ponto Deus é misericordioso para com os pecadores. Quem fazia aquela pergunta era um pecador perdoado que não conseguia  persuadir-se do completo perdão de Deus. E Eu, com algumas palavras, o tranqüilizei, e lhe garanti e lhe prometi que para ele Eu teria sempre falado da misericórdia, para que o seu coração arrependido, que dentro dele parecia o de um menino perdido que chorava, se sentisse na certeza de estar já entre os que pertencem ao seu Pai do Céu.
Deus é Misericórdia, porque Deus é Amor. O servo de Deus deve ser misericordioso para imitar Deus.
Deus se serve da misericórdia como de um meio para atrair a Si os filhos desviados. O preceito do amor é obrigatório para todos. Mas deve ser três vezes mais nos servos de Deus.
Não se conquista o Céu, se não se ama. Mas basta dizê-lo aos que crêem. Aos servos de Deus Eu digo: “ Não se faz que os que crêem conquistem o Céu, se não se amam com perfeição.”
E vós, que sois? Vós que vos aglomerais aqui ao redor de Mim?
Em vossa maior parte, sois criaturas que vos inclinais para a vida perfeita, para a vida bendita, cansativa, luminosa do servo de Deus, do ministro de Cristo. E, que deveres tendes nessa vida de servos e ministros? Um amor total a Deus, um amor total ao próximo. A vossa meta: servir. Como? Restituindo a Deus aqueles que o mundo, a carne e o demônio arrebentaram a Deus. De que modo? Com amor. O amor que tem mil formas para manifestar-se, e um único fim: fazer amar.
Pensemos em nosso belo Jordão. Como é imponente em Jericó. Mas, era ele assim na nascente? Não. Era um fio de água, e assim teria ficado, se tivesse ficado sempre só. Mas, eis que dos montes e colinas, de uma e outra margem do seu vale, descem milhares e milhares de afluentes, uns deles solitários outros formados por centenas de córregos, vão despejar-se em seu leito, que cresce, cresce, cresce sempre mais, até se transformar no doce regato de prata azulada, que se ria e brincava em sua meninice de rio, o largo, solene e plácido rio, que enxerta uma fita azul celeste por entre suas ubertosas e esmeraldinas margens.
Assim é o amor. É um fio inicial para as crianças que estão começando o Caminho da Vida, as quais mal sabem salvar-se do pecado grave, eis que das montanhas da humanidade, escabrosas, áridas, soberbas e duras, surgem por um desejo de amor, córregos e mais córregos desta virtude principal, e tudo serve para fazê-la nascer e jorrar as dores e as alegrias, assim como nos montes servem para formar os arroios, as neves geladas e o sol que as derrete. Tudo serve para abrir-lhes o caminho: tanto a humildade, como o arrependimento. Tudo serve para canalizá-las para o córrego inicial. Porque a alma, impelida para aquele caminho, gosta das descidas para o aniquilamento do eu, aspirando reerguer-se, atraída pelo Sol-Deus, depois de ter-se transformado em um rio poderoso, belo e benfeitor.
Os riachos que nutrem o rio embrionário do amor temeroso são, além das virtudes, as obras que as virtudes ensinam a praticar. As obras que, justamente para serem rios de amor, são obras de misericórdia. Vamos percorrê-las juntos. Algumas já eram conhecidas de Israel, enquanto outras, Eu as torno conhecidas, porque a minha Lei é perfeição de amor.
DAR DE COMER A QUEM TEM FOME.
É um dever de reconhecimento e de amor. Dever de imitação. Os filhos são agradecidos ao pai pelo pão que ele lhes dá e, quando homens feito, eles imitam ao darem o pão aos seus filhos e ao pai que já não pode trabalhar, por causa de sua idade, e lhes dão o pão com o seu próprio trabalho, como uma amorosa restituição, uma restituição devida dos bens adquiridos. O quarto preceito diz: “ Honra a teu pai e á tua mãe.” É um modo de honrar os seus cabelos brancos o que se faz para não deixá-los ir pedir a outros o pão por esmola.
Mas, antes do quarto, diz-nos o primeiro preceito: “ Ama a Deus com todo o teu ser”, e o segundo: “ Ama a teu próximo como a ti mesmo”. Amar a Deus por ser quem é, e amá-lo no próximo, é perfeição.
Ama-se ao próximo dando pão a quem tem fome, em lembrança das muitas vezes que Ele matou a fome do homem por meio do milagre. Mas sem ficar olhando só para o maná e as codornizes, olhemos para o milagre contínuo do grão que germina pela bondade de Deus, que nos deu terra própria para a cultura, e controla os ventos, chuvas, calor e estações, a fim de que a semente se vá transformando em espiga, e a espiga em pão.
E não foi um milagre da sua misericórdia o fato de ter o Senhor, com uma luz sobrenatural, ensinando ao filho culpado que aquelas ervas altas e esguias, que terminavam produzindo frutos de sementes douradas pelo quente cheiro do sol, fechadas dentro da dura faixa de escamas espinhentas, eram um alimento que haveria de ser colhido, descascado, transformado em farinha, amassado e assado. Deus ensinou tudo isso. Foi Ele que ensinou com colhê-lo, limpá-lo, moê-lo, amassá-lo e assá-lo. Ele pôs as pedras perto das espigas, a água perto das pedras, acendeu com os reflexos da água e do sol o primeiro fogo sobre a terra e, sobre o fogo, o vento levou alguns grãos que, ao se queimarem, exalaram um odor agradável, a fim de que o homem compreendesse que, melhor do que quando eles são tirados da espiga, como sabem fazer os passarinhos, ou só molhado com água, depois de ter virado farinha, e ter sido transformado em uma massa grudenta, muito melhor é quando o fogo o assa. Não pensais nisso, vós que hoje comeis o pão gostoso, assado no forno de vossa casa, não pensais o quanto é bom podermos ter chegado a esta perfeição no modo de assar, e quanto caminho teve que ser percorrido pelo conhecimento humano, desde a primeira espiga, que foi mastigada, como faz o cavalo, até chegarmos ao pão que hoje temos. Por quem fomos ensinados? Pelo doador do pão. E assim aconteceu com todas as espécies de alimento que o homem soube por meio de uma luz benfazeja, descobrir e separar, dentre as plantas e animais com que o Criador cobriu a terra, paterno para o filho culpado.
Portanto, dar de comer a quem tem fome é uma oração de reconhecimento ao Senhor e Pai, que mata a fome, e é bom imitar o Pai, do qual recebemos esta semelhança gratuita, que é preciso aumentar sempre, com a imitação de suas ações.
DAR DE BEBER A QUEM TEM SEDE.
Já pensastes que aconteceria, se o Pai não fizesse mais chover as águas do céu? Ou, então, se Ele dissesse: “ Pela vossa dureza para com quem está com sede, Eu vou impedir as nuvens de descerem sobre a terra”, poderíamos nós protestar e falar mal dele? A água, mais ainda do que o trigo, é de Deus. Porque o trigo é cultivado pelo homem, mas só Deus é quem cultiva os campos das nuvens, que descem em forma de chuva ou de orvalho, como névoa ou neve, nutrem os campos e abastecem as cisternas, enchem os rios e os lagos, dão abrigo aos peixes, que matam a fome dos homens e de outros animais. Portanto, podeis vós responder a quem vos diz: “ Dá-me de beber”, dizendo-lhe: “Não. Esta água é minha, e eu não te dou?”
Mentirosos! Quem de vós já fez um só floco de neve, ou um só pingo de chuva? Quem já fez evaporar um só dos diamantes do orvalho com o seu calor astral? Ninguém. É Deus quem faz isso. E, se as águas descem do céu, e voltam a subir, somente Deus regula esta parte da criação, assim como tudo mais.
Daí, pois, a boa água fresca dos lençóis do subsolo, ou a água limpa do vosso poço, ou a que encheu as vossas cisternas, dai-a a quem tem sede. São águas de Deus. São para todos. Dai-as a quem tiver sede. Por uma tão pequena boa obra, que não custa o vosso dinheiro, que não exige outro trabalho senão o de estender com a mão um copo ou uma vasilha. Eu vo-lo digo, tereis uma recompensa no Céu. Porque não é a água, mas é o ato de caridade que é grande, diante dos olhos e do julgamento de Deus.
n/d
VESTIR OS NUS.
Vêem-se pelas estradas deste mundo pessoas em estado vergonhoso por uma nudez que nos causa dó. São velhos abandonados, são inválidos por doenças ou por outras desventuras, são prole numerosa, são feridos por acidentes que os privaram de toda comodidade, são órfãos inocentes. Se Eu lançar um olhar por toda a vastidão da terra, verei por toda parte pessoas nuas, ou cobertas com trapos, que mal lhes salvam a decência, e não as protegem contra o frio. E essas pessoas ficam olhando, com um olhar humilhado, para os ricos, que vão passando, com um olhar humilhado, para os ricos, que vão passando com suas roupas macias e com os pés calçados com sapatos delicados. Humilhados com a bondade dos bons e com o ódio dos menos bons. Mas por que não os auxilias no aviltamento em que se acham, tornando-os melhores, se já são bons, e destruindo-lhes o ódio, se não são menos bons, com o vosso amor?
Não digais: “O que eu tenho é só para mim.” Como acontece com o pão, sempre tendes alguma coisa a mais do que o necessário, nas mesas e nos armários de quem não está completamente abandonado. Entre estes que Me estão ouvindo, há mais de um que sabe, de uma roupa que ele deixou de usar por estar muito batida, tirar uma roupinha para um órfão ou algum menino pobrezinho e, de um lençol velho, fazer faixas para algum inocente que não as tem, soube repartir, durante muitos anos, o pão esmolado cansativamente com quem, por estar leproso, não podia ir estender a mão ás soleiras dos ricos. E, em verdade, Eu vos digo que esses misericordiosos não devem ser procurados entre os possuidores de bens, mas por entre as fileiras humildes dos pobres que, por serem assim é que sabem quão penosa é a pobreza.
Também aqui, como para a água e o pão, pensai que a lã e o linho com que vos vestis provêm dos animais e das plantas, que o Pai criou não somente para os ricos entre os homens, mas para todos os homens. Porque Deus deu somente uma riqueza ao homem: a da sua Graça, da Salvação, da inteligência. Mas não a riqueza suja que é o ouro, que vós andastes enaltecendo, fazendo dele, que é um metal não melhor do que os outros, muito menos útil que o ferro, com que se fazem as pás e os arados, as grades e as foices, os escopros, os martelos, os serrotes, as plainas, as santas ferramentas do santo trabalho, fazeis dele o nobre metal, que vós elevastes a uma nobreza inútil, mentirosa, por uma instigação de Satanás que, de filhos de Deus, vos tornou selvagens como feras. A riqueza daquilo que é santo vos havia dado com que vós pudésseis tornar-vos sempre mais santos! Mas não esta riqueza homicida, que tanto sangue e lágrimas derrama.
Daí, pois, como vos foi dado. Daí em nome do Senhor, sem terdes medo de ficar nus. Melhor seria morrer de frio, por sermos despojados em favor do mendigo, do que fazer enregelar-se o coração, mesmo por baixo de vestes cômodas, pela falta de caridade. O leve calor que sentimos pelo bem feito é mais doce do que aquele de um manto da mais pura lã. E as carnes do pobre, agora por nós cobertas, falam a Deus, e lhe dizem: “ Abençoa a quem nos vestiu.”
Se matar a fome, a sede, vestir, tirando de si para dar aos outros são atos que unem a santa temperança á santíssima caridade, e vós mesmos á bem-aventurada justiça, pela qual se modifica com santidade, a sorte dos nossos irmãos infelizes, dando daquilo que temos em quantidade, por permissão de Deus, a favor de quem, ou por malvadez dos homens, ou por doenças, daquilo tiver ficado privado, nesse caso albergar os peregrinos que une a caridade a confiança e aos bons pensamentos do próximo a nosso respeito. Esta também é uma virtude, sabeis? Uma virtude que derrota em quem a possui, além da caridade, a honestidade. Porque quem é honesto, age bem e, visto que age bem tem o costume de pensar que assim também ajam os outros, acontece então, que a confiança, a simplicidade com que se acredita sempre que as palavras dos outros sejam verdadeiras, mostram que aquele que as ouve é alguém que diz a verdade nas grandes e nas pequenas coisas, não chegando por isso, a desconfiar do que os outros dizem.
Por que pensar, diante do peregrino que nos pede abrigo: “ E se ele for um ladrão ou um assassino?” Será que estais tão apegados ás vossas riquezas, que temeis, por causa delas, cada vez que chega até vós um estranho? Será que estais tão apegados á vossa vida, que ficais arrepiados de medo, ao pensardes que podeis dela ficar privados? E, então? Achais que Deus não vos pode defender dos ladrões? Será?
Temeis no passante um ladrão, e não tendes medo do hóspede tenebroso, que vos pode roubar o que é insubstituível? Quantos dão hospedagem em seus corações ao demônio? Eu poderia dizer-vos: todos dão hospedagem aos pecados capitais e, no entanto, ninguém fica tremendo por isso. Será, então, só o bem da riqueza e da existência que é precioso? Não será mais preciosa a eternidade, que vós deixais que vos seja roubada e morta pelo pecado? Pobres, bem pobres essas almas roubadas em seu tesouro, postas nas mãos de seus assassinos, como se fossem coisa de pouco valor, ao passo que se fazem barricadas ao redor das casas, põem-se ferrolhos nas portas, cães e cofres são usados para guardar e defender muitas coisas que nós não iremos levar para a outra vida!
Por que querer ver em cada peregrino um ladrão? Nós somos irmãos. A casa se abre para os irmãos que estão de passagem. O peregrino não é do nosso sangue? Oh! Sim! É do sangue de Adão e Eva. Não é nosso irmão? E, como não?
O Pai é um só: Deus que nos deu uma alma igual, assim como os filhos de um mesmo leito o pai dá um sangue igual. E um pobre? Procurai que não seja mais pobre do que ele o vosso espírito privado da amizade do Senhor. A veste dele está rasgada? Fazei que não esteja ainda mais rasgada a vossa alma, pelo pecado. Estão enlameados ou empoeirados os pés dele? Fazei que mais do que a sandália dele, suja pela longa viagem, e rota pelo muito andar, não esteja o vosso eu, consumido pelos vícios. É feia a aparência dele? Fazei que não seja mais feia ainda a vossa, aos olhos de Deus. É estranho o seu modo de falar? Fazei que não tenhais vós a linguagem do coração incompreensível na cidade de Deus.
Vede no peregrino um irmão. Todos nós somos peregrinos em caminho para o Céu, e todos nós batemos ás portas que estão ao longo do caminho do que vai para o Céu. Essas portas são os patriarcas e os justos, os anjos e os arcanjos, aos quais nos recomendamos, para termos a ajuda e a proteção deles, a fim de podermos chegar á nossa meta, sem que caiamos no escuro da noite, no rigor do frio, presas das ciladas dos lobos e dos chacais, que são as paixões malvadas e os demônios. Como queremos que os anjos e os santos nos demonstrem o seu amor para hospedar-nos e dar-nos de novo o alento para continuarmos o caminho, assim façamos nós para com os peregrinos deste mundo. E cada vez que abrirmos a casa e os braços para saudarmos com doce nome de irmão a um desconhecido, pensando em Deus que o conhece, Eu vos digo que tereis percorrido muitas milhas do caminho que vai para os céus.
VISITAR OS ENFERMOS.
Oh! Como é verdade que, sendo todos peregrinos, todos são enfermos! E suas doenças mais graves são as do espírito, que são invisíveis e as mais mortais. E, no entanto, ele não tomam cuidado. Não lhes repugna a chaga moral. Não lhes causa nojo o fedor do vício. Não lhes faz medo a loucura diabólica. Não lhe causa horror a gangrena de alguém que é leproso em seu espírito. Não os faz fugir o sepulcro cheio da podridão de um homem morto e putrefacto em seu espírito. Não é anátema aproximar-se dessas impurezas. Como é pobre e restrito o pensamento do homem!
Dizei-me: que tem mais valor, o espírito ou a carne e o sangue?
Terá o que é material o poder de corromper, por sua proximidade, o que é incorpóreo? Não. Eu vos digo que não. O espírito tem um valor infinito, se comparado com a carne e o sangue, isto sim. Mas a carne não tem maior poder do que o espírito. O espírito pode ser corrompido, mas não por coisa materiais, e, sim pelas espirituais. Se até alguém, que trata de leprosos não fica leproso em seu espírito, mas pelo contrário, por causa da caridade, que ele praticou heroicamente, chegando até a segregar-se nos vales da morte, por piedade para com seu irmão, caem dele todas as manchas de pecado. Porque a caridade absolve o pecado, e é a primeira das purificações.
Parti sempre deste pensamento: “O que eu gostaria que me fosse feito, se eu estivesse como está esse aí? E, como tu gostarias que te fosse feito, faze-o tu.
Agora Israel ainda tem as suas antigas leis. Mas dia virá, e a sua aurora não está mais muito longe, quando se venerará, como um símbolo de perfeita beleza a imagem de Um no qual estará reproduzindo materialmente o homem das dores de Isaías, e o torturado do Salmo de Davi, Aquele que, por se ter feito semelhante a um leproso, tornar-se-á o Redentor do gênero humano, a ás suas chagas acorrerão, como uns cervos que vão á fonte, todos os sedentos, os doentes, os exaustos, os chorosos da terra, e Ele os dessedentará, os curará, e os restaurará, os consolará em seus espíritos e em suas carnes, e o anseio, dos melhores será o de se tornarem semelhantes a Ele, também cheios de feridas, esvaídos em sangue, espancados, coroados de espinhos, crucificados por amor dos homens, que precisam ser remidos, continuando assim a obra do Rei dos reis e Redentor do mundo.
Vós, que ainda sois Israel, mas já estais levantando as asas, a fim de voar para o Reino dos Céus, começai desde agora esta concepção e avaliação nova das enfermidades, e, bendizendo a Deus, que vos conserva sãos, inclinai-vos sobre os que estão sofrendo e morrendo.
Um dos meus apóstolos disse um dia: “ Não tenhas medo de tocar nos leprosos. Nenhum mal se apegará a nós, por vontade de Deus.” Ele falou bem. Deus guarda os seus servos. Mas, ainda que ficásseis contagiados, ao cuidardes dos enfermos, seríeis colocados na lista dos mártires por amor, na outra vida.
VISITAR OS ENCARCERADOS.
Credes vós que nas galeras estão somente os criminosos? A justiça humana tem um olho cego e o outro perturbado por distúrbios visuais, pelos quais vê camelos onde há apenas nuvens, ou toma uma serpente por um ramo florido. Ela julga mal. E, pior ainda, porque muitas vezes, quem a guia, cria de propósito nuvens de fumaça, para que ela veja menos ainda. Mas, ainda que os encarcerados fossem todos ladrões e homicidas, não é justo que nós façamos ladrões e homicidas, tirando deles a esperança de perdão com o nosso desprezo.
Pobres prisioneiros! Nem ousam levantar os olhos para Deus, pesados como estão pelos delitos deles. Seus grilhões, em verdade, estão mais em seu espírito do que nos pés. Mas, ai deles, se perdem a esperança em Deus! Ao delito contra o próximo eles unem o do desespero do perdão. A galera é expiação, assim como o é a morte no patíbulo. Mas não basta pagar a parte que é devida á sociedade humana pelo delito cometido se necessário pagar também, e em primeiro lugar, a parte que deve ser paga a Deus, para expiar e ter a vida eterna. E, quem é rebelde e desesperado, expia somente o que deve á sociedade. Que ao condenado ou ao prisioneiro chegue o amor dos irmãos. Será para ele uma luz nas trevas. Será uma voz. Será uma mão que mostra o alto, enquanto a voz diz: “ Que o meu amor te diga que Deus também te ama. Ele colocou em meu coração este amor por ti, meu irmão desventurado”, e essa luz permite a Deus como Pai piedoso.
Que a vossa caridade vá, com maior razão, consolar os mártires da injustiça humana. Os que são inculpáveis de fato, ou os que uma força cruel levou a matar. Não julgueis, porém, o que já foi julgado. Vós não sabeis porque o homem teve que matar. Não sabeis que muitas vezes não é mais do que um morto aquele que mata, ele é autômato, privado da razão, porque um assassinato sem sangue tirou-lhe o juízo, por causa da velhacaria de alguma traição cruel. Deus o sabe. E basta. Na outra vida se verão muitos das galeras, muitos que mataram e roubaram, no Céu, e se verão muitos, que pareciam ter sido roubados ou mortos, no Inferno, porque na verdade, os verdadeiros ladrões da paz dos outros, da honestidade, da confiança, os verdadeiros assassinos terão sido aqueles que passaram por vítimas. Vítimas, só porque foram feridos por último, mas depois de terem ferido, sem que ninguém falasse nada, durante muitos anos. O homicídio e o furto são pecados. Mas, entre o que mata e rouba, porque é levado a isso por outros, e depois se arrepende, e o que induz outros ao pecado, e não se arrepende disso, terá mais castigo aquele que leva outro ao pecado, e disso não sente remorso.
Por isso, não julgueis nunca, e sede compassivos com os encarcerados. Pensai sempre que, se devessem ser punidos todos os homicídios e furtos do homem, poucos homens e poucas mulheres não morreriam nas galeras ou nos patíbulos.
Aquelas mães, que conceberam, e depois não querem dar á luz o seu fruto, com que nome é que deverão ser chamadas? Oh! Não façamos jogos de palavras. Digamos sinceramente a elas o seu nome: “Assassinas.”
Aqueles homens que roubam reputações ou postos, como os chamaremos? Simplesmente “ladrões.” Aqueles homens e mulheres que, sendo adúlteros ou atormentadores familiares daqueles com quem convivem, e os levam ao homicídio ou ao suicídio, e também aqueles sujeitos a eles, e, com o desespero, á violência, que nome é que eles têm? É este: “Homicidas”. E, então? Ninguém foge? Vós estais vendo que entre esses condenados, que escaparam da justiça, que enchem as casas e as cidades, que esbarram em nós pelos caminhos, que dormem conosco nos albergues, dividem a mesa conosco, e vive-se sem pensar nisso. E, no entanto, quem é sem pecado?
Se o dedo de Deus escrevesse na parede do quarto, onde se reúnem para o banquete, os pensamentos do homem, na frente estariam as palavras acusadoras do que vós fostes, do que sois e do que sereis, e poucas paredes trariam escrita com letras luminosas a palavra “Inocente”. As outras paredes, com letras verdes como a inveja, ou pretas como a traição, ou vermelhas como o delito, trariam estes nomes: “Adúlteros”, “Assassinos”, “Ladrões”, “Homicidas”.
Sede pois, misericordiosos, sem soberba, para com os irmãos menos afortunados, de um modo humano, com os que estão na galera expiando o que vós não expiais, tendo vós a mesma culpa que eles. Disso poderá tirar proveito a vossa humildade.
SEPULTAR OS MORTOS
A contemplação da morte é uma escola de vida. Eu gostaria de poder levar-vos para diante da morte e dizer: “ Aprendei a viver como santos, para não terdes outra morte, senão esta: uma separação temporária do corpo e da alma, para depois ressurgirdes triunfalmente para sempre, reunidos e felizes.”
Todos nós nascemos nus. Todos morremos, tornando-nos despojos mortais, destinados á corrupção. Reis ou mendigos, como todos nascemos, todos morremos. E, se o fausto dos reis permite uma mais longa preservação do cadáver, a sorte da carne que morreu é a de se desfazer. Até as próprias múmias, que são? Serão de carne? Não. São matéria fossilizada por meio de resinas lignificadas. Ela não é mais presa dos vermes, porque está vazia e queimada pelas essências, mas é presa de carunchos, como qualquer madeira velha.
Mas o pó volta ao pó, como disse Deus. E, no entanto, só porque esse pó enfaixou o espírito e por ele foi vivificado, então, como coisa que tocou na glória de Deus--- e assim é a alma do homem --- é preciso pensar que esse pó é santificado, e não de modo diferente dos objetos que estiverem em contato com o Tabernáculo. Pelo menos um momento houve em que a alma foi perfeita: o momento em que o Criador a criou. E se depois a mancha a deturpou, tisnando-lhe a perfeição, só por sua origem ela já comunica beleza á matéria e, por essa beleza que vem de Deus, o corpo também fica embelezado e merece respeito. Nós somos templos e, como tais, merecemos honra, como sempre são honrados os lugares onde se deteve o Tabernáculo.
Daí, pois, aos mortos a caridade de um repouso honrado, enquanto ele espera a ressurreição, vendo nas admiráveis harmonias do corpo humano a mente e o dedo de Deus, que o idealizou e modelou com perfeição, e venerando até nos despojos mortais a obra do Senhor.
Mas o homem não é só carne e sangue. É também alma e pensamento. Estes últimos também sofrem e são misericordiosamente socorridos.
Há ignorantes, que praticam o mal só porque não conhecem o bem. Quantos não sabem, ou sabem mal as coisas de Deus e também as leis morais! Como estão enfraquecidos pela fome, porque não há quem mate, e caem em marasmo, por falta das verdades que os nutram. Ide vós instruí-los, pois para isso Eu vos reúno e vos mando.
Daí o pão do espírito á fome dos espíritos.
Instruir os ignorantes corresponde, no campo espiritual, a matar a fome dos esfomeados e, se um prêmio é dado pelo pão oferecido ao corpo enfraquecido, para que não morra naquele dia, que prêmio não será dado, então, a quem mata a fome que um espírito sente das verdades eternas, dando-lhe a vida eterna? Não sejais avarentos com o que sabeis. Tudo vos foi dado sem despesas para vós, e sem medida. Dai-o sem avareza, porque é coisa de Deus, como a água do céu, que é dada, assim como nos foi dada.
Não sejais avarentos nem soberbos daquilo que sabeis. Mas daí com humilde generosidade. E daí o refrigério puro e benéfico da oração aos vivos e aos mortos, que sentem sede de graças. Não se deve recusar água ás faces sedentas. E, então, aos corações dos vivos angustiados e aos espíritos sofredores dos mortos? Orações, orações fecundas por serem atos de amor, feitos com espírito de sacrifício.
A oração há de ser verdadeira, não mecânica, como o som de uma roda na estrada. Será o som ou será a roda que faz o carro ir para a frente? É a roda que se desgasta para levar o carro para a frente. A mesma coisa se diga da oração vocal e mecânica e da oração ativa. A primeira é som, e nada mais. A segunda age, enquanto se desgastam as forças e cresce o sofrimento, mas consegue o que se deseja. Rezai mais com o sacrifício do que com os lábios, e dareis um refrigério aos vivos e aos mortos, praticando a segunda obra de misericórdia espiritual. O mundo será mais salvo pelas orações dos que sabem orar do que pelas fragorosas, inúteis e mortíferas batalhas.
Muitas pessoas do mundo sabem disso. Mas não sabem crer com firmeza. Como se estivessem presas entre dois campos opostos. Elas ficam movendo-se de um lado para outro, sem conseguirem dar um passo a frente e esgotam suas forças, sem nenhum resultado. Estes são os duvidosos. São os que vivem dizendo: “mas”, ou “se”, ou “depois”. São os que vivem fazendo perguntas: “ Depois vai ser assim?”, “ E se não for?”, “Poderei eu?”, “ E se não conseguir?”, e assim por diante. São como as trepadeiras que, se não acharem onde agarrar-se, não sobem, ou que, mesmo se o encontrarem, vão se pendurando aqui e ali, mas não só ainda precisam que se lhes dê uma escora, mas é preciso guiá-las ao longo da escora, ao correr das horas, ao passar dos dias. Oh! Como elas fazem realmente que exercitemos nossa paciência e caridade, mais do que o faz um menino retardado!
Mas, em nome do Senhor, não as abandoneis. Daí de vós uma fé cheia de luz, uma fortaleza ardorosa a estes prisioneiros de si mesmos e de sua nebulosa doença. Guia-os para o sol e para o alto. Sede mestres e pais para esses duvidosos, não tenhais com eles canseiras nem impaciências. Eles vos fazem cair os braços? Tudo bem. Vós também Me fazeis cair os meus tantas vezes, e mais ainda, ao Pai, que está nos Céus, que deve muitas vezes pensar que inutilmente sua Palavra deve ter-se feito carne, até mesmo agora que Ele está ouvindo falar o Verbo de Deus. Não querereis já ficar presumir que vós sois mais do que Deus, e mais do que Eu!
Portanto, abri os cárceres a estes prisioneiros dos “mas” e dos “se”. Soltai-os dos grilhões dos “poderei”, “e se não consigo?” Procurai persuadi-los de que basta fazer tudo na melhor maneira que puder e Deus fica contente. E, se estais vendo que eles estão escorregando para longe da escora, não vades adiante, mas tornai a erguê-los. Fazei como fazem as mamães, que não vão para diante, se o seu pequenino cai, mas param, e o reerguem, o limpam, o consolam, e o seguram até que lhe tenha passado o medo de um novo tombo. E elas fazem isso durante meses e anos, se o pequenino ainda está com as pernas fracas.
VESTI OS NUS NO ESPÍRITO, COM O PERDÃO A QUEM VOS OFENDE.
A ofensa é uma falta de caridade. A falta de caridade nos esvazia de Deus. Por isso, quem ofende se torna nu, e só o perdão do ofendido recoloca vestes na nudez dele. Pois Deus as dá de novo. Para perdoar, Deus espera que o ofendido haja perdoado. Perdoar tanto ao que foi ofendido pelo homem, como ao ofensor do homem e de Deus. Porque podeis crer, ninguém há sem ofensas ao Senhor. Mas Deus nos perdoa a nós, se nós perdoamos ao próximo, e perdoa ao próximo, se o ofendido pelo seu próximo lhe perdoa. Ser-vos-á feito conforme fizerdes.
Perdoai, pois, se quereis o perdão. E vos alegrareis no Céu pela caridade que tiverdes praticado, como se um manto de estrelas tivesse sido posto sobre vossos ombros santos.
SEDE MISERICORDIOSOS COM OS QUE CHORAM.
São os feridos da vida, os doentes do coração com os seus afetos.
Não vos fecheis na vossa serenidade, como em um fortaleza. Sabei chorar com quem chora, consolar os que estão aflitos, encher o vazio de quem pela morte ficou sem um parente. Sede pais com os filhos, filhos com seus progenitores, irmãos uns com os outros.
Amai. Por que haveremos de amar só os que são felizes? Estes já têm a sua parte ao sol. Amai os que choram. Para o mundo são eles os menos amáveis. Mas o mundo não sabe qual o valor da lágrimas. Vós o sabeis. Amai, portanto, os que choram. Amai-os se em seu choro estiverem resignados. Amai-os, e ainda, se em sua dor estiverem revoltados. Não useis de censura, mas de doçura, ao quererdes persuadi-los da verdade da dor e da própria dor. Podem eles, por entre o véu do pranto, estar vendo deformado o rosto de Deus, reduzido á expressão de uma prepotência vingativa. Não. Não vos escandalizeis. Não é mais do que uma alucinação produzida pela febre da dor.
Socorrei-os, até que a febre baixe. A vossa fé serena seja como o gelo que se aplica em quem está delirando.
E, quando a febre mais aguda baixa, e começa o abatimento e a alienação cheia de surpresa de quem está voltando de um trauma, então como a crianças, a quem uma doença impediu de se desenvolverem intelectualmente, voltai a falar-lhes de Deus, como de uma coisa nova, com doçura e paciência...Oh! alguma bela história, contada para entreter o eterno menino que é o homem! Depois calai-vos. Não importais nada... A alma trabalha por si. Ajudai-a com carícias e com a oração. E, quando ela diz: “ Então, não foi Deus?”, dizei-lhe: “Não. Ele não te queria fazer mal, porque Ele te ama, até por quem já não te ama, porque morreu, ou por outras causas.”
E, quando a alma diz: “ Mas eu o acusei”, dizei-lhe: “ Ele já se esqueceu disso, pois foi por causa da febre.” E quando ela diz: “ Então, eu quereria?”, dizei-lhe: “Ei-lo! Está á porta do teu coração, só esperando que tu lhe abras.”
SUPORTAI AS PESSOAS ABORRECIDAS.
Elas entram para perturbar a pequena casa do nosso eu, assim como os peregrinos entram para perturbar a casa em que moramos. Mas, assim como Eu já vos disse que acolhais aqueles, assim vos digo que acolhais estes.
Vos aborrecem? Mas, se vós não amais pelo incômodo que vos dão, elas, ,ais ou menos bem, vos amam. Por este amor, acolhei-as. E, ainda que elas viessem indagando, odiando, insultando, exercitai paciência e caridade. Podeis melhorá-las com vossa falta de caridade. Podeis melhorá-las com a vossa paciência. Podeis escandalizá-las com vossa falta de caridade. Que vos entristeça que elas pecam por si mesmas, mas, que vos cause mais tristeza fazê-las pecar e vós mesmos pecardes. Recebei-as em meu nome, caso não as podeis receber por vosso amor. E Deus vos recompensará, vindo Ele depois, a retribuir a visita e a apagar a lembrança desagradável com as suas carícias espirituais.
Finalmente, procurai:
SEPULTAR OS PECADORES, PARA PREPARAR A VOLTA À VIDA DA GRAÇA.
Sabeis quando fazeis isso? Quando admoestais os mesmos com uma fraterna, paciente e amorosa insistência. É como se vós sepultásseis pouco a pouco as feiuras do corpo, antes de entregá-lo ao sepulcro para ficar à espera da ordem de Deus: “ Levanta-te, e vem a Mim.”
Não purificamos os mortos, nós hebreus, por respeito ao corpo que haverá de ressuscitar? Admoestar os pecadores é como que purificá-los em seus membros, primeira operação para o sepultamento. O resto, a Graça do Senhor o fará. Purificai-os com caridade, lágrimas e sacrifícios. Sede heróicos em arrebatar uma alma da corrupção. Sede heróicos. Isto não ficará sem prêmio. Porque, se vai ser dado um Prêmio por um copo de água dado a um sedento de corpo, que não será dado a quem tira da sede infernal uma alma?
Tenho dito.
Estas são as obras de misericórdia corporais e espirituais que aumentam o amor. Ide e praticai-as.
E a paz de Deus e a minha esteja convosco agora e sempre.
(O Evangelho como me foi Revelado – Maria Valtorta, Vol 4, pgs 333 a 347)
Fonte: www.provasdaexistenciadedeus.blogspot.com.br  (do amigo Antonio Calciolari)