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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

O Sínodo e a noção de pecado

5 outubro, 2015

Existe ainda a noção de pecado entre os Padres sinodais?

Por Roberto de Mattei – Corrispondenza Romana | Tradução: FratresInUnum.com – Os trabalhos do Sínodo estão confirmando a existência, dentro da Igreja Católica, de um forte choque entre duas minorias. De um lado, um punhado de padres sinodais decididos a defender a Moral tradicional; de outro, um grupo de “inovadores” que parecem ter perdido a fé católica. Entre as duas minorias há, como sempre, um centro mole e indeciso, composto por aqueles que não ousam defender nem atacar a verdade e que são movidos por considerações ligadas mais aos próprios interesses pessoais do que ao debate doutrinário.
Os bispos inovadores, na discussão sinodal sobre a primeira parte do Instrumentum laboris, expressaram sua voz especialmente em dois dos 14 círculos menores: o Anglicus C e o Germanicus. Detenhamo-nos por um momento em uma passagem central do relatório do Circulus gemanicus, que teve como relator o novo arcebispo de Berlim, Dom Heiner Koch, e como moderador o arcebispo de Viena, cardeal Christoph Schönborn.
Os bispos alemães desejam que no documento final não prevaleça uma linguagem negativa, que distancia e condena, de estilo “forense” (“eine negativ abgrenzende und normativ verurteilende Sprache(forensischer Stil)”), mas uma linguagem positiva e evolutiva da posição cristã, que exprima implicitamente algumas posições que são incompatíveis com a posição cristã (“eine positive, die christliche Position entfaltende Sprache, die damit implizit zur Sprache bringt, welche Positionen christilich inkompatibel sind”). Uma linguagem “que comporte também a disponibilidade (cfr. Gaudium et Spes) de acolher os desenvolvimentos positivos da sociedade” (“Dazu gehört auch die Bereitschaft (cf. Gaudium et Spes), von der Gesellschaft positive Entwicklungen aufzugreifen”).
Para se entender o que está por trás dessa linguagem ambígua, é necessário reler as passagens centrais da entrevista concedida em 26 de setembro pelo cardeal Christoph Schönborn ao Padre Antonio Spadaro para a “Civiltà Cattolica”. O arcebispo de Viena nela afirma que é preciso “tomar consciência da dimensão social e histórica do casamento e da família”. Segundo ele, “muitas vezes nós, teólogos e bispos, pastores e guardiões da doutrina, esquecemos que a vida humana tem lugar nas condições impostas por uma sociedade: psicológicas, sociais, econômicas, políticas, em um contexto histórico. Isto tem faltado no Sínodo. (…). Devemos olhar para as inúmeras situações de convivência não só do ponto de vista do que está faltando, mas também do ponto de vista do que já é promessa, que já está presente. (…) Aqueles que têm a graça e na alegria de viver o matrimônio sacramental na fé, na humildade e no perdão mútuo, na confiança em Deus que age em nossa vida diária, sabem como olhar e discernir em um casal, em uma união de fato, nos que coabitam, elementos de verdadeiro heroísmo, de verdadeira caridade, de verdadeira doação recíproca. Embora devamos dizer: ‘Não é ainda uma realização plena do sacramento’. Mas quem somos nós para julgar e dizer que não existem neles elementos de verdade e santificação? (…) Não escondo, a este propósito, de ter ficado chocado de como uma forma de argumentar puramente formalista maneja o machado do intrinsece malum [intrinsecamente mau] (…).A obsessão com o intrinsece malum empobreceu de tal maneira o debate, que estamos privados de uma vasta gama de argumentos em favor da unicidade, da indissolubilidade, da abertura à vida, do fundamento humano da doutrina da Igreja. Perdemos o gosto de uma reflexão sobre essas realidades humanas. Um dos elementos-chave do Sínodo é a realidade da família cristã, não de um ponto de vista excludente, mas inclusivo. (…) Há também situações em que o sacerdote, o guia, que conhece as pessoas no seu foro interno, pode chegar a dizer: ‘A situação de vocês é tal que, em consciência, na de vocês e na minha consciência de Pastor, eu vejo que vocês têm um lugar na vida sacramental da Igreja’. (…) Eu sei que escandalizo alguns com o que vou dizer… mas sempre se pode aprender alguma coisa com as pessoas que vivem em situações objetivamente irregulares. O Papa Francisco quer nos educar para isso” (Matrimoni e conversione pastorale. Intervista al cardinale Christoph Schönborn, a cura di Antonio Spadaro S.I., in “Civiltà Cattolica”, Caderno n° 3966 de 26/09/2015, pp. 449-552).
Esta entrevista deve ser lida paralelamente com a de outro Padre sinodal, de formação cultural germânica, o arcebispo de Chieti-Vasto, Bruno Forte, secretário especial da Assembleia Geral do Sínodo. Em suas declarações ao “Avvenire” de 19 de Setembro de 2015, Dom Forte disse que o Instrumentum laboris expressa “simpatia para com tudo que é positivo, mesmo quando, como no caso da coabitação, estamos diante de uma positividade incompleta. Os critérios de simpatia para com os concubinos são ditados pela presença na sua união do desejo de lealdade, estabilidade, abertura à vida. E quando se percebe que este desejo pode vir a ser coroado pelo sacramento do matrimônio. É lógico então acompanhar esse processo de maturação.Quando, pelo contrário, a coabitação é episódica, tudo parece mais difícil e torna-se então importante encontrar uma maneira de incentivar novos passos para uma maturação mais significativa. (…) Quando há uma coabitação irreversível, sobretudo com a presença de filhos nascidos da nova união, voltar atrás equivaleria faltar com os compromissos assumidos. E esses compromissos envolvem deveres morais que são cumpridos em espírito de obediência à vontade de Deus, que pede fidelidade a essa nova união. Quando existem esses pressupostos, então se pode considerar uma integração cada vez mais profunda na vida da comunidade cristã. Em que medida? Já o dissemos. Incumbirá ao Sínodo propor e ao Papa decidir.”
Como fica evidente a partir das entrevistas citadas, a abordagem dos problemas da família é puramente sociológica, sem qualquer referência a princípios que trascendem a história. O  casamento e a família, para o cardeal Schönborn e o arcebispo Forte, não são instituições naturais, que acompanham a vida do homem desde os primórdios da civilização: instituições que certamente nascem e vivem na história, mas que estando enraizadas na própria natureza do homem são destinadas a sobreviver, em qualquer época e em qualquer lugar, como a célula básica da sociedade humana. Eles pretendem que a família está submetida à evolução dialética da história, assumindo novas formas em função dos períodos históricos e dos “desenvolvimentos positivos da sociedade”.
A “linguagem positiva” da qual fala o Circulus germanicus significa que a Igreja não deve exprimir nenhuma condenação, porque é preciso colher os aspectos positivos do mal e do pecado. Propriamente falando, para eles o pecado não existe, porque toda forma de mal é um bem imperfeito e incompleto. Essas aberrações se baseiam numa confusão deliberada entre o conceito metafísico e o conceito moral de bem e de mal. Do ponto de vista metafísico, é claro que Deus, que é o Sumo Bem, não criou no universo nada de ruim ou de imperfeito. Mas entre as coisas criadas há a liberdade humana, que torna possível o distanciamento moral da criatura racional em relação a Deus. Esta aversio Deo da criatura racional é um mal chamado corretamente de pecado. Mas a noção de pecado está ausente das perspectivas do cardeal Schönborn e do secretário especial do Sínodo, arcebispo Forte.
Negando a existência do intrinsece malum, o cardeal Schönborn nega verdades morais, como aquela segundo a qual existem “atos que por si próprios e em si mesmos, independentemente das circunstâncias, são sempre gravemente ilícitos, por motivo do seu objeto” (João Paulo II, Exortação Apostólica Reconciliatio et paenitentia, n. 17) e rejeita em sua totalidade a encíclica Veritatis Splendor, promulgada precisamente para reiterar, contra a ressurgente “ética de situação”, a existência de absolutos morais. Nessa perspectiva schönborniana se dissolve não somente a noção da lei divina e natural como raiz e fundamento da ordem moral, mas também a noção de liberdade humana. A liberdade é de fato a primeira raiz subjetiva da moralidade, assim como a lei natural e divina constitui a sua forma objetiva. Sem lei divina e natural, não existem bem e mal, porque é a lei natural que permite à inteligência conhecer a verdade e a vontade de amar o bem. Liberdade e direito são dois aspectos inseparáveis ​​na ordem moral.
Porque existem absolutos morais é que existe o pecado. O pecado é um mal absoluto porque se opõe ao Bem absoluto, e é o único mal, porque se opõe a Deus que é o único Bem. As origens de cada situação de miséria e infelicidade do homem não são de natureza política, econômica e social, mas residem no pecado, original e atual, cometido pelos homens. O homem “peca mortalmente (…) quando, consciente e livremente, escolhe um objeto gravemente desordenado, qualquer que seja o motivo de sua escolha” (Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração Persona humana, de 7 de novembro de 1975, n. 10, parágrafo 6). Entre os pecados existem aqueles que, segundo as Escrituras, clamam vingança ao Céu, como o pecado dos sodomitas (Gênesis, 18, 20; 19,13), mas existem também outras violações do sexto mandamento, que proíbe qualquer união sexual fora do casamento. É inadmissível qualquer “linguagem positiva” para abençoar tais uniões. Pio XII dizia que “talvez hoje o maior pecado do mundo é que os homens começaram a perder a noção de pecado” (Discurso de 26 de outubro de 1946). Mas o que acontece quando são os homens de Igreja os que perdem o sentido de pecado, e com ele, a própria fé?

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Sobre a Carta dos Cardeais no Sínodo, em defesa da família e da Igreja

16 outubro, 2015

Os bastidores da carta explosiva dos Cardeais.

E o que acontecerá agora com o Sínodo da Igreja. 
Por Antonio Socci, Libero, 14 de outubro de 2015 | Tradução: Gercione Lima – FratresInUnum.com – A carta dos cardeais ao papa contra o amordaçamento do Sínodo e contra as teses dos modernistas bergoglianos é um fato explosivo, mesmo por causa da autoridade das assinaturas. Mas o que aconteceu em seguida, para tentar desacreditar e jogar na sombra o seu conteúdo explosivo, deve ser recontado.
Antes de tudo, tentaram fazer com que a carta fosse vista como o sintoma de um clima de conspiração por parte dos chamados “conservadores” ou católicos.
Marco Tosatti, correspondente do Vaticano sério e independente, justamente observou que uma carta privada ao papa, assinada com os nomes completos, é a coisa mais transparente, leal e corajosa que se pode ver nesses últimos tempos no Vaticano (considerando que o próprio Bergoglio – em suas palavras — pede franqueza).
Ou seja, é o exato oposto de uma conspiração. Mas — como diz Tosatti — “ele forneceu uma oportunidade de ouro para os seus muitos bajuladores gritarem “afronta e complô”.
Enquanto vamos tomando conhecimento – através do jornal alemão Tagespost — que, se tem alguma coisa que diz respeito a coisas escondidas, trata-se do próprio fato do Papa Bergoglio realizar em Santa Marta um “Sínodo paralelo” e reservado para manipular o Sínodo oficial.
O elemento que desencadeou a confusão foi o desmentido por parte de quatro dos treze cardeais signatários. Mas o que aconteceu?
O MISTÉRIO DOS NOMES
O Cardeal Pell, um dos signatários, segunda-feira à noite, através de um porta-voz, confirmou que a carta foi assinada por ele e outros cardeais, e ainda acrescentou que era uma carta privada que não foi divulgada por parte de nenhum deles. Além disso também explicou que no texto da carta tornada pública por Magister há “erros tanto de conteúdo como na lista de signatários.”
Segunda-feira à noite, ficamos sabendo então, que a revista dos jesuítas dos Estados Unidos, “América”, de orientação progressista, confirmou que a carta foi realmente assinada por treze cardeais, todos eles padres sinodais, e ainda fornece uma lista com quatro novos nomes, justamente os nomes corretos, ao invés dos quatro nomes errados os quais haviam negado a participação. Assim, a revista dos jesuítas confirma o texto publicado por Magister e o mesmo faz o jornal “La Nación” de Buenos Aires com um artigo de Elizabeth Piqué, que é a biógrafa pessoal e amiga do Papa Bergoglio e que tem acesso a fontes muito confiáveis.
Ontem à noite, portanto, Magister assinou um novo artigo onde — citando essas confirmações de peso — reitera que são treze os cardeais signatários (reconstrói a lista correta, mas parece que um foi removido) e o texto é aquele mesmo publicado por ele, ainda que na carta entregue ao papa possa haver alguma variação mínima. “De forma, mas não de substância”.
A NOTÍCIA
Com o alarido que se levantou na mídia, acabamos por perder de vista o essencial: o caráter excepcional de um documento assinado por cardeais influentes, representando muitos Padres sinodais, com o qual se destrói o Instrumentum laboris (aquele mesmo onde Bergoglio havia inserido pontos que não tinham sido aprovados pelo Sínodo de 2014 e que eram os mais controversos).
Na Carta dos Cardeais, em seguida, são criticados os novos procedimentos que amordaçam (e tentam manipular) o Sínodo em curso e se expressa preocupação porque a Comissão que deverá escrever a “Relatio” final não foi eleita pelos padres, mas nomeada inteiramente por Bergoglio (todos pessoas de seu gosto pessoal).
Além disso, a carta expressa sua preocupação com um sínodo que tinha sido convocado por Bento XVI para a defesa da família e que depois acabou se embaralhando com comunhão para divorciados recasados e que, se fosse aceita, iria pôr em colapso toda a doutrina do matrimônio e dos demais sacramentos.
No final da carta há um lembrete dramático que – embora com linguagem respeitosa – soa o alarme, dizendo que, no final da estrada tomada por Bergoglio, à imitação das igrejas protestantes da Europa, há o “colapso” ou seja, o fim a Igreja.
MAIORIA CATÓLICA
O Cardeal Pell, na declaração de anteontem, deu outras duas notícias importantes sobre o que está acontecendo. A primeira corresponde exatamente ao que, no último domingo, escrevíamos nesta coluna, ou seja, que a linha adotada pela dobradinha Kasper/Bergoglio é a minoria.
De fato, Pell diz: “Há um consenso generalizado sobre a maioria dos pontos, mas, obviamente, há alguma discordância porque uma minoria de elementos quer mudar o ensinamento da Igreja sobre as disposições necessárias para a recepção da Comunhão. Naturalmente, não existe uma possibilidade de mudança da doutrina”.
A outra notícia dada por Pell, ainda que em linguagem sutil, é esta: “persistem as preocupações dos Padres Sinodais relativas à composição do conselho de redação do relatório final e sobre o processo através do qual será apresentado aos Padres sinodais e votado.”
A polêmica agora gira em torno de tudo isso. A razão é simples, ainda que nunca dita. A intenção que agora se torna clara, é que Bergoglio está empurrando o Sínodo para as conclusões que ele quer, visando obter legitimidade para introduzir na Igreja as idéias de Kasper, ainda que de forma camuflada, como o divórcio introduzido com o Motu Proprio.
Para isto, Bergoglio, nos últimos dias – ao  descobrir que o Sínodo permanece com maioria católica — incrivelmente colocou em dúvida [a elaboração d]o “Relatório Final”, que também foi previsto em todos os programas oficiais, como resultado do Sínodo.
Dada a confusão que causou a mudança das regras do Sínodo em curso, anteontem, através do Padre Lombardi, declarou que o “Relatório Final” vai sair, mas será o próprio Bergoglio que vai decidir o que fazer e se será publicado.
Mais tarde ficamos sabendo que não será uma “Relatio” semelhante ao dos outros sínodos onde se votam proposições individuais, mas um texto vago para ser votado em bloco, no estilo pegar ou largar.
Ou seja, um modo de colocar a parte católica contra o muro, fazendo uma referência genérica à “misericórdia”, que, em seguida, poderia ser interpretada como um sinal verde para a “revolução”.
O PAPA NÃO É DEUS
Na realidade, seria necessário recordar que — a menos que se queira cair em heresia e assim decadência — nenhum papa tem o poder de derrubar a Lei de Deus e a Doutrina Católica.
Antes, como já foi explicado por um cardeal de peso para o Sínodo de 2014, essas questões sobre as quais hoje estão discutindo – já foram solenemente definidas pela Igreja, com base na Sagrada Escritura – e não poderiam e nem deveriam sequer ser colocadas em discussão.
Porque – ao contrário do que muitos acreditam – o Papa não pode fazer o que ele quer. Como disse Bento XVI na homilia da missa inaugural como Bispo de Roma na Basílica de São João de Latrão:
“O Papa não é um soberano absoluto, cujo pensar e querer são leis. Ao contrário: o ministério do Papa é garantia da obediência a Cristo e à Sua Palavra. Ele não deve proclamar as próprias ideias, mas vincular-se constantemente a si e à Igreja à obediência à Palavra de Deus, tanto perante todas as tentativas de adaptação e de adulteração, como diante de qualquer oportunismo. (…) O Papa tem a consciência de que está, nas suas grandes decisões, ligado à grande comunidade da fé de todos os tempos, às interpretações vinculantes que cresceram ao longo do caminho peregrinante da Igreja. Assim, o seu poder não é superior, mas está a serviço da Palavra de Deus, e sobre ele recai a responsabilidade de fazer com que esta Palavra continue a estar presente na sua grandeza e a ressoar na sua pureza, de modo que não seja fragmentada pelas contínuas mudanças das modas”.
Esta é a interpretação correta do “poder de ligar e desligar” que Cristo deu a Pedro, versículo do Evangelho que nos últimos dias tem sido indevidamente invocado pelo partido bergogliano, quase como para dizer que ao papa argentino é permitido fazer o que ele quiser.
O Venerável Pio Brunone Lanteri, que era um grande defensor do papado, explicou claramente em seu livro: “Mas me dirá que o Santo Padre pode tudo, ‘solveris quodcumque, quodcumque ligaveris etc.” É verdade, mas não pode nada contra a constituição divina da Igreja. Ele é o vigário de Deus, mas não é Deus, nem pode destruir a obra de Deus”.
Publicado no Líbero, 14 de outubro de 2015

Cardeal Sarah e o Sínodo - em defesa da Verdade

A voz da África clama no deserto: O discurso do Cardeal Sarah no Sínodo


15.10.2015 -  Nota de www.rainhamaria.com.br
Algumas palavras do Cardeal Robert Sarah, prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.
n/d
Fonte: http://fratresinunum.com
Sua Santidade, Eminências, Excelências, participantes do Sínodo.
Mais transparência e respeito entre nós
Sinto uma forte necessidade de invocar o Espírito da Verdade e do Amor, a fonte de parresia ao falar e humildade ao ouvir, o Único capaz de criar a verdadeira harmonia na pluralidade.
Digo francamente que no Sínodo anterior, sentia-se, em diversos temas, a tentação de ceder à mentalidade do mundo secularizado e do Ocidente individualista. Reconhecer as supostas “realidades da vida” como um locus theologicus [lugar teológico] significa desistir da esperança no poder transformador da fé e do Evangelho.
O Evangelho que outrora transformava culturas agora está em perigo de ser transformado por elas. Além disso, alguns dos procedimentos utilizados não pareciam visar o enriquecimento da discussão e comunhão tanto quanto o fizeram para promover uma maneira de ver típica de certos grupos marginais das igrejas abastadas. Essa mentalidade é contrária a uma Igreja pobre e a um sinal alegremente evangélico e profético de contradição ao espírito do mundo. Não se pode compreender que algumas declarações que não encontram o consenso da maioria qualificada do último Sínodo ainda tenham entrado na Relatio e, em seguida, na Lineamenta e no Instrumentum laboris, enquanto outras questões candentes e muito atuais (como, por exemplo, a ideologia de gênero) foram ignoradas.
Portanto, a primeira esperança é que, em nosso trabalho, haja mais liberdade, transparência e objetividade. Por isso, seria proveitoso publicar os resumos das intervenções, para facilitar a discussão e evitar qualquer preconceito ou discriminação na aceitação dos pronunciamentos dos Padres Sinodais.
Discernimento da história e dos espíritos
Uma segunda esperança: Que o Sínodo honre a sua missão histórica e não se limite a falar somente sobre determinadas questões pastorais (como, por exemplo, a eventual comunhão aos divorciados e recasados), mas auxilie o Santo Padre a enunciar claramente determinadas verdades e dar orientação útil em nível global. Isso porque há novos desafios em relação ao sínodo celebrado em 1980. Um discernimento teológico nos permite ver em nosso tempo duas ameaças inesperadas (quase como duas “bestas do apocalipse”) localizadas em lados opostos: por um lado, a idolatria da liberdade ocidental; do outro, o fundamentalismo islâmico: secularismo ateísta versus fanatismo religioso. Para usar um slogan, encontramo-nos entre “a ideologia de gênero e o ISIS”. Massacres islâmicos e exigências libertárias normalmente disputam a primeira página dos jornais. (Lembremo-nos do que aconteceu no último dia 26 de junho!). Desses dois radicalismos surgem duas ameaças maiores para a família: sua desintegração subjetivista no Ocidente secularizado através do divórcio rápido e fácil, o aborto, as uniões homossexuais, a eutanásia, etc. (cf. Teoria de gênero, o ‘Femen’, o lobby LGBT, a IPPF…). Por outro lado, a pseudo-família do Islã ideologizado, que legitima a poligamia, a subserviência feminina, a escravidão sexual, o casamento infantil etc. (cf. Al Qaeda, Isis, Boko Haram ...)
Várias pistas nos possibilitam intuir a mesma origem demoníaca desses dois movimentos. Diversamente do Espírito da Verdade, que promove a comunhão na diversidade (perichoresis), esses movimentos estimulam a confusão (homo-gamy) ou subordinação (poly-gamy). Além disso, eles exigem uma regra universal e totalitária, são violentamente intolerantes, destruidores de famílias, da sociedade e da Igreja e são abertamente cristofóbicos.
n/d
“Não estamos lutando contra a carne e o sangue…” Precisamos ser inclusivos e acolhedores a tudo o que é humano; mas o que vem do Inimigo não pode e não deve ser assimilado. Não se pode unir Cristo e Belial! As ideologias homossexuais e abortistas ocidentais e o fanatismo islâmico são hoje em dia o que o Nazi-fascismo e o Comunismo foram no século XX.
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Nota de www.rainhamaria.com.br
Declarou São Vicente de Lerins sobre a Tradição no Catolicismo: "Na Igreja Católica deve-se ter SUMO EMPENHO em que MANTENHAMOS  aquilo que foi criado em toda a parte, sempre e por todos, pois isto é que é VERDADEIRO E PROPRIAMENTE católico. (...) Portanto, pregar algo aos católicos fora daquilo que eles receberam NUNCA FOI LÍCITO, em parte alguma é lícito, e NUNCA SERÁ LÍCITO; e condenar abertamente aqueles que anunciam algo fora do que foi uma vez aceito, foi sempre necessário, em toda a parte é necessário, E SEMPRE SERÁ NECESSÁRIO." (Communitorium, Ench. Patr. 2168).
Lembrando novamente...
Declarou Dom Marcel Lefebvre, que foi Arcebispo Emérito de Tulle, na França.
Quando eu era criança, a Igreja tinha por toda parte, a mesma fé, os mesmos sacramentos, o mesmo sacrifício da missa. Se me houvessem dito então que isto mudaria, eu não teria podido acreditar. Em toda a extensão da cristiandade se rezava a Deus da mesma maneira. A nova religião liberal e modernista semeou a divisão.
Duas religiões (católicas) se afrontam (os conservadores X modernistas); nós nos encontramos numa situação dramática, não é possível deixar de fazer uma escolha, mas esta escolha não é entre a obediência e a desobediência. O que se nos propõe, aquilo a que se nos convida expressamente, porquê nos perseguem, é escolher um simulacro de obediência. O Santo Padre, com efeito, não nos pode pedir que abandonemos nossa fé.
Nós escolhemos então conservá-la e não podemos enganar-nos atendo-nos àquilo que a Igreja ensinou durante dois mil anos. A crise é profunda, sabiamente organizada e dirigida, por sinal que se pode verdadeiramente crer que o chefe do empreendimento não é um homem, mas o próprio Satã. Ora é um golpe magistral de Satã ter chegado a fazer os católicos desobedecerem a toda a tradição em nome da obediência.
A autoridade, mesmo legítima, não pode ordenar um ato repreensível, mau. Ninguém pode obrigar qualquer pessoa a transformar seus votos monásticos em simples promessas. Igualmente ninguém pode fazer que nos tornemos protestantes ou modernistas.
Pois bem, eu não sou desta religião. Não aceito esta nova religião. É uma religião liberal, modernista, que tem seu culto, seus sacerdotes, sua fé, seus catecismos, sua Bíblia ecumênica traduzida em comum por católicos, protestantes, anglicanos (enfim seitas) jogando com pau de dois bicos, dando satisfação a todo o mundo, sacrificando muito freqüentemente a interpretação do magistério. Nós não aceitamos esta Bíblia ecumênica. Há a Bíblia de Deus, é Sua Palavra a qual não temos o direito de misturar com a palavra dos homens. (com as modas e novidades do mundo, para agradar aos homens e não a DEUS)
Logo é uma inversão total da Tradição e do ensino da Igreja que está se operando, depois do Concílio e pelo Concílio. Como poderíamos nós, por obediência servil e cega, fazer o jogo desses cismáticos que nos pedem colaboração para seus empreendimentos de destruição da Igreja? Eis porque estamos prontos e submissos para aceitar tudo o que for conforme à nossa fé católica, tal como foi ensinada durante dois mil anos mas recusamos tudo o que lhe é contrário".
Lembrando...
Em 1846 Nossa Senhora apareceu, em La Salette, a duas crianças: Maximino e Melânia.
     Posteriormente essa aparição teve aprovação da Igreja.
     É bem famoso aquela parte destas revelações chamada de "O Segredo de La Salette".
No contexto de La Salette há uma mensagem que deixou perplexos os católicos, na qual Nossa Senhora disse:
"Roma perderá a fé, e converter-se-á na sede do anticristo".

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

O falso profeta do apocalipse é o Papa Francisco?


Sínodo paralelo?

Tagespost: há um Sínodo paralelo.

A incerteza sobre o êxito destas três semanas de negociações é ainda maior pelo fato de que na Residência do Vaticano, a Casa Santa Marta, realiza-se uma espécie de “Sínodo paralelo”: Papa Francisco se encontra com participantes do Sínodo e convidados externos para falar com eles individualmente. 
Por Marcos Tosatti – La Stampa, 13 de outubro de 2015 | Tradução: Gercione Lima –FratresInUnum.com: O Tagespost de hoje, em um artigo de Guido Horst, oferece uma visão interessante de como está sendo a experiência do Sínodo por parte do Papa Francisco.
E chega a mencionar a existência de um “Sínodo Paralelo” que está ocorrendo na Casa Santa Marta, tendo como principal protagonista o próprio Papa.
Eis aqui uma tradução do jornal católico alemão: “…Há quem diga que, enquanto duas frentes colidem uma contra a outra – e até agora ninguém negou que esses confrontos existam -, o que aparece substancialmente na Sala do Sínodo, todos esses confrontos não chegam ao  público… Só nos próximos dias é que serão revelados quantos Padres sinodais desejam mudar as práticas da Igreja. Como disse há poucos dias, diante dos jornalistas, o Cardeal Luis Antonio Tagle, de Manila, um dos quatro presidentes do Sínodo: “os trezentos bispos não se reuniram para não decidir nada”.
E aqui está uma música que surge com um interesse especial: “a incerteza sobre o êxito destas três semanas de negociações é ainda maior pelo fato de que na Residência do Vaticano, na Casa Santa Marta, está sendo realizado uma espécie de ‘Sínodo paralelo’. O Papa Francisco reúne participantes sinodais e convidados de fora para falar com eles individualmente. No final, caberá ao Papa tomar uma decisão sobre as questões que permanecem em aberto e comunicar a sua decisão a toda a Igreja em um texto conclusivo. Isso, no entanto, é agora o maior ponto de interrogação que paira sobre todo o Sínodo”.
Parece realmente, como escrevem alguns comentaristas em redes sociais, que o Sínodo de 2015 não tem nada a invejar, como curiosidade e golpes de cena, aos dramas de ficção televisivos.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Papa e Sínodo

13 outubro, 2015

Terá a intervenção do Papa Francisco reconduzido o Sínodo à sua trajetória heterodoxa?

Por Voice of the Family, 7 de outubro de 2015 | Tradução: FratresInUnum.com – O Sínodo Ordinário sobre a família esteve ontem (6 de outubro) muito mais perto de um repúdio dos ensinamentos da Igreja Católica sobre a sexualidade humana. As esperanças dos fiéis católicos aumentaram na segunda-feira (5), com a reafirmação da ortodoxia Católica feita na relazione introduttiva do Relator Geral do Sínodo, Cardeal Péter Erdö, Arcebispo de Esztergom-Budapeste. Ontem, o relatório e a posição de Erdö foram seriamente minados depois que uma intervenção do Papa Francisco indicou aos padres sinodais que a questão da comunhão para os “divorciados e recasados” ainda estava em aberto. O Cardeal Erdö também foi minado por observações feitas por padres sinodais convidados a uma coletiva de imprensa organizada pelo porta-voz da Santa Sé, o padre Lombardi.
A relazione introduttiva do Cardeal Erdö
Em seu relatório inicial, apresentado na segunda pela manhã, o Cardeal Erdö defendeu a doutrina católica, perpassando todo o espectro de ensinamentos relacionados à sexualidade humana. O Relator Geral decididamente rejeitou a proposta do Cardeal Kasper sobre a admissão à Sagrada Comunhão daqueles que vivem em adultério público e claramente reafirmou o ensinamento Católico sobre questões como o homossexualismo, a indissolubilidade do casamento e a contracepção. Ele também repudiou o falso entendimento de misericórdia, o qual tem sido cada vez mais prevalente no período anterior ao Sínodo.
“Misericórdia”, disse o Cardeal, “exige conversão”. A análise mais completa do relatório de Erdö pode ser encontrada aqui.
Cardeal Erdö e Arcebispo Forte adotam abordagens divergentes na coletiva de imprensa
A defesa do Cardeal Erdö do ensinamento Católico continuou na coletiva de imprensa ocorrida na Sala de Imprensa da Santa Sé na segunda-feira de manhã. Também presentes na conferência estavam o Arcebispo Bruno Forte, Secretário Especial do Sínodo e o Cardeal Vingt-Trois, Arcebispo de Paris.
Jornalistas pediram que o Cardeal Erdö comentasse o seu relatório no que toca a recepção da Santa Comunhão por “divorciados e recasados”. Como resposta, ele defendeu a sua decisão de manter a doutrina Católica e enfatizou que, longe de ser ilimitado, o desenvolvimento doutrinal só pode se dar em consonância com a tradição. Ele também rejeitou a sugestão de que haveria uma alternativa Ortodoxa Oriental para a doutrina e disciplina Católica, chamando atenção para as divisões que existem dentro da Igreja Ortodoxa. Mais aguda foi, talvez, a sua observação de que a leitura do Evangelho no dia da abertura do Sínodo foi, coincidentemente, a doutrina de Nosso Senhor sobre a indissolubilidade do casamento, tal como é registrado no Evangelho de São Lucas.
O Arcebispo Forte, conhecido por ter elaborado passagens heterodoxas sobre homossexualidade na relatio post disceptationem do ano passado, respondeu ao Cardeal Erdö na primeira oportunidade. Ignorou uma questão a ele colocada por um jornalista, a respeito de famílias numerosas, e voltou à discussão sobre a Santa Comunhão para “divorciados e recasados”.
Forte enfatizou que o Sínodo era um “sínodo pastoral”, voltado para o “cuidado pastoral”. Que havia uma necessidade de encontrar “novas formas de abordar os desafios pastorais”, porque “os tempos mudam, as situações mudam”. Ele disse que “desafios pastorais estão aí e devemos encará-los”. (A tradução das observações do Arcebispo Forte é tirada de uma tradução simultânea fornecida pela Sala de Imprensa da Santa Sé).
As colocações de Forte encaixam-se na narrativa buscada por prelados dissidentes no Sínodo. O seu modus operandi é insistir que a doutrina da Igreja permanecerá intocada, mas a prática pastoral irá mudar. Na realidade, as assim chamadas mudanças pastorais que eles propõem, tais como a readmissão de adúlteros não-arrependidos à Santa Comunhão, de fato, contradizem a doutrina Católica.
A intervenção do Papa Francisco
O Papa Francisco realizou uma intervenção não programada no Sínodo ontem (6) pela manhã. Ele instruiu os padres sinodais que eles deveriam considerar o Sínodo Ordinário como estando em perfeita continuidade com o Sínodo Extraordinário. Disse a eles que deveriam considerar somente três documentos sinodais como documentos formais do Sínodo, sendo eles: o seu próprio discurso de abertura do Sínodo Extraordinário, a Relatio Synodi do Sínodo Extraordinário e o seu próprio discurso de encerramento daquele Sínodo. A natureza heterodoxa da Relatio Synodi, que recebeu aprovação pessoal do Santo Padre, foi discutida pelo Voice of the Family na nossa Análise do Relatório Final do Sínodo Extraordinário. O Santo Padre também disse que a questão da recepção da Santa Comunhão por “divorciados e recasados” não era a única que o Sínodo deveria considerar. Isso indica, contudo, que o Papa Francisco considera a questão aberta, apesar de estar claramente resolvida pela Sagrada Escritura, pela Sagrada Tradição e o ensinamento de seus predecessores. O conteúdo da intervenção do Santo Padre foi repetido diversas vezes pelo Padre Lombardi e outros participantes na coletiva de imprensa.
A intervenção do Santo Padre ontem minou a autoridade do relatório do Cardeal Erdö e assinalou aos padres sinodais que o Santo Padre prefere que as discussões do Sínodo se dêem de acordo com as linhas estabelecidas pela heterodoxa Relatio Synodi, ao invés do que o ortodoxo discurso introdutório do Cardeal Erdö. As ações do Santo Padre enfraqueceram gravemente os esforços para reorientar o Sínodo Ordinário em direção a uma afirmação e defesa da doutrina Católica.
Dois Arcebispos minam o relatório do Cardeal Erdö e se recusam a afirmar a fé Católica
Numa coletiva de imprensa dada na Sala de Imprensa da Santa Sé ontem à tarde, o Arcebispo Claudio Maria Celli, presidente do Conselho Pontifício para Comunicação Social, foi indagado em que medida, após o relatório do Cardeal Erdö, a questão da Santa Comunhão para “divorciados e recasados” estava fechada. Ao afirmar que “a questão ainda está aberta”, o Arcebispo Celli não só minou o testemunho do Cardeal Erdö mas, muito mais seriamente, repudiou o ensinamento constante do magistério da Igreja.
Também participou da coletiva de imprensa de ontem o Arcebispo Paul-André Durocher, Arcebispo de Gatineau (Canadá). A Durocher foi perguntado se poderia ser dito, agora, que a questão da recepção da Santa Comunhão por “divorciados e recasados” deve ser considerada matéria de “prática pastoral” ao invés de “doutrina”. O Arcebispo Durocher recusou-se a usar a oportunidade para afirmar o ensinamento da Igreja; ao invés disso, ele simplesmente disse que os padres sinodais têm pontos de vista diferentes sobre esse ponto.
O Padre Rosica e seu sumário da revolução “progressista” contra a doutrina Católica.
Na coletiva de imprensa de ontem, o pe. Thomas Rosica, porta-voz de língua inglesa para a Santa Sé, deu o que descreveu como um sumário das intervenções dos padres sinodais. As intervenções, de acordo com o que resumiu o Pe. Rosica, foram quase uniformemente “progressistas”.
O resumo do pe. Rosica enfatizou a necessidade de “um fim da linguagem exclusionista” e a necessidade de “aceitar a realidade como ela é” e não “ter medo de situações novas e complexas”. Foi relatado que um padre do Sínodo disse que “no cuidado pastoral das pessoas, a linguagem da inclusão deve ser a nossa linguagem, sempre considerando possibilidades e soluções pastorais e canônicas”. Rosica fez referência a intervenções pedindo por uma “nova catequese para o casamento”, uma “nova linguagem para falar às pessoas do nosso tempo”, uma nova abordagem da homossexualidade, que não mais desse a impressão que os católicos sentem “pena” dos homossexuais. Rosica também chamou atenção para um chamado para estender a prática da absolvição geral do Ano da Misericórdia e por um questionamento tal como: “há novos modos de usar o diaconato permanente, e aqueles que são diáconos permanentes, como verdadeiros ministros da misericórdia?” Outra intervenção perguntou “somos nós os mestres da mesa da Eucaristia ou os servos dessa mesa, acolhendo as pessoas a ela?”
Um dos aspectos mais perturbadores do resumo de Rosica foi a sugestão que a questão da Santa Comunhão para “divorciados e recasados” poderia ser resolvida de maneiras diferentes em partes diferentes do mundo. Isso levaria a práticas diferentes e, portanto, a doutrinas diferentes em diferentes partes da Igreja. Tal divisão é, evidentemente, inseparável de um cisma.
Conclusões
O relatório de abertura do Relator Geral, Cardeal Erdö, suscitou esperanças de que seria possível o Sínodo ser reorientado à direção ortodoxa, apesar do heterodoxo Instrumentum Laboris, o qual serve como sua agenda. A corrosão do relatório do Cardeal Erdö pela intervenção do Papa Francisco parece recolocar o Sínodo na direção heterodoxa. Se a Relatio Synodi e o Instrumentum Laboris continuam a ser a base para o trabalho do Sínodo Ordinário, então os responsáveis pelo Sínodo – e aqueles que o seguem – continuarão na trajetória em direção a um repúdio formal da doutrina da Igreja Católica.

Misericórdia sem arrependimento?

13 outubro, 2015

Cardeal De Paolis: “Hoje falamos muito sobre compaixão, amor e misericórdia. Mas sem a verdade, estamos no caminho errado”.

Cardeal De Paolis.
Cardeal De Paolis.
Por Daniel Sebastianelli – Corrispondenza Romana | Tradução: FratresInUnum.com –  Diante da crise do matrimônio e da família, a resposta só pode vir das certezas da fé. Isto foi o que afirmou, no dia 10 de outubro, o Cardeal Velasio De Paolis, presidente emérito da Prefeitura dos Assuntos Econômicos da Santa Sé, durante os trabalhos da Conferência Matrimônio e Família. Com temas entre dogma e prática da Igreja, essa convenção foi organizada pela Fundação Lepanto e pela Associação Família de Amanhã e realizada em Roma, no Salão de São Pio X, na Via dell’Ospedale, com a participação de Mons. Antonio Livi, Prof. Roberto de Mattei e Prof. Giovanni Turco, além da participação de várias centenas de pessoas, incluindo muitos sacerdotes e religiosos.
“Precisamos de verdade”, lembrou com força o cardeal, que também foi secretário do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica e delegado pontifício para a Congregação dos Legionários de Cristo. “Hoje falamos muito sobre compaixão, amor e misericórdia. Mas sem a verdade, estamos no caminho errado”. A impressão, de acordo com o cardeal Velasio De Paolis, é que “hoje as palavras não significam mais nada”, enquanto “nós precisamos de conteúdo para encontrar a verdadeira realidade”. Referindo-se ao problema dos divorciados recasados, o cardeal é muito claro. Adotar “uma prática pastoral que vai contra a doutrina é uma terrível falta de lógica. Não é cristão”. No fundo, “se eu tenho um remédio que não funciona, isso significa que eu não entendi bem qual é a doença. Se me limito a trocar o remédio ao invés de procurar entender a causa da doença, poderei acabar matando o paciente”. A solução, para o prelado, só pode ser outra: “os pecadores não devem ser rejeitados, mas é preciso encontrar o caminho certo. O caminho do amor na verdade. A misericórdia não pode ser confundida com amor”, acrescentou o cardeal, “e o amor é inseparável da verdade.”
prof. Roberto de Mattei
O prof. Roberto de Mattei, presidente da Fundação Lepanto, abriu a conferência afirmando que o matrimônio e a família estão sendo “questionados dentro da própria Igreja”, algo que “nunca aconteceu na história”. Depois de recordar algumas passagens históricas na vida da Igreja, De Mattei lembrou o exemplo de São Pedro Damião e de todos os grandes reformadores da sua época que “não invocaram a lei da gradualidade ou do mal menor, não definiram o concubinato dos padres como uma situação irreversível das quais tomar nota, e nem exortaram a acolher os elementos positivos das uniões homossexuais e das coabitações extra-matrimoniais.”
Prof. Giovanni Turco
Da sua parte, o professor Giovanni Turco, docente da Universidade de Udine, explicou como hoje o plano sociológico está substituindo o plano teológico e chamou a atenção para o princípio da não contradição, segundo a qual “tudo é o que é. Mesmo matrimónio e a família”. Assim, “ou o casamento é indissolúvel ou não é. Seja lá qual for a pastoral, ou se está em pecado ou não, a verdade não admite gradualidade”. Para o professor, “a falsa e errônea definição de um problema levará consequentemente a uma falsa solução para o problema”, porque “o bem é o critério da prática, não o contrário”.
Mons. Antonio Livi
Monsenhor Antonio Livi, Decano emérito da Faculdade de Filosofia da Pontifícia Universidade Lateranense, reiterou que não pode haver separação entre doutrina e prática e que, na Igreja, “a pastoral tem o propósito específico de trabalhar para o bem das almas”. Como o cardeal De Paolis, também Mons. Livi criticou abertamente a tese do Cardeal Kasper, dizendo que ele está convencido de que o cardeal alemão não pode ignorar a deformidade de seus pontos de vista em relação àqueles do Magistério e da evidência racional. Mas quando se erra, afirmou o monsenhor, “você pode perseguir um objetivo oculto, que é aquele de convencer os outros a acreditar em algo falso. E isso é hipocrisia”.